A nona jornada da série A do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão da Associação de Futebol de Beja teve um quadro de jogos em que uns foram mais apetecíveis do que outros, com intrigantes especificidades que se tornaram atrativos e suficientemente capazes de criarem uma indecisão na orientação do GPS.
Texto e fotos Firmino Paixão
Ponderados os prós e os contras, foi tomada a decisão de viajarmos para a Salvada. Uma terra de gente amistosa que, naquela tarde de sábado, um dia soalheiro, mas com uma brisa gélida, seria palco de mais um jogo entre duas equipas do rodapé da tabela de pontos da sua série no campeonato. Teria sido a escolha acertada? Pois…Em Barrancos jogou-se entre a equipa local e o Piense, uma contenda para os lugares de qualificação para a fase seguinte, em Brinches jogou o atual segundo classificado e em Vila Nova de São Bento até havia um dérbi entre o Aldenovense e os “bês” do Serpa. Mas não fomos por aí. Guardado estava o bocado para quem o haveria de comer. O jogo da Salvada mereceu a nossa presença. Ponto final. Queríamos perceber quais os argumentos da equipa local para, na semana anterior, ter eliminado o Odemirense da Taça Distrito de Beja. O Odemirense é um primodivisionário que na época passada foi campeão distrital do segundo escalão e o Salvadense fê-lo cair da taça. Eduardo Barão, com a sua habitual empatia e disponibilidade, aprestou-se, no final, a falar disso e do próprio jogo. Queríamos, também, perceber o porquê de, ao cabo de nove jornadas, o histórico e centenário São Domingos Futebol Clube não conseguir, sequer, conquistar um ponto. Perceber o que lhes falta. Antes mesmo do início do jogo, foi notada a ausência de um treinador e a presença de, apenas, 11 jogadores do São Domingos. O presidente do clube assegurou ao “Diário do Alentejo” que a equipa seria orientada pelo capitão, Christiani Anastácio, e o próprio acedeu a prestar declarações no final. Então teríamos matéria para trabalhar. Por isso, vamos ao jogo. Uma partida nem sempre bem disputada, com maior domínio territorial dos visitados, apesar de sentirem imensas dificuldades em penetrar no espaço defensivo do São Domingos que, naturalmente, se apresentou com os dois blocos, defensivo e médio defensivo, muito baixos, deixando apenas uma unidade na frente, para explorar eventuais lances de contra ataque. O golo solitário que deu os três pontos ao Salvadense surgiu já no final da primeira parte. No segundo período, a toada manteve-se igual e a partida terminou sem que o marcador ganhasse mais volume, mas com um triunfo justo para os donos do Campo de Jogos Terra do Pão.Eduardo Barão, treinador/jogador do Salvadense, admitiu no final: “Esperava outra atitude da minha equipa, porque os jogadores, durante a semana, foram alertados para as dificuldades deste jogo. Eles pensavam que seria fácil, mas disse-lhes para não valorizarem o facto de eles ainda não terem pontuado no campeonato”. E revelou: “Disse-lhes que tínhamos de jogar com alma, com intensidade e determinação para ganhar o jogo. O São Domingos dificultou-nos bastante e os meus atletas subestimaram o adversário. A primeira parte foi má, a segunda foi péssima. Dos jogos que fizemos nesta época, este foi o que menos gostei”. O técnico recordou também: “Fizemos um grande jogo na semana passada, quando eliminámos o Odemirense, da Taça Distrito de Beja, mas este foi mesmo muito mau, faltou a intensidade que tivemos com o Odemira e que não tivemos com o São Domingos, e isso não pode acontecer”. O capitão da equipa do São Domingos (Christiani Anastácio), no final do jogo, recolheu às cabines e delegou no jovem Leonardo Romão, de 21 anos, recentemente chegado ao clube, vindo do “Quatro ao Cubo”, de Olhão, a missão de prestar declarações: “Sofremos um golo num erro defensivo. São os pequenos detalhes que determinam a sorte de um jogo, mas eu acho que devemos levantar a cabeça e continuar em frente. Temos andado a defender bem, mas o que nos está a faltar é eficácia no ataque”. E identificou as fragilidades da equipa, dizendo: “O que perseguimos, de certa forma, é um resultado positivo. A equipa tem andado a evoluir. Este é o meu primeiro ano no São Domingos, mas tenho notado que, de um jogo para outro, temos vindo a melhorar. Isso é essencial para que consigamos o resultado positivo que nos está a faltar”. Ainda assim, deu ênfase à escassez de atletas, dizendo: “Tínhamos só 11 disponíveis e, tendo em conta esse facto, o resultado até foi mais positivo, porque não tínhamos ninguém no banco e o adversário tinha o banco bem carregado, por isso, a derrota, por um a zero, até foi um resultado simpático”. O próximo desafio do São Domingos será em casa, na receção ao vizinho Clube de Futebol Guadiana. Um dérbi! O avançado Leonardo Romão garantiu: “Será um jogo em que iremos com tudo para cima deles, com garra, com determinação, e poderá acontecer o tal resultado positivo”. Que tenham também mais organização, mais compromisso e respeito por quem, à margem do jogo, pretender divulgar as suas incidências.