Diário do Alentejo

Borges Coelho distinguido com Mérito Cultural

04 de junho 2019 - 10:30
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António Borges Coelho, historiador e professor, um dos fundadores do projeto que deu origem ao Campo Arqueológico de Mértola, foi agraciado  pelo Ministério da Cultura, na sexta-feira passada, com a Medalha de Mérito Cultural.

 

Texto Bruna Soares


“É um momento muito feliz, este. Em que o Governo, através do Ministério da Cultura, presta esta forma de homenagem e de reconhecimento a um grande historiador mas, principalmente, a um grande homem cujas palavras e versos são sinónimo das décadas de luta e resistência contra o fascismo e em nome da liberdade”, defendeu Graça Fonseca, ministra da Cultura, no momento de entrega desta distinção.


Esta medalha, de acordo com a ministra, “é uma forma de fazer justiça e de, assim, agradecer as inúmeras dimensões em que o seu contributo, a sua carreira e a sua vida ajudaram, não só a compreender a nossa história, mas também a mudar o seu rumo, quando foi necessário”. Até porque, “a obra do professor António Borges Coelho recorda sempre que o exercício de memória é também uma forma de justiça”.

 

Graça Fonseca disse ainda, na ocasião, que “entregar uma medalha de mérito cultural a um praticante desta ‘ciência perigosa’”, como o próprio professor António Borges Coelho descreveu a História, significa “reconhecer o compromisso moral e político de um autor com a cultura e língua portuguesas”.


“O professor António Borges Coelho construiu um edifício grandioso que retrata o percurso histórico nacional, dos grandes eventos e dos nomes que destes eventos ecoam, até às estruturas sociais, económicas e culturais”, defendeu ainda. Considerando que “os seus estudos são fundamentais para a compreensão da história portuguesa e de tantos aspetos, que só graças ao seu historiográfico vemos iluminados, como é o caso da presença muçulmana e judaica na Península Ibérica, da Inquisição e do início da expansão portuguesa”.

António Borges Coelho


Nascido em Trás-os-Montes, a 7 de outubro de 1928, mudou-se para Lisboa para estudar Direito, mas acabou por frequentar o curso de História. Foi em 1962 que retomou a sua licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa. Ex-militante do Partido Comunista Português (PCP), esteve na clandestinidade antes do 25 de Abril. Esteve preso durante vários anos e ficou impedido de dar aulas no ensino oficial. Em 1974, após a Revolução, começou a dar aulas no Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1978, juntamente com Cláudio Torres e José Luís de Matos, todos professores na mesma faculdade, onde estudava Serrão Martins, antigo presidente da Câmara Municipal de Mértola, iniciaram os trabalhos na Alcáçova do Castelo de Mértola, dando-se, assim, início ao projeto do Campo Arqueológico de Mértola. O professor catedrático conta ainda com uma vasta bibliografia que inclui ensaio, poesia, teatro e ficção.

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