Diário do Alentejo

Covid-19:Campo Arqueológico de Mértola fechado

18 de abril 2020 - 16:00

O Campo Arqueológico de Mértola (CAM), um dos mais importantes centros de investigação de Portugal, está fechado, com técnicos e investigadores a trabalharem em casa, devido à pandemia de covid-19. "A atividade direta está condicionada, principalmente porque os técnicos", que normalmente trabalham na sede e mantêm as portas do CAM abertas, "estão a trabalhar nas suas casas", diz o diretor da instituição, Cláudio Torres.

 

Também os "cerca de 20" investigadores direta ou indiretamente ligados ao CAM estão a desenvolver os seus trabalhos de investigação, como mestrados ou doutoramentos, nas suas casas, na vila Mértola, distrito de Beja, ou noutras zonas do país, indicou o também arqueólogo. Por isso, o CAM está "fechado", mas, às vezes, técnicos da equipa vão lá e se alguém precisar de aceder à biblioteca "basta um telefonema" e alguém vai abrir as portas, explicou.

 

Segundo Cláudio Torres, alguns técnicos vão às vezes ao CAM para trabalhos de lavagem, que "estão quase a terminar", de peças de cerâmica, sobretudo dos séculos XVI e XVII, e que foram recolhidas numa escavação arqueológica realizada pela instituição a pedido do município e que decorreu no passado outono num conjunto urbano na vila de Alcoutim, no distrito de Faro. A "maioria" dos investigadores não está em Mértola e desloca-se ao CAM "quando é necessário", por exemplo para consultar livros da biblioteca da instituição, que é especializada em Islão e época medieval e tem cerca de 50.000 volumes. "Felizmente, nenhum projeto do CAM parou ou foi cancelado", devido à pandemia, e "todos os projetos estão a andar".

 

Cláudio Torres disse que o pagamento dos salários aos técnicos do CAM está "assegurado" e "todos estão a receber normalmente”. Já os investigadores não são pagos pelo CAM e recebem salários das universidades onde são docentes ou têm bolsas de investigação, explicou.

 

Segundo Cláudio Torres, o CAM, criado em 1978, "é um dos mais importantes centros de investigação" de Portugal e o seu "grande êxito" é a importância e o contributo dos achados arqueológicos e projetos de investigação e musealização feitos pela instituição para a projeção e o desenvolvimento económico e turístico de Mértola como "vila - museu”. E a investigação produzida e divulgada em publicações científicas e na revista anual do CAM "iniciou e desenvolveu os estudos medievais e islâmicos" de Portugal, "abrindo novas perspetivas de desenvolvimento de relações científicas pioneiras com a outra margem do Mediterrâneo".

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