Diário do Alentejo

Conceição Lopes, arqueóloga

30 de outubro 2019 - 14:45
DRDR

Texto José Serrano

 


A Câmara Municipal de Vidigueira, a Direção Regional de Cultura do Alentejo e a Universidade de Coimbra, através do Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património, assinalaram, no passado mês, através de um conjunto de iniciativas, o 40.º aniversário do início dos trabalhos de investigação em São Cucufate, villa romana situada em Vila de Frades, Vidigueira. Qual a principal história que este local tem revelado ao longo destas quatro décadas?
A villa romana de São Cucufate foi escavada por uma equipa luso-francesa financiada pelo ministério dos negócios estrangeiros francês, o Governo português, por intermédio da Junta Nacional de Investigação Científica, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Câmara Municipal de Vidigueira, desde o mandato do padre Reis, e, sobretudo, durante os mandatos de Carlos Goes, um autarca de referência na visão que tinha sobre as questões de valorização do património. Depois de terminada a escavação, a villa foi musealizada e transformou-se num edifício património aberto ao público. Esta propriedade fundiária romana, da qual fazia parte o “casarão” que se preserva, teve, ao longo destes 40 anos, um percurso hesitante, contando com alguns períodos de fecho para visitação. Hoje, o sítio arqueológico permanece aberto e, embora pouco divulgado, recebe um número interessante de visitantes, embora longe daquilo que um sítio arqueológico desta natureza pode ser capaz de comportar. Comemorar 40 anos da villa de São Cucufate é trazer para o debate as questões atuais do património arqueológico e da sua gestão, falar da gestão equilibrada da terra e da exploração do solo agrícola, do turismo cultural de qualidade sem recursos à “disneylização” dos eventos.

 


Que importância assume, no contexto arqueológico nacional e internacional, a villa romana de São Cucufate?
Haveria, certamente, villas tão importantes como esta por todo o Alentejo. Porém, por razões várias, delas apenas restaram vestígios enterrados. A villa de São Cucufate é única pelo seu estado de conservação, na Península Ibérica. Não se conhece nenhuma villa tão bem conservada e muito menos se conhecem villae que tenham tido um processo de escavação e, depois, valorização como esta. Sendo única é, pois, um património que merece promoção.

 


Qual o protagonismo que este local, datado de I d.C., poderá ter, 20 séculos após a sua construção, enquanto polo dinamizador da região?
O sítio arqueológico reúne condições para dialogar com o presente de modo inovador e inclusivo. Constituindo marca, o sítio arqueológico que se conservou, porque foi sendo habitado, pode ser dinamizado, ocupado e vivido outra vez, tendo condições de atrair gentes à região, capaz de promover o turismo cultural, diferenciado e de qualidade e, nessa medida, ser um polo dinamizador de desenvolvimento regional.

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