Diário do Alentejo

Orgulho

01 de julho 2023 - 11:00
Alentejo não é particularmente homofóbico, mas ainda há um longo caminho a percorrer na luta pela igualdade de direitos
Ilustrações | Susa MonteiroIlustrações | Susa Monteiro

O mês que agora chega ao fim é celebrado como o Mês do Orgulho LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e outros), com o objetivo de dar visibilidade à comunidade, de chamar a atenção para os preconceitos que ainda enfrenta. Em Beja, as comemorações, da responsabilidade da associação Arruaça, estão marcadas para o dia de amanhã, sábado. Sara e Rolando, dois jovens alentejanos, contam ao “Diário do Alentejo” como é viver numa sociedade em que ainda há discriminação com base na orientação sexual.

 

Texto Nélia Pedrosa

 

Sara sempre achou as raparigas “muito mais interessantes”. Quando “gostava muito de alguém nunca era de um rapaz, era sempre de uma rapariga”. Percebeu, assim, desde cedo, qual era a sua orientação sexual.

 

Mas de uma forma muito natural, “cada coisa a seu tempo”, sem nunca sentir “qualquer tipo de constrangimento ou de angústia existencial”. O primeiro relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo aconteceu já enquanto estudante universitária no Algarve, conta a ajudante de ação direta nascida em Beja há 39 anos.

 

Sara nunca sentiu necessidade de “sentar” quem quer que fosse “à mesa” – pais, amigos, familiares – para “falar abertamente” sobre a sua orientação sexual. Foi-se “assumindo” aos poucos, diz. E, de “forma natural”, uma vez mais, quem a rodeava “foi-se apercebendo”.

 

“Se trazes uma pessoa a casa uma vez, e outra vez, e vens passar o fim de semana e a pessoa é sempre a mesma, se isso começa a ser um hábito, as pessoas começam a perceber. Acho que foi assim, não houve necessidade de dizer, isso foi surgindo”.

 

Embora nunca tenha sentido qualquer tipo de preconceito devido à sua orientação sexual, admite que “seria mais fácil não ser gay”. É “mais fácil trazer um namorado a casa do que trazer uma namorada, sem dúvida”, justifica.

 

O assumir-se homossexual acaba “um bocadinho com as expectativas que às vezes as pessoas têm em relação ao nosso futuro, e que vai, depois, tocar um bocadinho naquela questão do casamento [heterossexual]”. “Todos os pais querem que a filha case, vestida de noiva, uma grande festa, netos, etc.,etc..E talvez quando pensam sobre isso percebem que poderá não ser assim ou não da forma como estariam à espera”, acrescenta.

 

No entanto, frisa, os pais “também nunca se preocuparam muito com isso”, nem nunca a questionaram sobre a sua vida sentimental.

 

“No fundo o que os pais querem é que nós sejamos felizes, portanto, se tudo nos correr bem, está tudo ok. É como digo, para mim é tudo muito natural, mas, sim, também sinto que poderia ter sido mais fácil noutras alturas. Mas [ser homossexual] é só mais uma característica. Tem muito a ver com essa expectativa que se cria em relação ao futuro. E é isso que complica um bocadinho as coisas. Por exemplo, vivo com a minha namorada há seis anos e os meus pais ainda não a conheceram pessoalmente. Sabem que vivo com uma rapariga, sabem que é minha namorada, falo dela normalmente, mas ainda não a apresentei como tal, porque acho que não há necessidade de verbalizar aquilo que eles já sabem”.

 

Foi uma escolha sua, reforça, que “terá as suas coisas positivas e as suas coisas negativas”, mas que é também uma forma de se proteger, “de não estar com muitas justificações”.

 

De um modo geral, Sara considera que Beja é “uma cidade muito gay friendly”, amigável para a comunidade LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e outros). Leva uma vida social em casal normalíssima, como qualquer outro casal heterossexual – “desde uma ida às compras ao ir beber um café, ao cinema ou ao teatro” –, e “sendo a cidade também pequena as pessoas acabam por saber” que vivem juntas e que são namoradas. É claro que já ouviu uma ou outra “piadinha”, mas “há que não lhe dar importância”.

