Diário do Alentejo

Maria João Cabrita, diretora do curso de Enologia da UE

26 de julho 2019 - 10:20

Diretora do curso de licenciatura em Enologia na Universidade de Évora


O que é que levou a Universidade de Évora (UE) a criar uma licenciatura em Enologia? Há mercado na região para acolher os futuros enólogos?
A UE criou esta licenciatura porque estamos numa região com um forte potencial na área da viticultura e enologia, e a nossa universidade tem uma longa tradição nesta área. Há mais de 10 anos que oferecemos um mestrado em Viticultura e Enologia e sentimos que havia espaço para esta licenciatura. A ideia é formar jovens profissionais capazes de ingressarem no mercado de trabalho, quer no Alentejo, quer no resto do País ou mesmo no estrangeiro. A aposta da UE é diversificar a oferta formativa, tomando em linha de conta as necessidades e as especificidades da região em que se insere. Se há mercado de trabalho? Quando se formam técnicos competentes há sempre mercado de trabalho para eles, até porque é sempre necessário renovar equipas, incorporar novas pessoas com diferentes competências nas equipas já existentes, ou até formar jovens com potencial para o empreendedorismo, criando eles próprios o seu emprego. E não podemos esquecer que hoje em dia formamos pessoas para o mundo, não só para Portugal e muito menos só para o Alentejo.


A quem se destina? Quais os conteúdos a lecionar?
Destina-se a alunos nacionais e internacionais que queiram obter uma sólida formação nesta área. O plano curricular contempla um primeiro ano de disciplinas base e nos dois anos seguintes existem um conjunto de disciplinas vocacionadas para a viticultura e enologia, onde a aposta é numa formação teórica sólida acompanhada por uma formação de carácter prático com grande peso. As disciplinas foram desenhadas para que os alunos possam colocar em prática os conhecimentos teóricos que vão adquirindo.


Esta é considerada, pela UE, uma licenciatura “diferenciadora relativamente a outras formações oferecidas nesta área”. Porquê?
Não existem muitas formações de 1.º ciclo nesta área em Portugal e não existe nenhuma a sul. Talvez o aspeto mais diferenciador seja um ensino em que se pretende que desde cedo os alunos interajam com a realidade, e isso será conseguido através das parcerias que estabelecemos com várias adegas e empresas da região. Temáticas que hoje em dia são imprescindíveis numa formação moderna e completa, como enoturismo, sustentabilidade, ambiente, só para dar alguns exemplos, não foram esquecidas. O polo da Mitra da UE, com a sua vinha e a sua adega experimental, são também uma mais-valia, permitindo aos alunos contactar quer com a produção de uvas quer com o fabrico de vinho. A UE dispõe de laboratórios equipados com modernos equipamentos que permitirão também aos alunos uma sólida formação analítica, o que hoje em dia é também cada vez mais importante na área da enologia. E não podemos esquecer a possibilidade que os alunos terão de contactar com atividades de investigação nestas áreas, por exemplo, no novo centro de investigação, o MED, Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, que foi classificado como “excelente” pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

 

Texto Nélia Pedrosa

 

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