Diário do Alentejo

Aproserpa apresenta fragilidades do setor agrícola

04 de abril 2026 - 08:00
Associação classifica encontro com CCDR Alentejo “francamente positivo”
Foto | Ricardo ZambujoFoto | Ricardo Zambujo

A direção da Aproserpa apresentou, nesta semana, à CCDR Alentejo, um conjunto de questões com que os agricultores da região da “margem esquerda”, atualmente, se debatem. O encontro, que permitiu o convite, pela Aproserpa, para uma visita do ministro da Agricultura e Pescas à região, foi classificado pela associação agrícola como “francamente positivo”, sublinhando que “a tutela reconheceu a validade e o rigor do diagnóstico” apresentado, “demonstrando uma enorme abertura para agilizar, dentro das suas competências regionais, as barreiras burocráticas que sufocam os produtores”.

 

A direção da Associação de Produtores do Concelho de Serpa (Aproserpa) reuniu-se na terça-feira, dia 30 de março, em Évora, com Helena Cavaco, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, tendo-lhe sido entregue um “memorando detalhado com as exigências críticas do setor”, revela, em comunicado de imprensa, a entidade. Entre os vários temas reivindicativos destacam-se “o impacto avassalador da teia burocrática nos licenciamentos agrícolas (com atrasos absurdos em necessidades urgentes como furos de abeberamento ou limpezas de matos), a injustiça no escoamento de produtos em Modo de Produção Biológico, a escassez de vacinas para a sanidade animal, as “preocupações com as negociações da nova reforma da Política Agrícola Comum (PAC) ”, o “‘garrote’ dos custos de produção” e a “injustiça” da taxa de carbono cobrada no gasóleo agrícola. A “escalada dramática” do preço do gasóleo agrícola é, precisamente, um dos problemas com que o setor se debate. “Há uma diferença de 32 cêntimos entre o gasóleo agrícola em Portugal e o gasóleo agrícola em Espanha”, apontou João Revez, presidente da Aproserpa, em declarações à “Lusa”, referindo não conhecer ainda “em que moldes vai funcionar o desconto de 10 por cento” indicado pelo Governo, com a certeza de que esse valor “é manifestamente insuficiente”.Também o aumento do preço de adubos e fertilizantes foi considerado no documento apresentado pela associação à vice-presidente da CCDR, referindo os dirigentes da Aproserpa que, “desde o início da guerra no Irão e da situação da subida do preço do gasóleo, o preço dos adubos aumentou três vezes consecutivas no espaço de um mês”.A associação agrícola classificou o encontro como “francamente positivo”, sublinhando que “a tutela reconheceu a validade e o rigor do diagnóstico” que lhe foi apresentado, “demonstrando uma enorme abertura para agilizar, dentro das suas competências regionais, as barreiras burocráticas que sufocam os produtores”.Em declarações à “Lusa”, a vice-presidente da CCDR disse ter ouvido, “muito atentamente”, as preocupações manifestadas, relativas à pecuária extensiva e à agricultura de sequeiro, reconhecendo a dirigente o “papel muito importante” do setor.“Não nos podemos esquecer que a maioria do nosso território é ocupado por agricultura de sequeiro, que tem um papel fundamental em termos de coesão do território, em termos de criação de emprego, de fixação de população”, destacou.Helena Cavaco confirmou que foi feito o convite pela associação para uma visita do ministro da Agricultura e Pescas à região de Serpa e que a CCDR Alentejo “vai fazer chegar estas preocupações ao ministério” tutelado por José Manuel Fernandes.

 

“DA” com “Lusa”

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