Diário do Alentejo

Carlos Calado publica livro sobre Cristóvão Colon

11 de junho 2019 - 11:40

Texto José Serrano

 

Licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico. Em 2001 fundou o Núcleo de Amigos da Cuba e começou a divulgar, publicamente, aspetos polémicos da história do descobridor da América. Em 2008 foi um dos membros fundadores da Associação Cristóvão Colon, da qual é presidente. É académico honorário da Academia Portuguesa da História e membro do Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão. Carlos Calado apresentou, recentemente, no Centro Cristóvão Colon, na vila de Cuba, o livro “Almirante Colon – um feito no Ponente”. Uma apresentação que contou com um debate aberto com o mote “A descoberta da América por um tecelão italiano ou um feito de um navegador lusitano?”.

 

Este seu livro é mais um contributo para a definição da naturalidade do descobridor da América?
É uma obra de génese coletiva que reflete os debates do I Congresso Internacional Almirante Colon [Lisboa, março de 2018] que organizámos em parceria com a Academia Portuguesa da História, a Academia de Marinha e a Comissão Portuguesa de História Militar. Procurámos, na seleção de temas e congressistas, abordar as grandes questões sobre as origens do descobridor e, consequentemente, sobre a sua naturalidade. Sendo a sua “nacionalidade” a maior dúvida que se suscita a nível internacional, não existe forma de aí chegar sem enquadrar o problema de forma mais abrangente. Concentrando a atenção em cada facto, indício, pista ou documento, conjugando-os e enquadrando-os na época, podemos eliminar ideias feitas com base em coisa nenhuma e abrir novas perspetivas sobre a realidade histórica.

 

Como lhe surgiu este interesse pelo tema das origens do famoso navegador?
O meu interesse despontou no antigo liceu de Beja [Escola Secundária Diogo de Gouveia], onde um meu professor de história fazia questão de me dizer: “Tu és da Cuba!? O Cristóvão Colombo também era da Cuba!”. Nunca me esqueci disto e, quando o momento se proporcionou, dediquei-me à pesquisa e divulgação de aspetos ignorados e escondidos da vida do navegador.

 

Existem duas correntes de pensamento relativamente à terra natal deste navegador quinhentista. Para si, quais são as “provas irrefutáveis” de que se trata de um descobridor lusitano ao invés de genovês?
Irrefutáveis só um documento comprovativo ou, atualmente, os resultados de testes de ADN. A tese genovista foi sustentada por documentos falsos ou deturpados, fundindo, na mesma pessoa, o almirante Colon com o tecelão Colombo. Até as 477 amostras de ADN de Colombo revelaram total incompatibilidade com o ADN do navegador. Sendo muito difícil que se encontrem documentos perdidos, o nosso principal objetivo é desmontar a tese genovista e manter a expectativa em novos testes de ADN, a realizar noutras amostras.

 

Considera que a história possa ser um dia reescrita, admitindo o erro da naturalidade italiana de Cristóvão Colombo?
Esse é o objetivo final, que podemos desdobrar em distintos níveis: comprovar a sua portugalidade, chegar à sua origem familiar e, daí, à sua naturalidade.

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