 

Hoje, dia 1 de julho, a capital do Baixo Alentejo receberá a terceira edição do Beja Pride (ver caixa), um evento organizado pela associação Arruaça que visa assinalar o orgulho LGBT+. Para Sara, este tipo de iniciativas – usualmente assinaladas em todo o mundo no mês de junho, considerado o Mês do Orgulho –, são de extrema importância, até porque, “embora não considere o Alentejo particularmente homofóbico”, as questões ligadas à comunidade LGBT+ “ainda estão longe” de serem aceites “pela sociedade na sua plenitude”.

 

“Talvez possa ter a ver com ignorância, com desconhecido, mas há coisas que ainda estão muito enraizadas: o chamar ‘mariquinhas’, o achar que uma mulher que está com outra mulher é uma espécie de homem. Gosto muito de ser mulher, gosto de coisas tipicamente femininas, não tenho nada de masculino”, conclui.

 

UMA ADOLESCÊNCIA MARCADA PELO PRECONCEITO

Rolando Galhardas, ator residente na Baal 17 – Companhia de Teatro na Educação do Baixo Alentejo, sediada em Serpa, foi um dos primeiros homossexuais a casar em Portugal, depois de a lei do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo ter entrado em vigor a 5 de junho de 2010.

 

Fê-lo numa conservatória em Lisboa, onde então estudava Artes Performativas e conheceu o agora ex-marido. Tinha acabado de fazer 20 anos. Casou por amor, claro, “estava apaixonadíssimo”, mas também “foi uma questão quase reivindicativa e uma sensação de empoderamento, que é, de repente, o poderes fazer alguma coisa que te foi historicamente proibido sempre”, diz o jovem de 33 anos, natural do Alandroal.

 

O facto de o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo ser uma possibilidade, adianta, acabou “por as legitimar, de alguma forma, na sociedade enquanto casal”, por lhes dar visibilidade, embora, lamente, “as relações homossexuais continuam, por muitos prismas, a serem vistas como perversas, como contra natura, o que está muito ligado à lógica patriarcal de como se vê o matrimónio”.

 

Apesar de dizer que, no seu caso, o facto de não viver no Alentejo quando a lei foi aprovada em nada influenciou a sua decisão de casar, a verdade é que “houve muita gente que, por exemplo, das zonas mais rurais, preferiu ir a Lisboa para contrair esse matrimónio com medo de represálias”.

 

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2022 foram celebrados, no Alentejo, 41 casamentos entre pessoas do mesmo sexo (24 entre homens e 17 entre mulheres), o maior número desde 2011. No total, entre 2011 e 2022, foram celebrados, na região, 177 uniões.

 

De acordo com os mesmos dados, o Alentejo é a segunda região de Portugal Continental, a seguir aos Açores, com o menor número de casamentos celebrados nesses 12 anos. Apesar disso, o casamento entre pessoas do mesmo sexo tem vindo a aumentar no Alentejo desde 2016, com algumas pequenas oscilações em 2018 e 2020. 

 

Comparando as sub-regiões do Alentejo, o Central surge em primeiro lugar com 39 casamentos entre 2011 e 2022, seguido do Baixo Alentejo (24) e do Alentejo Litoral e Alto Alentejo (19 cada). Analisando os dados do INE referentes aos concelhos do distrito de Beja, excluindo o de Odemira, que integra o Alentejo Litoral, no período referido, Beja liderava a lista com seis casamentos, seguido de Ferreira do Alentejo, com quatro, Mértola, com três, Moura e Vidigueira, com dois, e Almodôvar, Alvito e Barrancos, com um.

 

Em Serpa e Ourique não há registo de qualquer união civil. O INE sublinha, no entanto, que os dados de 2020 a 2021 “devem ser lidos tendo em conta as contingências da pandemia de covid-19”.

 

O casamento de Rolando acabaria por durar pouco tempo. O jovem ator chegou mesmo a ser vítima de violência doméstica. Um problema, frisa, que ainda não é devidamente reconhecido entre pessoas do mesmo sexo.

 

“Dentro da comunidade LGBT+ é muito difícil conseguires avançar com uma queixa ou teres qualquer acompanhamento. No caso de casais lésbicos, por exemplo, tendencionalmente, é indiciado como o agressor a mulher que tem o aspeto mais masculino e como vítima a mulher que tem o aspeto mais feminino. Continuam a ser casos que são tratados com base no estereótipo, no preconceito. E entre dois homens não é considerado violência doméstica porque são dois homens e é mais do que natural que se agridam”, sublinha.

