A Quercus deu parecer desfavorável à instalação de 22 aerogeradores de grande porte nos concelhos de Odemira e Ourique e defendeu a revisão do projeto do Parque Eólico do Mira, promovido pela Galp.A posição da Quercus surge no âmbito da fase de Proposta de Definição de Âmbito (PDA) do Estudo de Impacte Ambiental do projeto “Parque Eólico do Mira – Hibridização da Central Fotovoltaica de Ourique”, promovido pela Galp e cuja consulta pública terminou no passado dia 24 de setembro.O projeto, para a associação ambientalista, apresenta “incompatibilidade com instrumentos de gestão territorial”. Isto porque, continuou, alguns aerogeradores “estão previstos para áreas de solo rústico no concelho de Ourique, onde a instalação de projetos de energia renovável se encontra atualmente interdita por medidas preventivas/suspensão parcial” do Plano Diretor Municipal (PDM).No comunicado da Quercus, além da questão do PDM, esta argumentou que o projeto implica, igualmente, “impactes em áreas ecológicas sensíveis e espécies protegidas”, dada a proximidade às zonas de proteção especial (ZPE) de Castro Verde e Piçarras e especial de conservação (ZEC) da costa sudoeste. Por outro lado, acrescentou, “a abertura de novos acessos e a instalação de plataformas de suporte às gruas implicará o corte de várias espécies florestais protegidas, como sobreiros e azinheiras, contribuindo para acentuar a desertificação e erosão do solo no Alentejo”.A Quercus disse, ainda, temer que o investimento contribua “para a fragmentação do habitat de espécies vulneráveis, nomeadamente, aves de rapina e estepárias, além de populações de morcegos”.O futuro parque eólico pode ainda aumentar “o risco de erosão e a afetação de recursos hídricos” e ter “consequências negativas (…) na qualidade de vida das populações locais”, pode ler-se no comunicado.A associação ambientalista defende, pois, “a revisão do projeto”, nomeadamente, do seu layout e que sejam “excluídas as áreas interditas, removendo ou relocalizando os aerogeradores”.A realização “de um plano de monitorização de avifauna e quirópteros contínuo de 12 meses antes do licenciamento, com especial atenção a espécies estepárias”, e uma avaliação “de impactes cumulativos”, que integre “todas as centrais fotovoltaicas e linhas de alta tensão existentes ou projetadas num raio de 15 quilómetros”, são outras das propostas.Os ambientalistas querem também que seja preservado “o corredor ecológico ‘Cintura de Ourique’, priorizando a utilização estrita de caminhos existentes e minimizando a abertura de novas vias de acesso”. E que seja utilizada “tecnologia de deteção e monitorização em tempo real nas torres eólicas, para paragem automática em caso de aproximação de espécimes de avifauna/quirópteros em risco”.
“Lusa”