Diário do Alentejo

Alvito: Continuidade ou mudança?

04 de outubro 2025 - 08:00
Num dos concelhos mais pequenos em área e população, o PS manterá a câmara, a CDU conseguirá recuperá-la ou o Mica ou o Chega serão as surpresas?
Foto | Ricardo ZambujoFoto | Ricardo Zambujo

Nas eleições de 2021, o PS, sob a liderança de José Efigénio, conseguiu quebrar o ciclo de três mandatos seguidos da CDU. Conseguirão os socialistas manter a câmara, novamente com o mesmo candidato, ou David Serra, pelos comunistas, conseguirá recuperá-la? Ou o Movimento Independente do Concelho de Alvito (MICA), com Dinis Pinto, e o Chega, com Hugo Coelho, protagonizarão uma surpresa?

 

Se no final de 2024 o concelho de Alvito registava 2303 residentes, chegados que estamos às eleições autárquicas do próximo dia 12 são 1884 os presentes nos cadernos eleitorais, segundo os dados da Comissão Nacional de Eleições (1876 cidadãos nacionais, sete cidadãos da União Europeia não nacionais e um outros cidadão estrangeiro). De acordo com o Pordata, tendo por base o Instituo Nacional de Estatística, “a população do município aumentou 0,2 por cento entre 2021 e 2024, abaixo da média nacional (3,2%). Foi o menor aumento populacional quando comparado com os quatro dos cinco municípios mais próximos onde a população também aumentou”. Quanto à densidade populacional, Alvito apresentava, no concelho, por cada quilómetro quadrado, uma média de 8,7 habitantes, abaixo do valor nacional (117 habitantes por quilómetro quadrado). “Em termos de idade, a sua população caracteriza-se da seguinte forma: 299 crianças e jovens com menos de 15 anos (mais 12 do que em 2021); 1376 com idades entre os 15 e os 64 anos (mais 21 do que em 2021); 628 idosos com 65 ou mais anos (menos 28 do que em 2021)”.

No que à Educação diz respeito, em 2024 estavam matriculados, nas escolas de Alvito, 390 alunos: 57 crianças na educação pré-escolar, 191 no ensino básico e 142 no ensino secundário. A diferença, face a 2021, seria de mais um aluno no total.

Em termos de Habitação, os Censos de 2021 registaram “912 alojamentos (moradias ou apartamentos) de famílias que aí tinham residência habitual. Adicionalmente, havia, ainda, 392 alojamentos familiares de residência secundária, 156 alojamentos vagos para arrendamento e 289 alojamentos vagos por outros motivos no município”, referindo que no triénio 2022-2024 foram construídos “dois novos fogos para habitação familiar”.

Em 2023, o ganho médio mensal no concelho de Alvito foi de 1266 euros, o mais alto quando comparado com os cinco municípios mais próximos: Viana do Alentejo (1091€), Cuba (1110,80€), Ferreira do Alentejo (1230,30€), Vidigueira (1219€) e Portel (1170,10€).

Da sua superfície, 264,9 quilómetros quadrados, mais de 75 por cento é utilizada para atividade agrícola.

1884 eleitores recenseados nos cadernos eleitorais para as Autárquicas de dia 12 no concelho de Alvito, respeitantes às freguesias de Alvito e Vila Nova da Baronia.

 

30,56 foi a taxa de abstenção no concelho, nas últimas eleições autárquicas, em 2021, em que num universo de 1908 inscritos houve 1325 votantes.

Candidatos e propostas

 

O programa do PS, com a recandidatura de José Efigénio, projeta a continuação do trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos, focando-se em consolidar Alvito como um concelho dinâmico e atrativo. No plano económico, a principal aposta é a criação de uma nova zona de atividades económicas (ZAE) em Alvito, para complementar a já existente em Vila Nova da Baronia, e a elaboração de um guia do investidor para atrair novas empresas. Na Saúde, propõe-se continuar a custear parte do vencimento dos médicos para garantir a sua fixação e diligenciar para trazer especialidades como fisioterapia e terapia ocupacional para o concelho. Na Educação, o foco está em manter o apoio aos estudantes do ensino superior e em potenciar a Escola Profissional de Alvito (EPA) para atrair mais alunos. Propõe-se, ainda, a revisão do programa “Alvito Social” para apoiar a população idosa e vulnerável, bem como a disponibilização de lotes para habitação jovem e a conclusão do programa “Primeiro direito”. Para a Juventude, são avançadas medidas de apoio ao arrendamento e incentivos à natalidade.

O Chega, através de Hugo Coelho, apresenta um programa centrado em medidas de forte impacto fiscal, social e de captação de investimento. A proposta de maior destaque é a isenção total de derrama para empresas com faturação até 250 mil euros e a redução de um por cento no IRS municipal para todos os munícipes. Na área da Saúde, o partido propõe a criação de um seguro de saúde municipal (“Alvito Mais Saúde”) para facilitar o acesso a consultas e exames no setor privado, colmatando a falta de médicos. Adicionalmente, planeia oferecer consultas gratuitas de psicologia e fisioterapia e criar incentivos de habitação para atrair profissionais de saúde. Para a Habitação jovem, a solução passa pela reabilitação de património devoluto para arrendamento a custos controlados. O programa inclui ainda a criação de uma “Incubadora rural” para apoiar o empreendedorismo, a criação de transporte municipal entre freguesias e o lançamento de um “Campus Rural de Talentos” com bolsas de estudo para os jovens. Prevê-se, também, o apoio a empresários nómadas.

O programa da CDU, cuja candidatura é encabeçada por David Serra, assenta num Plano Estratégico de Desenvolvimento Local, fruto de um processo de auscultação da comunidade, e estrutura-se em 12 eixos. Uma das propostas centrais na área da Saúde é a criação de uma unidade móvel de saúde para realizar vacinação e rastreios de saúde visual e auditiva nas freguesias. Na Habitação, a CDU compromete-se a desenvolver o Plano Local de Habitação para garantir mais 10 fogos para arrendamento acessível, incentivar a reabilitação no centro histórico e criar novos loteamentos municipais. Em termos de Mobilidade, sugere-se a criação do serviço “Liga Alvito”, um minibus circular, e a disponibilização de um serviço gratuito de bicicletas. Para a Juventude, as medidas incluem um “Passe anual desporto jovem”, a reativação do Conselho Municipal da Juventude e o programa “Jovem+Alvito” para apoiar a renda e a natalidade. Em matéria de governação, a CDU defende mais transparência, propondo a transmissão audiovisual das assembleias municipais e a publicação de um índice de transparência municipal.

O Movimento Independente do Concelho de Alvito (MICA), cujo cabeça de lista é Dinis Pinto, apresenta uma visão estratégica para inverter o declínio do concelho, focando-se na inovação, sustentabilidade e coesão social. No domínio da Habitação, uma das medidas prioritárias é o programa “Casa renovada”, que consiste num apoio financeiro para a reabilitação de imóveis devolutos, especialmente, nos centros históricos. O programa prevê, também, a criação de habitação com renda acessível para jovens e idosos e parcerias com cooperativas de habitação. Na área social, destaca-se o programa “Família+”, que atribui um apoio financeiro por cada nascimento ou adoção, e a criação de uma unidade móvel de saúde e um serviço de telemedicina. O MICA propõe ainda a criação de um polo do Conservatório Regional do Baixo Alentejo em Alvito, uma incubadora de empresas rurais e a isenção da taxa de derrama para as empresas locais. O programa valoriza também a ferrovia como um “diamante em bruto” a ser potenciado para o desenvolvimento do concelho.

 

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