 

Aos 23 anos estava divorciado e de regresso a Évora para ingressar na licenciatura em Teatro, a que se seguiu um mestrado no Porto.

 

Ao contrário de Sara, a adolescência de Rolando não foi tão pacífica. Desde pequeno que sempre se sentiu “diferente”. Lembra-se perfeitamente de questionar a mãe por que é que nos filmes de animação da Disney “tinha de haver um príncipe e uma princesa e nunca havia príncipes com príncipes ou princesas com princesas”.

 

Essa “consciência desde tão novo”, diz, talvez tenha surgido pelo facto de, através da profissão da mãe, que era costureira de teatro e bonecreira, “ter acesso a uma heterogeneidade de pessoas”. “Conheci, desde muito cedo, casais homossexuais, de gays ou lésbicas, e, como tal, isso para mim não era uma coisa que estava no imaginário, era uma coisa que era real, eu sabia que eram pessoas, sabia que viviam em amor”.

 

Aos 13 anos, numa das edições do Festival Noites na Nora, em Serpa, promovido pela Baal 17, contou à mãe o que há muito ela já sabia.

 

“A minha mãe trabalhava no festival e tem uma relação com a Baal 17 desde a sua fundação e eu senti que era um espaço seguro, com pessoas que me faziam sentir seguro, para finalmente ter coragem de lhe contar. Apesar de saber que a minha mãe é uma pessoa super mente aberta, e para ela isto não eram, e não são, questões, o receio existe sempre para uma pessoa que sai da normatividade social a que estamos habituados. Assumir o que quer que seja é sempre um ato de fragilidade e um ato que pode acarretar alguns perigos”, diz Rolando, sublinhando que “uma pessoa heterossexual nunca vai entender qual é a sensação do coming out [assumir-se] porque se parte sempre do pressuposto que uma pessoa é heterossexual”, e essa exposição pública, que, “na verdade, até é íntima”, mas que é feita para que se possa “viver de forma livre e honesta, é um ato de violência muito grande para quem toma essa decisão”.

 

Depois da mãe, contou às duas irmãs, ao pai e ao resto da família. Para a maioria dos familiares, até para os mais velhos, “de uma outra geração”, como a avó ou a tia-avó, o “que lhes importava era o amor, mesmo que não entendessem ainda muito bem” o que significava a sua orientação sexual.

 

Já o avô paterno, de “uma família mais tendencionalmente à direita, mais conservadora”, com quem tinha uma relação muito próxima, a quem lia poesia, quando soube, esteve um período de tempo sem lhe falar. Achava “que isto se ia pegar”.

 

Passados cinco ou seis meses ligou-lhe a pedir desculpa e a dizer que tinha saudades dele. “De formas diferentes, porque a minha avó é uma pessoa mais à esquerda, mas tanto um como com outro, independentemente das suas posições políticas, aceitaram, foi uma questão de dar tempo ao tempo. Isto tudo para dizer que até nas pessoas mais velhas isto é uma questão muitas vezes de tempo e de educação, de diálogo. Com os meus avós tenho uma experiência de reeducação por eles próprios muito grande”.

 

Quando contou à mãe que era gay, Rolando vivia em Terena, uma pequena localidade do concelho do Alandroal. Foi um colega de escola, que lhe tirou o telemóvel e teve acesso a mensagens que trocou com outro rapaz, que o denunciou.

 

Os amigos que vinham dos tempos da infância acabaram por lhe virar as costas. Aos 15, 16 anos, com nova mudança de escola, agora para Vila Viçosa, para frequentar o ensino secundário, os receios e incertezas agudizaram-se.

 

“Foi outra vez todo um novo processo de em quem é que podes confiar para ser teu amigo, quem é que sabe do que aconteceu no Alandroal que fica aqui a 10 quilómetros e por causa disso me vai atacar. A verdade é que o meu início no secundário foi difícil, depois acabei por criar o meu grupo de amigos, que ainda são meus amigos hoje em dia”.

 

Concluído o secundário seguiu-se a capital e depois, como já referido, Évora e Porto. Há cerca de quatro anos mudou-se para Serpa. Foi também mais ou menos por essa ocasião que começou a organizar, em conjunto com outras pessoas, algumas iniciativas em Évora, nomeadamente, uma festa na Sociedade Harmonia Eborense.

