Potenciar a região do Baixo Alentejo ao nível dos setores vínico e turístico além-fronteiras, alavancando, assim, as potencialidades de Portugal, é o mote que levou à realização da 3.ª Global Summit on Responsible Enotourism, “um dos principais eventos internacionais dedicados ao enoturismo e à gastronomia”.
Texto Ana Filipa Sousa de Sousa
“O Alentejo é uma das regiões que mais cresce [na área do turismo], quer no mercado nacional, quer no mercado internacional, e um dos destinos que tem vindo a posicionar-se forte na matéria do enoturismo”. É desta forma que Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, justifica ao “Diário do Alentejo” (“DA”) a importância da 3.ª edição da Global Summit on Responsible Enotourism (GTWO), evento que teve início hoje, dia 1, em Beja.
A iniciativa, promovido pela GWTO – Global Wine Tourism Organization em parceria com a Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, decorre até quarta-feira, dia 3, na Pousada de São Francisco e pretende reunir “especialistas internacionais em enoturismo, bem como produtores de vinho, operadores turísticos, entidades públicas, investidores e académicos do setor, de vários países da Europa, América do Sul e do Norte, Ásia e Oceânia”.
De acordo com o secretário de Estado, “Portugal tem feito um esforço nos últimos anos para se posicionar como o melhor destino de enoturismo do mundo” e, por isso, é necessário continuar a trabalhar na estruturação do setor vínico enquanto produto turístico.
“Portugal tem 252 castas autóctones, o que faz com que seja um dos países mais competitivos do mundo. Um dos gigantes com quem concorremos é a África do Sul, que só tem duas castas autóctones, por isso, é muito importante reforçarmos aquilo que é o nosso terroir, [porque] o nosso terroir é o nosso ADN e aquilo que nos torna singulares e diferentes do resto do mundo”, alude.
Realçando o facto de estarem presentes 23 países, Pedro Machado admite que a cimeira vem alterar a perceção de que a indústria do turismo no País está “muito litoralizada e concentrada em dois ou três destinos” e que “Portugal vale por ser um país inteiro”.
Por sua vez, o presidente da ERT do Alentejo, José Manuel Santos, afirma que o evento representa “uma estratégia regional mais ampla para valorizar o enoturismo [enquanto] produto turístico estratégico da região”.
“Nós, no enoturismo do Alentejo, temos sustentabilidade, cultura, arte contemporânea, música, educação [e] gastronomia. O enoturismo é uma forma de transformarmos o nosso território pela qualidade dos projetos empresariais, a montante da qualidade do vinho que é fortíssima, e de torná-lo mais coeso e competitivo”, garante em declarações ao “DA”.
Segundo o responsável, a aposta neste setor, através de “investigadores, universitários, empresários e líderes locais e regionais”, é também uma “estratégia para melhorar a vida das pessoas que aqui vivem”, sendo um “instrumento de desenvolvimento económico local e regional”.
O evento, que engloba sessões de venda de produtos, visitas técnicas a adegas e concertos, está inserido na programação do título de “Cidade Europeia do Vinho 2026” ao Baixo Alentejo.
Para o presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, a realização desta cimeira em Beja reforça “a centralidade” da cidade e vem mostrar “aquilo que nós temos de melhor”.
“O mundo conhece Portugal, mas não conhece o Alentejo e nem conhece Beja. E é precisamente nesse eixo fundamental que é conhecer o Alentejo e Beja que está parte do nosso futuro e do equilíbrio, [ou seja] o mundo reconhecer em nós aquilo que há tanto tempo sabemos que temos”, afirma o autarca.
A abertura da 3.ª Global Summit on Responsible Enotourism decorreu hoje, às 09:00 horas, tendo contado, entre outras individualidades, com Li Jun, representante do anfitrião da Cápula GTWO Yantai 2025, Rafael Ansón, presidente da Honor GWTO e da Real Academia Espanhola de Gastronomia, e Harry Theoharis, vice-ministro das Relações Exteriores da Grécia.
Beja é a primeira cidade europeia a receber uma edição da GWTO.