Diário do Alentejo

A valorização do rio Guadiana como “recurso natural e turístico”

03 de abril 2026 - 08:00
Acordo assinado pela Câmara de Mértola, no valor de 2,8 milhões de euros, é “fundamental” para o concelho

Operações de limpeza e estabilização de margens e reposição dos equipamentos de apoio à navegação e ao desassoreamento do Guadiana são algumas das intervenções que terão início já na próxima semana. Mário Tomé, presidente da Câmara de Mértola, considera que o rio que corre no concelho se pode vir a constituir como “uma das propostas mais diferenciadoras da Europa”.

 

Texto | José SerranoFoto | Ricardo Zambujo

 

A Câmara de Mértola assinou, na passada terça-feira, um contrato-programa com a Agência Portuguesa do Ambiente e o Fundo Ambiental para intervenções prioritárias no rio Guadiana, na sequência dos impactos provocados pelas recentes cheias, numa sessão que contou com a presença da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.Este acordo, no valor de cerca de dois milhões e 800 mil euros, destina-se a operações de limpeza e estabilização de margens, à reposição dos equipamentos de apoio à navegação entre Mértola e a localidade de Pomarão e ao desassoreamento do rio no troço compreendido entre a foz da ribeira de Oeiras e a ribeira de Carreiras. Com esta intervenção, pretende-se restabelecer as condições de segurança e navegabilidade do rio, bem como salvaguardar os valores ambientais e paisagísticos associados ao território, contribuindo para a valorização do rio como recurso natural e turístico.Em declarações ao “Diário do Alentejo”, Mário Tomé, presidente da autarquia, classificou este acordo como “fundamental” para o concelho. “Trata-se de uma questão que se arrastava há vários anos, com diversas tentativas de resolução que não produziram os resultados necessários. As recentes cheias vieram agravar significativamente problemas já existentes, nomeadamente, ao nível do assoreamento e da navegabilidade do rio. Para além disso, as margens foram também fortemente afetadas, com impactos visíveis nas zonas ribeirinhas e nos espaços de utilização pública. Este contrato-programa permite, finalmente, dar uma resposta estruturada, com meios financeiros e enquadramento técnico adequados a uma questão que é estratégica para o território”, acentua.Resposta que se consolidará através de uma intervenção faseada, “mas com carácter de urgência”, tendo em conta o estado atual do rio após os episódios de cheia, estando o arranque das intervenções previsto “para a próxima semana”, iniciando-se “pelas operações de limpeza das margens, prioritárias para garantir condições mínimas de segurança e acesso”, expõe o edil. Por enquanto não é possível apontar uma data concreta “para a reposição plena da navegabilidade”, informa o autarca, considerando que o que “verdadeiramente importa” é garantir “intervenções estruturais sólidas”, em particular, ao nível do desassoreamento.“Não queremos soluções apressadas nem excessivamente artificializadas. Hoje, a navegabilidade do Guadiana existe, mas não está formalizada nem plenamente estruturada. E isso, que pode parecer uma fragilidade, é também uma enorme oportunidade. Temos aqui algo que, praticamente, não existe em mais lado nenhum: um rio com um carácter verdadeiramente selvagem, autêntico, intacto, que pode vir a ser navegável em segurança sem perder essa identidade. Se soubermos fazer este caminho com inteligência, podemos estar perante uma das propostas mais diferenciadoras da Europa – um rio vivo, natural, não domesticado, que oferece uma experiência única a quem o percorre. Tal, pode ser, muito claramente, uma das melhores coisas que temos para afirmar Mértola e o Guadiana”.Frisando a comunicação “direta, transparente e orientada para a resolução concreta dos problemas”, entre o município e as entidades da administração central, “o que permitiu alcançar este resultado num contexto particularmente exigente”, Mário Tomé deixa uma palavra de agradecimento à ministra do Ambiente e Energia, “pela forma próxima e disponível com que acompanhou este processo, determinante para que este acordo se concretizasse”.Relativamente a outros danos consequentes do mau tempo, a exemplo da obstrução e do desmoronamento de vias e do colapso de passagens hidráulicas, o autarca informa que o “município tem vindo a responder de forma célere a todas as solicitações das entidades competentes, nomeadamente, no levantamento e reporte dos danos”, existindo a expectativa de que venham a ser “disponibilizados mecanismos de apoio que permitam dar resposta às necessidades identificadas”, sendo essencial, sublinha, “assegurar que estes danos, muitos deles com impacto direto na mobilidade e segurança das populações, possam ser resolvidos com a brevidade possível”.

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