Diário do Alentejo

Beja Basket Clube atribuiu à sua sede social o nome do antigo presidente João Margalha

10 de outubro 2026 - 08:00
“Será sempre a sua casa”
Foto | Firmino PaixãoFoto | Firmino Paixão

O Beja Basket Clube e os Salesianos de Évora realizaram, no Pavilhão Municipal João Serra Magalhães, em Beja, um jogo amigável para preparação das suas equipas seniores e, essencialmente, para homenagear João Margalha, o “sempre eterno” presidente dos bejenses.

 

Texto Firmino Paixão

 

“O João Margalha era uma grande figura do basquetebol alentejano – e sê-lo-á sempre –, uma pessoa muito especial, que marca muita gente, particularmente, a mim, que o conheci bastante bem”, confessou João Ponte e Sousa, responsável técnico pelo basquetebol dos eborenses. Lembrou ainda: “Não há muito tempo eu vi-o aqui neste pavilhão, quando foi disputado o campeonato nacional. Sabia que estava em tratamento, mas vi-o bem. A notícia do seu falecimento foi uma derrota muito grande para mim, fiquei muito emocionado e aquilo que espero de todos nós, particularmente, dos que estão em Beja, mas de todos os que nele reconheceram valor, é que se faça jus a uma vida de dedicação, a uma tarefa que é uma tarefa impossível. Os portugueses não nasceram para jogar basquetebol. Somos pessoas baixas, e muito menos os alentejanos, mas a dinâmica imprimida por algumas pessoas do Alentejo e, particularmente, aqui em Beja, pelo Margalha, foi notável. Temos de fazer tudo, sobretudo, para preservar a sua memória. Margalha é uma marca positiva, no basquetebol e em Beja”. A Associação de Basquetebol do Alentejo esteve representada pelo seu presidente, José Manuel Sargaço, uma presença institucional do basquetebol alentejano, num momento de saudade e de memória. “Para mim, pessoalmente, é muito mais do que isso”, sublinhou o dirigente. “Conhecia o João desde que o basquetebol se iniciou aqui em Beja. Agora, trabalhávamos juntos na associação, tivemos sempre uma grande amizade e respeito um pelo outro. Tínhamos ideias, íamos fazer uma revisão estatutária, à qual ele deu um enorme contributo. O Margalha era vice-presidente, éramos cinco, ficámos quatro e a direção manter-se-á assim até ao final do mandato. A sua presença e o trabalho que fez pelo basquetebol alentejano serão inesquecíveis, ele foi um pilar fundamental para a modalidade”.Luís Caramba, jogador, treinador e hoje vice-presidente do clube, foi um discípulo de João Margalha e não faltou a este momento em que o clube recordou o seu líder de sempre. As emoções estão à flor da pele, admitiu. “O seu desaparecimento físico ainda é muito recente, mas o João permanecerá entre nós. Onde houver uma bola de basquetebol, estará presente o Margalha. Foi ele que nos estimulou e meteu o bichinho do basquetebol em todos os que continuamos por aqui. Nós temos a obrigação de fazer a mesma coisa aos que virão no futuro, não poderá ser de outra forma, porque era assim que o João, época após época, nos ensinava a fazer. Temos muita gente que gosta de nós e nós temos de retribuir. Enquanto houver alguém que goste de nós, continuaremos este legado”. “Memória, orgulho e paixão”, foi este o mote da homenagem que o Beja Basket Clube encontrou para homenagear o seu presidente. Que melhor adjetivação definiria o percurso de João Margalha, na comunidade bejense, em geral, e no basquetebol, em particular? “Absolutamente!”, admitiu o novo presidente da direção do clube, Alexandre Oliveira, completando: “Estou no clube há pouco mais de 10 anos, por convite de uma pessoa amiga. Acabei por ir entrando, tive cá um filho, depois o meu filho saiu e eu fui ficando, exatamente porque este é um clube que se aprende a gostar. Queremos que continue a funcionar bem. Temos como maior objetivo a alegria das crianças e dos jovens que cá estão. Temos, em média, entre 150 a 170 atletas por ano e como vemos que todos os anos, tanto eles, como os pais, se sentem bem nesta casa, é esse trabalho que queremos continuar”. Quanto à “memória, orgulho e paixão”, Alexandre Oliveira fez notar: “O João Margalha começou a jogar muito cedo, foi treinador, foi estudar, voltou a jogar, voltou a treinar, regressou à sua cidade, criou a secção de basquetebol do Despertar e, mais adiante, com dois amigos, fundou o Beja Basket Clube, e foi um grande protagonista desta história enorme pelo basket que durou, infelizmente, até há cerca de dois meses”. Sobre o legado deixado por Margalha, o novo líder do clube entende: “Não é fácil, nem acho que seja possível substituir o João Margalha. Ele, pela inteligência que tinha, pela dedicação que o caracterizava, pelo amor que tinha à modalidade, tornou-se numa figura ímpar do basquetebol, não só local como até regional, e em termos nacionais, não sei até que ponto ele interagia não só com a federação, como até com outros clubes. Não é fácil, mas sei que algo que ele gostaria era que a direção se mantivesse e que houvesse uma pessoa que, na eventualidade que, infelizmente, aconteceu, assumisse o lugar dele. Assumir este lugar não é fácil, porque as pessoas olham sempre para nós à espera que nós consigamos chegar ao nível do João. No meu caso, tentarei todos os dias que isso aconteça, mas estaremos cá para o que der e vier. Temos o clube a funcionar, temos as inscrições feitas, temos as equipas, quase todas, já formadas e vamos ver como é que a época irá correr”. O João estará fisicamente ausente, mas a sua memória perdurará. “Estará presente neste pavilhão e em todo o lado e decidimos dar o nome dele à nossa sede, que fica na Rua João Hogan, porque foi ele que arranjou o projeto, como arranjava outros, e comprou a sede que é propriedade do clube. O mínimo que poderíamos fazer era chamar àquele espaço a sede João Margalha, para que se saiba, no futuro, tudo o que ele representou para a modalidade, para o clube e para a comunidade”, ou seja, “a nossa sede será sempre a sua casa”.

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