O Ourique Desportos Clube e o Grupo Desportivo e Cultural de Amoreiras-Gare defrontaram-se no Campo 25 de Abril, em Montes Velhos, em jogo a contar para a 17.ª jornada (série C) do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão da Associação de Futebol de Beja.
Texto e Fotos Firmino Paixão
As obras de beneficiação do Estádio Municipal D. Afonso Henriques, na vila de Ourique, e as condições climatéricas adversas que têm impedido a sua conclusão obrigaram o clube local a andar literalmente com “a casa às costas”. No último fim de semana, a receção ao Amoreiras ocorreu na freguesia de São João de Negrilhos (Aljustrel), onde a equipa liderada por Márcio Mestre sofreu uma derrota tangencial por uma bola a zero, fragilizada pela expulsão de um seu jogador, a meio do primeiro tempo, e pela não concretização de uma grande penalidade defendida por Ivandro, o guardião adversário. O Ourique está na oitava posição da tabela, já um pouco longe dos lugares de qualificação para a fase final e até no apuramento para a futura divisão de honra; o Amoreiras é o quarto classificado, com os dois objetivos em aberto. No final da partida, o técnico ouriquense, Márcio Mestre, comentou: “Acho que até ao momento da expulsão tínhamos o jogo controlado, estávamos a procurar os espaços que combinámos”. E revelou ainda: “Tínhamos ensaiado a nossa estratégia e o jogo estava a decorrer de acordo com o planeado. Tínhamos pensado num jogo direto ou menos direto, ensaiámos as duas vertentes, depois, com o lance da expulsão do nosso jogador, a estratégia caiu por terra mas, ainda assim, tenho de felicitar os meus jogadores pela grande réplica que deram na segunda parte”. Depois recordou: “Jogando em inferioridade numérica conseguimos que o Amoreiras ficasse no seu meio campo, tivemos muito coração, faltou-nos, talvez, um pouco mais de clarividência mas, neste jogos, com menos um jogador, não é fácil”. O treinador acentuou, ainda: “Temos atletas com lesões, temos jogadores a atuar em posições que não são as deles, portanto, tenho de me focar mais naquilo que foi a atitude da equipa e no espírito competitivo que tiveram, claro que nem sempre com o mesmo discernimento, mas valeu pelo esforço que fizeram”. Márcio Mestre deixou claro que não se esconde atrás dos jogadores, afirmando: “Assumo a minha culpa, sendo certo que se torna mais difícil com poucos treinos e com poucos atletas a treinar, mas estou cá para assumir”. O próximo jogo será frente ao vizinho Santa Luzia, um dérbi do concelho. “São sempre dérbis”, admitiu o treinador, considerando: “Os nossos jogos têm sido todos praticamente equilibrados, se calhar, aquele que perdemos com enorme justiça do adversário foi em Aldeia dos Fernandes, porque fizemos um jogo péssimo. Espero mais um jogo equilibrado, que tentaremos vencer e terminar com a maior dignidade possível para fazer jus ao compromisso que estes jogadores têm tido para com o clube e comigo”, concluiu.Luís Coelho, treinador do Amoreiras-Gare, reconheceu a importância do triunfo perante um adversário que jogou imenso tempo em inferioridade numérica e até desperdiçou uma grande penalidade. “Tivemos realmente a sorte do jogo. Tentámos controlar a partida, mas não nos podemos esquecer que o Ourique tem muito bons jogadores e trabalham duas ou três vezes por semana, enquanto nós não treinamos. Portanto, sentimos dificuldades, embora isso não seja desculpa para nada, até porque ganhámos. Mas, como referiu, tivemos de facto a sorte do jogo, se calhar, estamos com a estrelinha de campeão”. A equipa está a quatro pontos do líder, ainda em posição de se qualificar para a fase final, admitiu o técnico. “Foi realmente um passo importante mas o objetivo principal que é ficarmos nos quatro primeiros lugares e distanciarmo-nos das equipas que estão por baixo. Mas isto faz-se jogo a jogo, será uma luta até ao final do campeonato, porque os jogos irão ser todos semelhantes a este com o Ourique. Só peço é que a sorte nos proteja sempre até ao fim”. Ainda assim fez notar: “Os resultados contam, mas o mais importante é dignificarmos a nossa terra. Temos uma equipa com muito potencial. Um grupo que está unido há alguns anos, há seis ou sete, e isso é importante em jogos como o de hoje. A vontade, o crer e o compromisso contam muito para que consigamos as nossas metas. Mas também temos de dar os parabéns ao Ourique, porque fez um bom jogo e, se calhar, mereceria mais do que perder”. O próximo compromisso será frente ao Boavista dos Pinheiros, equipa que está um degrau acima e apenas com mais um ponto, por isso, reforçou Luís Coelho, “será um dos jogos mais difíceis que vamos ter, mas nós vamos sempre para ganhar. A nossa estratégia não é para empatar, é sempre para vencer e esperar que a nossa estrelinha possa voltar a cintilar”.