Diário do Alentejo

Macas retidas no hospital de Beja põem “em risco segurança” das populações

17 de janeiro 2026 - 08:00
Bombeiros do distrito “estão preocupadíssimos” porque “pico da gripe mantém-se”; administração da Ulsba diz que retenção de meios já “normalizou”
Foto | Ricardo ZambujoFoto | Ricardo Zambujo

No passado dia 2 estiveram retidas “19 macas de bombeiros nos corredores” do hospital de Beja, sublinha o presidente da Federação das Associações de Bombeiros do Distrito, frisando que o atraso na libertação dos meios “impede” a prestação “do serviço adequado às populações”, pondo em risco a sua “segurança”.

 

Texto Nélia Pedrosa

 

A retenção de macas e ambulâncias dos bombeiros do distrito no Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, continua a ser “um problema grave”, afirma o presidente da Federação das Associações de Bombeiros do Distrito de Beja ao “Diário do Alentejo” (“DA”), adiantando que as corporações “estão preocupadíssimas” porque o “pico da gripe mantém-se, não sabemos até quando”.De acordo com Domingos Fabela, no passado dia 2 “estiveram 19 macas dos bombeiros [do distrito de Beja] nos corredores do hospital, o que é elucidativo do estado em que estariam aquelas urgências”. A situação, justifica, deveu-se à “falta de condições” da unidade de saúde “para transferir” os doentes “para uma maca” do hospital ou “à indisponibilidade de camas, dependendo das situações”. O atraso na libertação de macas – há casos em que “a maca só é libertada ao fim de 24 horas, outros 48” – “impede”, refere o dirigente, “de prestar o serviço adequado às populações, pondo em risco a segurança das pessoas”, como aconteceu, no referido dia 2, com a corporação de bombeiros de Vidigueira, que não conseguiu responder a ocorrências por falta de meios, tendo o socorro sido prestado pelos bombeiros de Cuba. Também os bombeiros de Serpa “já têm saído para outras zonas”, frisa Domingos Fabela. “Os meios esgotam-se e tem de haver outras soluções”, reforça o responsável, salientando que “a solidariedade entre as associações de corpos de bombeiros [para fazer serviços fora da sua área de intervenção] funciona”, contudo, “os tempos de resposta [de socorro], naturalmente, serão diferentes, dependendo das distâncias”. O presidente da federação lembra, no entanto, que “este é um problema que se agudiza há vários anos” e para o qual, “até à data”, ainda “não foi encontrada uma solução adequada e eficaz”. “Tem havido algumas melhorias e disponibilidade por parte inclusivamente da administração [da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba)] para tentar ultrapassar essa situação, mas não tem sido possível. (…) Havia um despacho para as unidades locais de saúde poderem adquirir macas para receberem os doentes que são transportados pelas nossas ambulâncias, mas sabemos também que, em termos físicos, possivelmente, a Ulsba tem problemas para acolher todas essas pessoas e mantê-las em condições minimamente dignas”.A concluir, Domingos Fabela diz esperar que não “haja aqui desfechos, efetivamente, mais dramáticos”, à semelhança do que “aconteceu na zona de Lisboa”, com a “perda de vidas humanas”. “Vamos ver como é que isto vai correr, mas, naturalmente, continuamos preocupadíssimos, até porque temos uma população idosa com necessidades acrescidas de cuidados”.

 

Problema não se revolve com aquisição de mais macas

 

A diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Hospitalares, Vera Guerreiro, confirma, ao “Diário do Alentejo”, que no dia 2 registou-se “um fluxo anormal de doentes à Urgência”, especialmente, de “doentes dependentes”, que, “obrigatoriamente, precisam de estar deitados”, para além de “que tínhamos doentes em maca a aguardar subida para internamento, porque o próprio internamento estava congestionado”. A situação, no entanto, já “normalizou”, garante a responsável, adiantando que “na segunda-feira [dia 12], por exemplo, estavam duas ou três macas retidas e nenhuma delas era de ambulância de emergência”. “Normalmente, quando existem macas [do hospital] disponíveis, que é na grande maioria das situações, o doente transita para uma maca nossa. [Mas] há vários tipos de transporte, os bombeiros que vêm com macas e ambulâncias de emergência, que, obviamente, o tempo de permanência da maca no serviço de urgência tem mais implicações; há outras situações em que são corporações que fazem transportes programados e muitas vezes mudamos o doente de maca assim que ele chega. Portanto, não é uma situação crónica o haver muitas macas [retidas], ocasionalmente há algumas”, acrescenta a diretora clínica, sublinhando que a resolução do problema de falta de macas não passa pela aquisição de mais meios – “se fosse, já estava resolvido –, uma vez que está relacionada, “claramente, com um problema de espaço”. O presidente do conselho de administração, José Carlos Queimado, reforça: “O problema é que nós já não temos local dentro da Urgência do hospital, nem do hospital, para ter macas acondicionadas para poder fazer essa transição. Portanto, a solução definitiva passará sempre pela ampliação do hospital e por um novo serviço de Urgência”. O presidente sublinha que “o atual serviço de Urgência tem pouco menos de 500 metros quadrados de área útil e o serviço de Urgência que está previsto no projeto da ampliação do hospital tem 1800 metros quadrados de área útil, portanto, é três vezes e meia maior”. São as “especificações técnicas recomendadas”, conclui.

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