Diário do Alentejo

Quando a bola não entra...

06 de fevereiro 2026 - 17:00
Tiago Matos, treinador do Sport Clube Odemirense, não admite “atirar a toalha ao chão”

O Sport Clube Odemirense sagrou-se, na última época desportiva, campeão distrital da 2.ª Divisão da Associação de Futebol de Beja. Na presente temporada não tem conseguido manter as mesmas performances competitivas e, atualmente, ocupa o último lugar do “Distritalão”.

 

Texto e Foto | Firmino Paixão

 

O Odemirense, no seu reduto, ganhou ao Aldenovense, empatou com o Albernoense e empatou em Cuba. Tem cinco pontos e ocupa o último lugar da tabela do Campeonato Distrital da 1.ª Divisão. No último domingo, perante o vizinho Renascente, sofreu a 12.ª derrota. Tem sete jogos para inverter a malapata da crise de finalização que abala o conjunto treinado por Tiago Matos, técnico que, na última época, levou o emblema do rio Mira ao título distrital do segundo escalão e a consequente ascensão ao escalão superior.

 

Que avaliação faz do percurso da equipa até ao momento neste campeonato?Tendo em conta o trajeto que está percorrido, pois o campeonato ainda não terminou, claro que não estamos felizes. Hoje, frente ao Renascente, foi mais um jogo em que não conseguimos pontuar e, mais uma vez, são aquelas vitórias morais que já cansam e já doem. Equilibrámos a primeira parte, na segunda fomos claramente superiores, mas sofremos três golos. Não há equipa que sobreviva a isto. O futebol é assim, tem sido a época toda desta maneira, portanto, resumindo, posso explicar a época como explico este jogo. Foi ingrato, tem sido uma época assim. Trabalhamos bem, jogamos bem, temos jogadores com qualidade, com bom rendimento e estão confiantes, mas é normal que, jogo após jogo em que a bola não entra, quando erramos, acabamos por ser castigados. Tem sido uma época ingrata.

 

A equipa tem boas dinâmicas e bons princípios de jogo, mas peca na finalização. Já identificou as razões para que isso aconteça?Sim. Resumidamente, é isso que eu tentei explicar. As razões? Não sei. Temos um avançado, o Alexandre Portela, que, na época passada, fez trinta e tal golos. Neste ano a bola teima em não entrar. Temos o Luís Gabriel que, na época passada, também fez muitos golos e, nesta época, não tem conseguido. Temos bons avançados, mas a bola teima em não entrar. Estamos a tentar reforçar o setor mais avançado para que consiga quebrar este jejum da baliza. Mas o erro, nem sei se será um erro… existe o problema de não conseguirmos marcar golos, mas as razões não as consigo identificar.

 

O clube perdeu alguns jogadores experientes que seriam fundamentais no rendimento da equipa. O plantel tem uma média de idades de 24 anos. Será inexperiência?Não considero que seja, porque, realmente, tínhamos esse “núcleo duro”, como lhe chamavam aqui em Odemira, e que muitos abandonaram depois de termos descido de divisão. Quando fomos para a segunda distrital, acabados de descer da primeira, já não tínhamos esse “núcleo duro”, mas, de certa forma, não podemos dizer que a inexperiência seja a causa dos golos falhados, porque, na época passada, se calhar, até com mais inexperiência do que temos neste ano consentimos uma única derrota na primeira fase da prova. Se me está a dizer que é a inexperiência, eu direi que não considero, porque, então, não teríamos subido na época passada.

 

A manutenção era o objetivo traçado para esta temporada?Era? Não! É! Porque ainda não descemos. Claro que acreditamos que é possível melhorar a nossa classificação.

 

O plantel tem boa assiduidade aos treinos e sente que está comprometido com os objetivos do clube?Sim. Na última semana tivemos sempre mais do que 15 jogadores nos treinos. Na quinta-feira passada treinámos 11 para 11. Só para ter noção. Não tenho palavras para explicar a ingratidão que esta época tem sido. A capacidade de trabalho que este grupo tem é impressionante. Impressiona a resiliência que estes jogadores têm e que este clube está a mostrar, porque duvido que muitas equipas, ou muitos clubes, se aguentassem como nós temos conseguido fazer. Neste momento acredito que muitos deles já teriam desistido e ainda não houve um só jogador nosso que caísse. Não houve um só jogador nosso que tivesse abandonado. A bola não está a entrar, mas nós acreditamos que isso irá acontecer.

 

Os próximos jogos serão, primeiro, com o Aldenovense, depois, com o Despertar. Jogos em que o Odemirense poderá pontuar…Nós podemos pontuar em qualquer jogo. Nós, na segunda parte, superiorizámo-nos ao primeiro classificado do campeonato. Temos capacidade para nos superiorizarmos a qualquer equipa. Fizemos um mau jogo, um jogo horrível, em que perdemos 7-1, em Castro Verde. Foi um jogo desligado. Fizemos um muito mau jogo em Milfontes, perdemos 4-1. Foram os nossos piores jogos. Em Albernoa também não estivemos bem, ainda estávamos no início do campeonato. Mas tirando isso, tirando esses três jogos fora de casa, nós podíamos ter ganho a qualquer adversário. Portanto, se me está a perguntar se nestes próximos sete jogos nós acreditamos que podemos ganhar, sim. Se a bola entrar nós podemos vencer qualquer jogo.

 

Houve também aquele jogo da Taça Distrito em que o Odemirense foi eliminado, em Salvada, por uma equipa do segundo escalão…Esse jogo foi a antítese do que lhe estou a dizer. Até parece que é o choradinho habitual de um treinador quando as coisas não lhe correm bem. Mas o guarda-redes do Salvadense (Eduardo Barão) é muito bom, defendeu bolas incríveis. Tivemos mais de 10 oportunidades e só fizemos dois golos e o adversário fez três.

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