Uma colónia de morcegos localizada nas proximidades daquela que será a denominada Central Solar Fotovoltaica (CSF) do Alqueva está a colocar em risco o projeto fotovoltaico e turístico estimado em cerca de 350 milhões de euros, após a emissão da declaração de impacte ambiental desfavorável por parte da Agência Portuguesa do Ambiente. O presidente da Câmara de Moura, considerando a importância deste equipamento para o concelho a que preside, solicitou, já, uma reunião com a ministra do Ambiente e Energia.
Os promotores e investidores de projetos solar e turístico na zona de Alqueva contestaram um parecer do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que terá originado a emissão da declaração de impacte ambiental desfavorável da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), tendo já apresentado uma reclamação administrativa. “A decisão coloca em risco um investimento estimado de 350 milhões de euros num projeto que conta com total apoio do município de Moura”, referem, em comunicado, as empresas promotoras e investidoras FVC Group, Insun e Lightsource bp.Segundo estas empresas, o parecer desfavorável da APA ao projeto da denominada Central Solar Fotovoltaica (CSF) do Alqueva, baseou-se num parecer negativo do ICNF, fundamentando-se, “sobretudo, em preocupações relacionadas com a presença de uma colónia de morcegos a 1,5 quilómetros do empreendimento e os potenciais impactos decorrentes da redução de 158 hectares de um olival, usado como uma das várias zonas de alimentação para a espécie”, realçam.Sublinhando que o projeto tem vindo a ser, desde o seu início, em 2021, “muito amadurecido”, em articulação com várias entidades, “nomeadamente, com o ICNF”, procurando “sempre aproximar-se daquilo que era a perspetiva dos [seus] técnicos”, Álvaro Azedo, presidente da Câmara Municipal de Moura, em declarações ao jornal regional digital “A Planície”, realça a dependência entre as duas componentes previstas, uma vez que, diz, “o desenvolvimento do projeto turístico está diretamente dependente da concretização do projeto solar”, pelo que a inviabilização do primeiro compromete a concretização do segundo. “São 300 milhões de euros na área do fotovoltaico e 50 milhões de euros para o investimento de turismo, um projeto importante, criador de emprego, diferenciador em toda a zona Sul do País e, acima de tudo, na nossa região, obviamente associado a este ‘projeto chapéu’ que inclui o fotovoltaico e turismo”, evidencia o edil. Apesar de acreditar na concretização futura do investimento do projeto da CSF do Alqueva, Álvaro Azedo critica os entraves agora conhecidos à sua prossecução, tendo já solicitado – “para que este investimento não fique pelo caminho” –, uma reunião com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. “Vamos apresentar, em conjunto com o promotor, todas as explicações à volta deste processo e estou certo de que haverá bom senso e um compromisso do Governo e do ICNF para encontrarmos uma solução que permita preservar os valores ambientais e o desenvolvimento deste projeto”.
“DA” com “Lusa”