Diário do Alentejo

Reguengos: ARS diz ter agido com critérios técnicos

07 de agosto 2020 - 18:30

A Administração Regional de Saúde do Alentejo argumentou hoje que agiu no surto de covid-19 no lar em Reguengos de Monsaraz baseada em critérios técnicos da autoridade de saúde, dos cuidados primários e do hospital de Évora. “As decisões” da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo foram “com base em critérios puramente técnicos", disse o presidente deste organismo, José Robalo.

 

E esta “parte técnica não tem a ver com a ARS. Tem a ver com os cuidados de saúde primários, tem a ver com o hospital de Évora [Hospital do Espírito Santo de Évora - HESE], tem a ver com a Autoridade de Saúde, que é dependente da Direção-Geral da Saúde”, vincou.

 

O responsável da ARS Alentejo falava à Lusa numa primeira reação ao relatório da comissão de inquérito da Ordem dos Médicos (OM) para avaliar as circunstâncias clínicas do surto de covid-19 no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Silva Perdigão (FMIVSP), em Reguengos de Monsaraz (Évora), que alastrou à comunidade.

 

O lar de Reguengos de Monsaraz onde começou o surto de covid-19, que provocou no total a morte de 18 pessoas, não cumpria as orientações da DGS, conclui a auditoria, divulgada na quinta-feira à noite e à qual a Lusa teve acesso, com a comissão da OM a apontar responsabilidades à administração, mas faz também críticas à Autoridade de Saúde Pública e à ARS.

 

Contactado hoje pela Lusa, o presidente da ARS Alentejo disse ainda não conhecer o relatório, nem ter sido ouvido no processo de auditoria. “Ninguém me chamou para ser ouvido relativamente a isto. Se vão fazer apreciações, essas apreciações devem incluir no relatório a informação dos visados. Não sei se falaram com todos os profissionais, com o Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central, com o HESE”, mas “com a ARS não falaram, isso tenho a certeza”, lamentou.

 

Afiançando que, “assim” que receber o relatório, a ARS irá “esclarecer, ponto por ponto, todas as preocupações demonstradas pela OM”, José Robalo, questionado pela Lusa, disse, contudo, rejeitar já as críticas: “Claro que sim”.

 

”A única coisa que a ARS fez foi permitir disponibilizar, quer recursos humanos, quer materiais em função daquilo que foi estipulado pelas pessoas que estavam à frente do processo de avaliação”, ou seja, a Autoridade de Saúde, o HESE, e o ACES Alentejo Central.

 

“A única interferência que houve da parte da ARS foi dando resposta àquilo que os pareceres técnicos” definiam, “disponibilizando todo o material possível para que os utentes tivessem o melhor acompanhamento”, insistiu.

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