Texto | Florêncio Cacete Coordenador do Arquivo Digital do Cante Cidehus/Universidade de Évoraflorencio.cacete@uevora.pt
Voltou, recentemente, da Lituânia, o Grupo Coral Cantadores do Desassossego, de Beja. O Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento esteve nas Astúrias. E o Grupo Coral do Sindicato Mineiro de Aljustrel esteve em Sevilha, nas comemorações do Dia de Portugal promovidas pelo consulado português sediado naquela cidade espanhola. Chegam ecos de boas prestações que, em muito, terão dignificado os grupos e o cante. Também assim se dissemina o cante. Melhor sorte não tiveram os grupos que, em 28 de outubro de 1967, se deslocaram a Lisboa por forma a participar no Grande Festival de Grupos Folclóricos e Grupos Corais Alentejanos. Depois do sucesso estrondoso dos espetáculos de 1937, 1952 e 1965, eis que no ano de 1967 se assiste ao “inêxito do recente e grandioso espectáculo alentejano, do Pavilhão dos Desportos que se ficou devendo, principalmente, à exploração exagerada e deformada do folclore nacional” (Américo,1967).Américo Paiva, na sua “Crónica de um Serão de Luxo”, na “Revista Alentejana” de janeiro de 1968, “culpabiliza ainda a colónia alentejana em Lisboa, populosa e fixada… por não ter acudido à chamada da Casa-Mãe, como lhe competia, para emoldurar, com a sua presença maciça, um quadro típico e aliciante que não se repetirá tão prestes, se é que se repetirá, tão pesado e chocante foi o malogro da iniciativa”.Apesar da capa da “Revista Alentejana” de outubro de 1967 ser toda ela dedicada ao evento, divulgando de forma maciça o programa, não terá sido suficiente para garantir a adesão do público a esta grande festa. Porém, nem só a adesão do público foi má. Também no que diz respeito aos grupos há a salientar que o grupo de Nisa também não compareceu, pelo que os restantes ranchos folclóricos puderam alargar as suas apresentações, nomeadamente, o Rancho Folclórico de Alcácer do Sal e o Rancho Folclórico Camponeses de Arraiolos e Portalegre (Rancho Típico da Boavista). Este último fundado neste mesmo ano de 1967 e que, atualmente, se designa por Grupo Folclórico e Cultural da Boavista de Portalegre. Na crónica de Américo Paiva surgem ainda referências à participação do Rancho Folclórico de Castelo de Vide, o que pressupõe que terá vindo em substituição do grupo nizorro (de Nisa). No que diz respeito à participação dos grupos de cante, a mesma ficou entregue ao Rancho Coral de Aldeia Nova de São Bento (Etnográfico), a um grupo coral de Ferreira do Alentejo, cujo nome não é referenciado, ao Grupo Coral da Vidigueira (Vindimadores?) e a um outro grupo coral oriundo de Santiago Maior de Beja, que até ao momento ainda não estava referenciado no Arquivo Digital do Cante, por falta de documentação, e que constitui uma novidade interessante. Esteve ainda presente a Banda Filarmónica de Nossa Senhora de Machede.