Diário do Alentejo

"A valorização patrimonial é uma opção estratégica de incremento de faturação de inúmeros ramos e contribui para o desenvolvimento local"

19 de agosto 2023 - 14:00
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Três Perguntas a Ana Paixão, fundadora do projeto DeSerpa Experiências

 

Texto José Serrano

 

Proprietária da Casa Paixão, que vende, em Serpa, desde há três gerações, as afamadas queijadas de requeijão, decidiu iniciar um novo projeto turístico na cidade. Quais as atividades que esta sua nova ideia de empreendedorismo oferece?

As atividades que pretendemos oferecer são todas sensitivas. Mais que um projeto de turismo, é uma visita à essência. O que queremos com esta ideia é mostrar aos visitantes o que Serpa tem para oferecer. Os seus produtos (queijadas, vinho, artesanato, queijo, etc…) e, acima de tudo, a sua história, abrindo as portas dos locais onde são produzidos e possibilitando aos visitantes ouvir as memórias de quem cresceu aqui. A oferta é realizada em “pacotes” de meio-dia ou dia completo, permitindo ao viajante realizar provas de vinhos e de queijadas, visitar o Museu do Relógio, o Palácio Ficalho [casa senhorial da segunda metade do século XVII], garantindo que vai querer voltar.

 

Indicia este conceito que observa que o património de Serpa poderá ser melhor valorizado?

Sem dúvida. Existem muitas infraestruturas e muito investimento, mas, depois, há falta de atividades para os visitantes. A maior questão está na interlocução de todos os intervenientes, conseguindo que entre todos se faça acontecer. Ao longo destes anos, tendo eu um estabelecimento aberto na zona central de Serpa, na praça da República, cheguei à conclusão que abrir portas ao fim de semana significava prejuízo para a empresa, pois a faturação não cobria a despesa de um colaborador. É óbvio que quem é empresário não pode suportar essas condições e o que temos é uma cidade muito pouco atrativa no seu centro histórico. Além disso, os nossos museus fecham entre as 17:00 e as 18:00 horas, as igrejas e capelas raramente estão abertas, os restaurantes não comunicam entre si, fechando, muitos, nas mesmas alturas, e os turistas ficam sem atividades, preferindo outras localidades a Serpa.

 

Considera que a união e a articulação entre empreendedores pode ser a chave imprescindível para que se verifique o incremento do desenvolvimento local?   

Sem dúvida. O nosso objetivo é esse. Apesar de ser pensado e executado pela nossa empresa é um projeto para todos nós. Numa fase inicial, estamos em contacto com os alojamentos, para que possamos estabelecer parcerias. A posteriori tencionamos alargar estas parcerias à restauração. Quando os recursos são escassos é essencial que haja união, pois o nosso objetivo é comum. A valorização patrimonial é uma opção estratégica de incremento de faturação de inúmeros ramos e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento local. Há que diferenciar e qualificar o património material, imaterial. Reforçar o que é autêntico, o que é nosso. Esperamos que esta essência chegue a todos, com cada vez mais empresários unidos a nós.   

 

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