Diário do Alentejo

Companhia Alentejana de Dança Contemporânea estreia “Muros”

26 de junho 2019 - 09:45
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“Muros”, uma coprodução da Cadac – Companhia Alentejana de Dança Contemporânea com a Lendias d'Encantar e com o Festival B, é apresentada amanhã, quinta-feira, às 21:00 horas, no largo do Lidador, em Beja, no primeiro dia do festival promovido pela Câmara Municipal de Beja.


Segundo a Cadac, o Festival B lançou o desafio à companhia de criar um espetáculo de dança, “tendo como ponto de partida a vida e obra de Mariana Alcoforado”.


Com direcção artística e dramaturgia de Marianela Boán, “conceituada coreógrafa cubana”, o espetáculo “aborda os limites e as fronteiras da sociedade do século XXI, fazendo o paralelismo com os muros do convento em que Mariana viveu”, adianta a companhia.


“Não sendo um retrato da história de Mariana Alcoforado, o espetáculo que decidimos levar ao Festival B faz-nos questionar todas as barreiras, ideológicas, físicas e sociais a que, hoje ou ontem, o ser humano está sujeito”, explica António Revez, diretor artístico da Cadac.


O espetáculo conta com a interpretação de quatro bailarinos portugueses, selecionados aquando das audições, em Beja – Carminda Soares, Diogo Santos, Maria R. Soares e Ricardo Pereira.


Após dois meses de ensaios ininterruptos, a coreógrafa Marianela Boán garante que o espetáculo vai surpreender: “Não foi fácil chegar até aqui, pois a qualidade dos cerca de 25 candidatos era elevadíssima”, mas acredita que “o Diogo, o Ricardo, a Carminda e Maria terão um excelente desempenho na estreia, trabalhámos para isso!”.


“Inspirado na vida e obra da freira Mariana Alcoforado, ‘Muros’ explora os motivos do amor impossível nos nossos tempos: a velocidade, a mudança, a distância, a presença falsa e a distração, equivalem, hoje em dia, aos muros de um convento. Com a nossa ave interior, tentamos sobrevoar os muros que inventamos. Voamos com a mente e com o corpo que cai, feito em pedaços num espaço proibido. Quatro bailarinos empregam uma grande destreza física e emocional nesta obra de ‘dança contaminada’ na qual a voz, a ação dramática, o gesto, a postura e o uso de objetos completam o tecido dramatúrgico. Dedicamos esta obra a todos os que tiveram de fugir”, pode ler-se na sinopse.


“Muros” é a primeira criação artística da Cadac – Companhia Alentejana de Dança Contemporânea, estrutura artística bejense, que completa um ano de existência no decorrer deste mês.

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