Diário do Alentejo

“Rádio Castrense” assegura emissão contínua em situações de emergência

01 de agosto 2026 - 08:00
Sistema composto por painéis solares, baterias e geradores é único no distrito de Beja
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A recente implementação de um dispositivo alternativo permitirá à “Rádio Castrense”, em caso de falta de eletricidade, a missão radiofónica “24 sobre 24 horas”. O projeto, concebido pela necessidade de ultrapassar os “muitos e constantes cortes de energia elétrica” que se registam no concelho, permitirá em caso de emergência, de acordo com Nelson Medeiros, diretor-geral da estação, fazer chegar à população do território as informações veiculadas pelos vários atores da Proteção Civil.

 

Texto José Serrano

 

A “Rádio Castrense” reforçou “de forma significativa”, desde o final do mês passado, a sua capacidade operacional, com a implementação de um sistema integrado de painéis solares, baterias e geradores, assegurando a continuidade da emissão mesmo em caso de falhas, curtas ou prolongadas, na rede elétrica. O investimento, de cerca de 12 mil euros, comparticipado a 65 por cento pelo Estado, através de programas de incentivos de apoio à modernização da comunicação social, gerido através das comissões de coordenação e desenvolvimento regional, permite “aumentar a autonomia energética e a robustez técnica de toda a cadeia de transmissão, garantindo que a estação se mantém no ar em qualquer cenário, incluindo situações de contingência prolongada”, realça a direção da Cortiçol – Cooperativa de Informação e Cultura, entidade proprietária da emissora de Castro Verde. O projeto, planeado desde há três anos e agora implementado, surge da necessidade de independência energética sentida pela “Rádio Castrense”, uma vez que “o concelho de Castro Verde tem muitos e constantes cortes de energia elétrica, completamente infundados até ao momento, que afetam o funcionamento normal das instituições e da população em geral”, sem haver “qualquer justificação, por parte da E-Redes”, das suas causas, refere Nelson Medeiros, em declarações ao “Diário do Alentejo”, deixando a sua crítica à entidade gestora da rede elétrica. Informando que os cortes de energia, “frequentes e muitos”, que se registam no território, podem “durar segundos, minutos e, em última instância, horas”, o diretor-geral de estação e programas da “Rádio Castrense” clarifica que, em caso de quebra total e prolongada da corrente elétrica, a emissão radiofónica conseguirá estar “sempre no ar”, pois, em caso de necessidade, e após um hipotético esgotamento da bateria fotovoltaica, que “consome diretamente da energia solar” armazenada, com uma previsibilidade de durabilidade de 48 horas de funcionamento ininterrupto, arrancará em funcionamento o gerador agora implementado, “que trabalha a gasolina”, o que permitirá “ter o emissor no ar 24 sobre 24 horas”.Neste momento, diz Nelson Medeiros, “no distrito de Beja, no qual existem 10 rádios locais ou regionais, seremos os únicos que temos um sistema de energia alternativo” preparado “para dar resposta às pessoas, mesmo sem luz”, o que num cenário indesejável de crise permitiria, a partir de Castro Verde, manter “a emissão linear em FM”. Nesse cenário, se as instituições envolvidas na Proteção Civil, “bombeiros, GNR [Guarda Nacional Republicana], INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica], enfim, todos os envolvidos, precisarem de passar mensagens ou indicações à população, nós teremos as nossas antenas disponíveis para divulgar a informação, pois basta uma pessoa ter um rádio a pilhas para a receber”, acentua Nelson Medeiros.

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