Emília Pisoeiro (CD Espite) e Bruno Santos (UF Comércio Indústria) foram os vencedores absolutos da oitava edição da Travessia da Planície, competição que ligou as freguesias de São Marcos da Ataboeira e Entradas, com organização da Câmara Municipal de Castro Verde.
Texto Firmino Paixão
Cerca de 11 quilómetros separam estas duas freguesias situadas no coração do “Campo Branco”, no concelho de Castro Verde, num território com uma singularidade que, no ano de 2017, levou a Unesco a classificá-lo como Reserva da Biosfera, a primeira a sul do Tejo. Há oito anos que o município de Castro Verde promove a sua ligação de forma alternada, numa competição que designou como Travessia da Planície. Esta oitava edição teve a adesão de mais de uma centena de atletas nas variantes de corrida e caminhada. Emília Pisoeiro e Bruno Santos, atletas de referência, dois estreantes, foram os vencedores absolutos da prova de corrida. A polaca Emília Pisoeiro confirmou isso mesmo, que chegou, viu e venceu. “Foi a primeira vez que fiz esta prova. O percurso é um bocadinho difícil, é assim um constante sobe e desce, depois também tínhamos o vento contra, mas deu para aguentar. Foi um bom resultado para mim, não vou dizer que foi excelente porque, sendo a primeira vez, não conseguirei comparar tempos, mas estou satisfeita, as vitórias dão-me sempre muita felicidade”. O vencedor masculino, Bruno Santos, contou: “Eu e o Daniel Martins fizemos a corrida quase sempre juntos, mas ao oitavo quilómetro decidi arriscar, ganhei espaço e distanciei-me dele. A partir daí tentei dar tudo para chegar em primeiro lugar à meta. Foi a primeira vez que aqui vim. O percurso, para mim, é perfeito, é disto que eu gosto, é neste sobe e desce que me dou bem e consigo os melhores resultados”. Daniel Martins, capitão piloto-aviador dos KC 390 estacionados na Base Aérea n.º 11, em Beja, ia tentar a quarta vitória na prova, porém, admitiu: “Já sabia quem tinha como adversários. Conheço bem o Bruno Santos, isolámo-nos, no início, viemos sempre os dois, mas, na última subida, ele distanciou-se um bocadinho e eu fiquei, as pernas já não tinham mais nenhuma mudança e acabei a gerir a corrida. Tive muito gosto em disputar novamente esta prova, com bom ambiente e um excelente convívio”.Oito edições com prestígio crescente e a lista de concorrentes a ganhar mais expressão e qualidade, admitiu David Marques, vice-presidente do município de Castro Verde. “A Travessia da Planície é uma aposta ganha, é uma prova de estrada que oferece aos concorrentes a possibilidade de atravessarem o coração da Reserva da Biosfera de Castro Verde. É uma oportunidade de desfrutar desta paisagem e de ligar duas localidades do concelho. A prova nunca é igual de ano para ano, a partida e a chegada alternam, anualmente, entre São Marcos da Ataboeira e Entradas. São desafios diferentes com os mesmos 11 quilómetros, mas acreditamos que, de facto, é uma aposta que tem vindo a afirmar-se e a consolidar-se. É um trabalho do gabinete de desporto do município, com um conjunto de parceiros que se têm envolvido sempre e que são muito importantes para tornar esta prova possível. Depois, temos conseguido atrair atletas de diferentes clubes e de vários pontos do Sul do País, mas também já com algumas presenças da região Centro. É uma prova que tem conseguido atravessar as fronteiras e tem conseguido cativar e atrair atletas, à boleia da Travessia da Planície, para descobrirem Castro Verde durante este fim de semana de outubro”. Uma prova com a invulgaridade de atravessar o coração da Reserva da Biosfera, observou o vereador com o pelouro do Desporto: “Chamamos-lhe a Travessia da Planície, mas não é uma planície qualquer, é uma planície que fica precisamente no coração do núcleo da Reserva da Biosfera. A paisagem proporciona a fixação de 200 espécies de avifauna estepária, que podem ser observadas com alguma sorte, obviamente que os atletas competem focados no seu percurso, mas também podem ser surpreendidos, aqui e ali, por momentos que a paisagem lhes oferece, acreditando nós que será uma oportunidade de quererem descobrir mais sobre este território que valoriza muito a dimensão natural, a dimensão da conservação da natureza e também da atividade humana em harmonia. Foi isso que a Unesco reconheceu em Castro Verde, em 2017, e é esse o nosso trabalho, manter esta harmonia e este equilíbrio entre a conservação da natureza e a dinamização da atividade humana”.
