Diário do Alentejo

No regresso às competições seniores, o Clube Desportivo de Beja empatou, em casa, com o Guadiana de Mértola

25 de setembro 2026 - 08:00
A história e a identidade

Um empate a um golo foi o resultado final do reencontro, histórico, na cidade de Beja, entre o Clube Desportivo de Beja e o Clube de Futebol Guadiana, de Mértola, naquela que foi a jornada inaugural do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão da Associação de Futebol de Beja.

 

Texto e Fotos Firmino Paixão

 

Uma partida entre duas equipas ainda em construção, com objetivos aparentemente semelhantes, com dois golos na segunda parte, aos 50’ para o Guadiana, já com a equipa reduzida a 10 elementos, depois de o seu guardião ter sido admoestado (aos 40’) com cartão vermelho, por falta grave sobre um avançado bejense. O Desportivo empatou aos oito minutos do segundo tempo e jogou também com 10 a partir dos 77’. Um dia histórico por este regresso dos bejenses às competições seniores, realçou Francisco Agatão, o treinador do Desportivo de Beja. “Foi uma tarde com história. Na verdade, foi a reativação de um escalão que estava sem atividade há oito ou nove anos e que, naturalmente, foi também um dia importante na história do clube. Foi pena que não tenhamos conseguido o resultado pelo qual lutámos e ambicionávamos, mas parece-me que, dado o enquadramento e a forma como decorreu o jogo, o resultado acaba por ser justo e premeia o labor das duas equipas”. A envolvência também agradou ao técnico. “Foi bom também ver aqui antigos jogadores do clube e pessoal mais velhinho a querer reviver os momentos que passávamos no Flávio dos Santos a ver o nosso ‘Depor’. Foi bom ter essas pessoas aqui de regresso, espero que continuem a vir e esperamos, também nós, podermos melhorar, no sentido de dotarmos a equipa de qualidade para vencer mais jogos”. O resultado, assumiu: “Pare-ce-me justo, esta é a realidade e não podemos fugir dela”. Porém, diagnosticámos que o mister Agatão tem ainda muito trabalho pela frente, melhorar as transições e aprimorar a finalização: “Sim, mas temos de compreender que, entre estes atletas, temos seis a estudar fora de Beja, que só podem vir à sexta-feira, outros, por questões profissionais, às vezes não têm a assiduidade desejada aos treinos, são os condicionalismos que nós sabíamos que iriam acontecer e que, de alguma forma, fazem com que o trabalho não seja tão profícuo como desejaríamos. E justificou: “Mas é aquilo que possuímos e é com isto que temos de lutar até ao fim. Tentarei valorizar este grupo, pois tenho sempre presente que vamos honrar o emblema do Desportivo de Beja”. Relativamente à constituição do plantel, Agatão foi pragmático: “Há clubes que subsidiam os seus atletas e nós recorremos aos jogadores que sentem amor ao clube. Dos 25 atletas que temos no plantel, só seis é que não passaram pelas camadas jovens do Desportivo. É isso que queremos valorizar, trazer novamente de volta, aos seniores, o ADN que caracterizou um clube que sempre apostou na sua formação. Levará o seu tempo, dará algum trabalho, mas estamos cá. Os objetivos apontam para disputar cada jogo com a ambição de o vencermos, honrando este emblema. A história do clube é muito maior do que nós”. Numa última questão, mais pessoal, quisemos saber como se sentiu ao voltar, tantos anos depois, a sentar-se num banco para dirigir, oficialmente, uma equipa. A resposta foi óbvia, mas também emocionada. “Senti-me como peixe na água. Senti que sou feliz fazendo aquilo de que gosto, sobretudo, na minha cadeira de sonho. Os outros têm cadeiras de sonho que lhes dão muitos milhões, a minha dá-me felicidade, porque, no meu retorno a Beja, finalmente, tive a possibilidade de treinar o meu clube de coração”.Diogo Coelho, de 39 anos, treinador do Guadiana, talvez ainda não tivesse a certeza de ter ganhado um ponto, ou, perdidos os dois, mas admitiu que um empate fora de casa é sempre um bom início de campeonato. “Foi um bom início e eu só tenho de estar orgulhoso por aquilo que a minha equipa aqui fez. Jogámos muito tempo reduzidos a 10 jogadores, foi muito duro e exigiu muito de nós. Mostrámos aqui a identidade daquilo que queremos para a época e para o clube, portanto, podem contar connosco porque, de certeza absoluta, iremos sempre batalhar pelos três pontos em qualquer campo”. Sobre a justiça do resultado afirmou: “Face às circunstâncias do jogo, tenho de considerar o resultado justo, porque se tivéssemos jogado 11 contra 11, e se os meus jogadores mantivessem esta atitude que demonstraram, não sei se o jogo terminaria empatado”. Quanto às metas para a temporada, Diogo Coelho deixou claro: “O Guadiana quer manter uma boa metodologia de treino e, a partir daí, cimentará as suas bases e manterá esta identidade. Vamos pôr esta equipa a jogar bem à bola e depois logo de verá, mas sempre na procura dos três pontos, jogo a jogo”.

Comentários