Diário do Alentejo

Valdemiro Correia lança Mouros e Atlantes

08 de julho 2019 - 10:30

Texto José Serrano

 

É licenciado pelo Instituto Nacional de Educação Física e mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa. Fez o serviço militar em Angola, em 1973 e 1974, como alferes miliciano, na 42.ª Companhia de Comandos. Foi professor na Escola Secundária de Moura e na Universidade de Évora. A sua carreira desportiva repartiu-se pelo voleibol, ténis e golfe. Há vários anos que é praticante de caça. Atualmente é professor aposentado e ocupa parte do seu tempo com a escrita. Vive em Moura há 37 anos.

 

Será apresentado amanhã, sábado, dia 29, na Casa do Alentejo, em Lisboa, às 11:30 horas, o mais recente livro de Valdemiro Correia, intitulado Mouros e Atlantes, obra que sucede a A Fisga e Prisioneiros do Esquecimento. A iniciativa decorre no âmbito do programa do Dia do Município de Moura e pretende promover a cultura e as tradições do concelho na capital.

 

É este livro uma “ponte” histórica entre o Alentejo e os Açores?
Este romance histórico relata a história de um rapaz, Roberto, nascido em Moura no ano de 1400, que chegou a piloto das caravelas do Infante. O livro centra-se no período medieval e na grande epopeia dos descobrimentos. Figuras de relevo histórico como D. João I, D. Nuno Álvares Pereira, o infante D. Henrique e o comandante Gonçalo Velho Cabral contribuem simbolicamente, opulentando a trama romanceada. Todos os restantes personagens são do domínio da ficção. Atendendo à época e aos intérpretes, podemos encontrar matérias sobre navegação, mercados, caça, hábitos e costumes de gente tão galharda como a de Quinhentos. O pano de fundo do romance é uma história de amor enquadrada naquele tempo tão particular da história portuguesa. A ação desenrola-se no espaço entre Moura, Lisboa, Algarve e São Miguel, nos Açores, que no século XV foi povoada, entre oriundos de várias regiões do continente, por alentejanos.

 

Considera que essa ligação “umbilical” se mantém, 600 anos depois, entre estes dois povos?
Considero que a ligação entre os dois povos se verifica em diversos aspetos. A hospitalidade, o sentido prático e a capacidade de resiliência são três valências em que se verifica um comportamento comum.

 

Sendo açoriano, radicado em Moura, quanto de autobiográfico está presente nesta sua obra?
Vivo em Moura há 37 anos, como costumo sublinhar, não são 37 dias. Aqui cresci sob o ponto de vista familiar, profissional e social. Conheci imensos amigos e colegas que me têm acompanhado sempre ao longo dos tempos, num respeito mútuo, solidário e também de cumplicidade. Como diz o poeta, “o caminho faz-se caminhando”… Nunca sabemos tudo, há sempre algo ou alguém que nos surpreende. Acredito piamente neste princípio, do mesmo modo que acredito que todos os dias aprendemos, só é necessário querer.

 

Qual a influência que o Alentejo tem na sua forma de escrever?
A influência do Alentejo na minha vida e na minha escrita é flagrante. Do mesmo modo que somos um produto do passado, somos também um produto do meio que nos envolve. Assim, o leitor vai seguramente encontrar influências paralelas e descomplexadas do Alentejo e dos Açores, num reflexo assumido do meu percurso de vida e das minhas origens

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