 

Nesta edição de 2023 decidiram dar uma maior visibilidade à causa LGBT+, promovendo uma semana de atividades, de 13 a 18 deste mês, a que chamaram 1.ª Évora Pride e que incluiria uma das duas primeiras marchas do orgulho organizadas no Alentejo – a outra realizou-se em Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira, sendo que a primeira, em Portugal, teve lugar em 2000, em Lisboa.

 

Uma exposição que integrava o programa da 1.ª Évora Pride, organizada em parceria pela Sociedade Harmonia Eborense, Núcleo Feminista de Évora e Associação Évora Queer, e que propunha uma reflexão sobre o ódio em torno da comunidade LGBT+ acabaria, no entanto, por ser vandalizada por três homens, que também fizeram “refém” o funcionário que se encontrava no local, a igreja de São Vicente, propriedade da câmara. Rolando diz que esse episódio foi totalmente inesperado.

 

“Quando estávamos a organizar a Évora Pride, falámos dos eventos que achávamos que poderiam ser atacados, mesmo antes de os divulgarmos, e não nos enganámos muito, como foi o caso do ‘Pride dos pequeninos’. Mas em relação à exposição nunca pensámos que isto pudesse acontecer desta forma, porque, ao contrário do que vários partidos extremistas e grupos religiosos dizem, a exposição não foi uma provocação. Aquela igreja é uma galeria de arte há mais de 20 anos, não tem culto, não é um espaço sacro”.

 

Perante isto, o ator considera que a intolerância face à diferença, ao desconhecido, continua a ser perigosa e que “ainda há um longo caminho a percorrer”.

 

E em relação ao Alentejo em concreto, “a zona do País geograficamente mais extensa, mais isolada, com mais solidão, mais desinvestimento, com maior taxa de suicídio na comunidade LGBTQI+”, as preocupações serão ainda maiores, até porque, ao contrário de outras zonas do País, só existem duas estruturas, “nos distritos de Évora e Beja”, de apoio à comunidade, o que é manifestamente insuficiente. Considera, por isso, que se deve insistir, nomeadamente, ao nível das escolas, “com a educação sexual e cívica, com programas reais”, que possam abranger outras questões relacionadas, por exemplo, com “o racismo, a xenofobia, a transfobia e por aí fora”.

 

No que ao Évora Pride diz respeito, “as breves ações de ódio” registadas durante esta primeira edição “só reafirmaram a necessidade” de se continuar a promover iniciativas do género, de “se criarem espaços seguros para esta comunidade”, diz.

 

“Se há coisa que este Pride deixou claro é que vamos continuar. E o balanço é muito positivo, apesar do que aconteceu. Saímos deste primeiro Évora Pride com uma sensação de felicidade e de amor abundante. O apoio que recebemos a nível nacional e local foi gigantesco. A nossa marcha teve perto de 400 pessoas, não só homossexuais, claro, porque era uma marcha pelos direitos humanos”, um número superior ao esperado pela organização.

 

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LITORAL ALENTEJANO "ESTÁ A DESPERTAR PARA OS DIREITOS LGBTQIA+"

Em Vila Nova de Milfontes, explica Uri Ayalon, um professor israelita de 44 anos a viver atualmente em Tamera – Centro Internacional de Investigação e Educação para a Paz, em Odemira, a marcha do orgulho realizada no dia 18 partiu de um grupo de “mais de 100 pessoas LGBTQ+ que vivem na região” e em que a “forma de organização e comunicação é feita maioritariamente on line e, de vez em quando, reunimo-nos presencialmente também para convívios e para nos apoiarmos uns aos outros”.

 

“Este ano, quisemos trazer também a nossa visibilidade e celebração para as ruas de Milfontes. Pela primeira vez sentimos que a nossa região está a despertar para este nível de direitos LGBTQ+. Em Lisboa, e noutras grandes cidades, é possível encontrar muito mais organizações e eventos para queers, mas, para nós, nesta região, sentimo-nos como sendo pioneiros a este nível”, diz, adiantado que na marcha em Milfontes participaram “cerca de 60 pessoas”.

