Diário do Alentejo

Os votos no círculo de Beja no século XXI

08 de março 2024 -
Ilustração | Susa MonteiroIlustração | Susa Monteiro

Nos últimos 25 anos, os baixo-alentejanos foram chamados a votos para eleger os seus representantes no Parlamento da República oito vezes. No próximo domingo, os cerca de 120 mil eleitores inscritos elegerão, mais uma vez, os três deputados a que o círculo de Beja tem direito, 1,3 por cento dos 230 que constituem a totalidade dos deputados eleitos.

 

Texto | Aníbal Fernandes

 

Entre 1999 e 2022 registou-se uma quebra de 24 033 eleitores inscritos no círculo eleitoral de Beja (menos 16,5 por cento), de 144 921, em 1999, para 120 888, em 2022.

No entanto, em relação à ida às urnas, esta curva descendente foi contrariada, por uma vez, em 2005, ano em que votaram 87 350 eleitores, o maior número de todas as eleições nos últimos 25 anos e que deu a maioria absoluta a José Sócrates, com mais de 44 mil votos (ver tabela). Em 1999, o PS também garantiu metade dos deputados na AR, com António Guterres, tendo em Beja amealhado 39 728 votos, o segundo melhor resultado no distrito. Nas últimas eleições – que, depois do fim da geringonça, garantiu a maioria absoluta a António Costa –, os socialistas “apenas” obtiveram 29 533 votos.

Em seis das oito eleições o PS elegeu dois deputados, enquanto o PSD só conseguiu um representante em 2011 – quando o cabeça de lista foi Carlos Moedas – e em 2015, em que concorreu coligado com o CDS.

A CDU é, sem dúvida, entre as forças com representação parlamentar, aquela que mais eleitores perdeu entre 1999 e 2022 (cerca de 50 por cento), mas, ainda assim, tem garantido em todas as Legislativas a eleição de um deputado.

O Bloco de Esquerda (BE), de 1999 a 2011, teve um percurso ascendente, mas, em 2015, ano em que a nível nacional venceu a coligação de direita liderada por Passos Coelho, perdeu 47 por cento. Quatro anos depois recuperou eleitorado, mas daí para cá tem sido sempre a descer.

O CDS, neste período, conseguiu o seu melhor resultado em 2011 (5462 votos). No entanto, depois de se ter coligado com o PSD os números desceram drasticamente, tendo recolhido apenas 515 votos em 2022.

Em sentido contrário, o Chega, de André Ventura, na sua primeira eleição, recolheu 1313 votos, tendo conseguido 6932 na última eleição legislativa, mesmo assim, ainda longe da CDU e PSD, que conseguiram, respetivamente, 12 442 e 10 767 votos cada.

O PAN já conta com quatro participações. Na primeira, em 2019, obteve apenas 513 votos, tendo conseguido a sua melhor votação em 2019, com 1269, mas há dois anos apenas registou metade dessa votação.

O Livre tem tido um percurso sempre a subir, mas com fracos resultados. Já a Iniciativa Liberal, entre 2019 e 2022, quintuplicou o seu resultado, mas ainda muito longe de poder aspirar a eleger um dos três deputados do círculo de Beja.

A eleição do próximo domingo deixa em aberto várias possibilidades, parecendo certo que o PS é o único que tem garantida a eleição de um deputado. A CDU, caso continue a perder eleitorado, arrisca-se a ser substituída pela AD, cenário que repetiria o que aconteceu no círculo eleitoral de Évora nas últimas eleições. Mas se os comunistas conseguirem resistir há ainda a possibilidade de se voltar a 2011 e 2015 com os deputados distribuídos pelos três primeiros partidos. Quanto ao Chega, as sondagens apontam para uma subida, mas teria que aumentar substancialmente os seus votos para eleger um deputado por Beja.

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