 

“Ficámos surpreendidos com a forma como fomos lindamente aceites pela população local presente naquele dia, e foi realmente comovente ver como as pessoas saíram dos seus restaurantes para nos ver passar nas ruas, ou ver os trabalhadores a saírem e a aplaudirem connosco, houve também pessoas que começaram a buzinar quando passaram de carro, outras a fazerem sinais com a forma do coração quando passámos. Foi lindo”.

 

Mas “infelizmente”, sublinha, ainda “se podem ver sinais de homofobia” na região, e “um dos sinais, e resultado disto, é o facto de a maioria dos homens gays na nossa região estar ‘no armário’”.

 

Uri Ayalon adianta que, por exemplo, “ao abrir uma aplicação on line em que se podem conhecer homens que se identificam como gays”, é possível deparar-se “com perfis de portugueses locais e de imigrantes que vivem permanentemente nesta área e que não aparecem com as suas fotografias ou muitas vezes escondem que são gays perante as pessoas que os rodeiam”.

 

Um outro exemplo “da presença de homofobia” na região, acrescenta, foram os incidentes na Évora Pride.

 

“Neste caso podemos ver que, apesar de Portugal estar a dar e a respeitar direitos LGBTQ+, ainda há sinais de homofobia que põem esses mesmos direitos em risco. E o que podemos fazer em relação a isso? Podemos tentar mostrar quem somos, ou encontrar formas de trabalhar com os medos para que nos possamos sentir mais seguros. Aqui em Portugal, podemos sair às ruas, como neste tipo de marchas do orgulho, onde temos uma forma de expor a nossa existência. É quase como ter um sinal, saber que há um ponto de encontro, uma forma de celebrar quem somos e pelo menos por um momento sentirmo-nos menos sozinhos e mais apoiados nas nossas dificuldades e lutas diárias. Unidos somos mais fortes, não necessariamente contra algo, mas a favor da nossa existência e dos direitos LGBTQ+ que necessitamos para poder viver de uma forma mais segura e informada”.

 

Para Uri, a educação e o acesso a informação LGBTQ+ “são também uma parte fundamental deste trabalho” de combate à homofobia.

 

“Acho necessário que haja educação para pessoas, em que os contrapontos entre pessoas heterossexuais e as pessoas LGBTQ+ se possam tornar visíveis e isto de modo a criar caminhos para que, juntos, possamos dissolver a ignorância e o medo”.

 

Segundo o professor, as pessoas que participaram na marcha do orgulho em Milfontes, vieram, na sua maioria, de diversas partes do mundo para participar num curso que se realizou em Tamera nessa altura e que convidou, especialmente, pessoas da comunidade LGBTQ+.

 

Houve “também um número significativo de pessoas a participar na marcha que não se identificam como LGBTQ+, mas que apoiam a causa, os direitos e mostraram a sua solidariedade desta forma”.

 

Uri acredita que este tipo de visibilidade “pode fazer a diferença na vida de alguém”. “Talvez haja pessoas, jovens ou adultos, a viver em Milfontes e que têm questões sobre a sua própria identidade, ou sentem a necessidade de esconder quem são e acabam por ‘viver no armário’, que, talvez, por nos verem nas ruas, percebam que não estão sozinh@s. Esperamos que este tenha sido o efeito e o impacto: alargar os espaços de tolerância e celebração, aceitação, solidariedade e respeito”, conclui.

 

III BEJA PRIDE

Com organização da associação Arruaça, o jardim Público de Beja recebe amanhã, sábado, 1 de julho, o III Beja Pride, evento que “volta a celebrar a diversidade, a visibilidade e a resistência de todas as pessoas LGBTQI+”, promovendo o respeito e a inclusão através do diálogo, da música e da festa. O programa incluirá uma conversa sobre “O acesso à saúde – caminhos para equidade”, às 15:30 horas e as atuações de Herlander (19:00 horas), Clementine (22:00 horas), As Docinhas (23:15 horas) e Eva e o Joio – Coletivo Piranhas (00:30 horas).

 

MARCHA DO ORGUHO

A história e tradição da marcha do orgulho começou em 1969 em Stonewall, Nova Iorque. O movimento da libertação gay vê estes motins, que aconteceram em 1969, como o início da tradição das marchas do orgulho, trazendo assim visibilidade, celebração e a luta pelos direitos da comunidade LGBTQ+ para as ruas.

 

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