Nem a “vinda do rei a Beja”, como reza a antiga melodia do cancioneiro popular, tornaria uma festa igual a esta. Uma festa com a presença da caravana do maior certame velocipédico nacional no coração da cidade. Com 17 equipas e mais de 100 ciclistas muito acarinhados pelos bejenses.
Texto e Foto | Firmino Paixão
Há oito anos, aquando da realização da 80.ª Volta a Portugal, a cidade de Beja tinha visto partir, desde a avenida do Brasil, a segunda etapa da prova, rumo a Portalegre. A 87.ª Volta a Portugal fez uma nova incursão pela região alentejana. A segunda tirada partiu de Sines, percorrendo uma grande parte do litoral alentejano e Costa Vicentina, com as brisas do Atlântico a amenizarem os efeitos da canícula que, por esta altura, se sente na região. A etapa seguinte teve como ponto de partida o centro histórico da cidade de Beja. Houve festa na cidade, o ciclismo cumpriu a sua parte, com o fascínio que se lhe reconhece, como modalidade popular e querida dos portugueses que é, sempre foi e será. Sendo certo que nem sempre poderemos contar com este benefício, porquanto os 10 dias de prova são exíguos para percorrer todo o território nacional, sabe bem desfrutar destes momentos em que a nossa urbe tem uma inquestionável projeção mediática nacional. O diretor da organização, o antigo corredor espanhol Ezequiel Mosquera, disse ao “Diário do Alentejo” (“DA”): “Sinto-me muito feliz e agradecido pelos portugueses estarem satisfeitos, mas este foi um grande desafio, nós gostamos da modalidade e adoramos desafios, mas, como organizador, é gratificante sentir que conseguimos desenhar etapas ao longo de um país tão belo como é Portugal, e o próprio Cândido Barbosa [presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo] foi-me sempre dizendo que teria de vir ao Alentejo e ao Algarve”. Sobre a permissão de a Volta passar pelo interior do Parque Nacional do Gerês, Mosquera confessou: “Sinto-me muito feliz, porque foi uma aposta pessoal, conheço bastante bem aquela zona, porque está junto à Galiza e eu sempre disse aos galegos que a parte bela do parque está no lado português, por isso, foi com um sentimento de felicidade que recebi a notícia da permissão em manter por lá o percurso, mostrando a singularidade daquela região”. Sobre a competitividade da prova, o dirigente também mostrou muito agrado, sublinhando a presença de ciclistas da melhor equipa do mundo, a UAE Emirates, entre eles o português Rui Oliveira, campeão olímpico em 2024, que passou pela cidade de Beja envergando o símbolo de liderança da geral individual, a “camisola amarela”.Cândido Barbosa também se pronunciou sobre o percurso da prova, comentando: “A Volta não foi tão abrangente como gostaríamos mas, com um prólogo e 10 etapas, foi o melhor que conseguimos, abrangendo 15 dos 18 distritos e passando por mais de 70 municípios, o que foi muito bom, mas, de forma rotativa, no futuro, pretendemos passar pelos 18 distritos e pelos 308 municípios”. O dirigente garantiu: “Vamos construir uma Volta diferente, um ciclismo mais moderno e construir aquilo que os portugueses merecem, que é um evento que lhe possa agradar e que se torne mais atrativo até para as grandes equipas internacionais, um evento que dignifique o ciclismo nacional, para que os ciclistas portugueses possam evoluir com este nosso projeto”. Na estrada, entre os heróis do asfalto, pedalou Afonso Silva, um jovem odemirense que enverga a camisola do Tavira/Crédito Agrícola e que, em conversa com o “DA”, confessou: “Um dos nossos objetivos, que era vencer uma etapa, já foi conseguido logo na chegada a Queluz, por Francisco Campos, um feito que já nos alivou alguma pressão. Agora, tudo o que vier para somarmos a esta vitória será muito bom. Em termos pessoais, penso estar na discussão da Volta”. Com um percurso que passou pela sua terra natal, o odemirense revelou: “É sempre especial passar pela terra onde nasci e onde cresci, sobretudo, por ver as pessoas que me conhecem e gostam de mim a revelarem todo o seu apoio”. Sobre a temporada em curso, Afonso Silva considerou: “Tem-me corrido bem, já ganhei, já fiz boas classificações, especialmente, porque a equipa tem estado muito competitiva”. Com o poder autárquico, afinal aquele que também faz com que estas coisas aconteçam, na baía da praia Vasco da Gama, em Sines, Álvaro Bejinha, presidente da câmara municipal, já nos tinha revelado: “Foi com muito orgulho que Sines recebeu a caravana da Volta, seguramente, um dos maiores eventos desportivos nacionais, com uma tradição de muitas décadas. Sines acolhe sempre eventos desportivos de grande dimensão, mas este é especial, pela sua popularidade e acesso fácil”. Em Beja, o presidente da câmara municipal, Nuno Palma Ferro, celebrou aquilo que disse ser “uma festa no coração da cidade”. “Gostamos da Volta, gostamos de ciclismo, e esta Volta tem de passar por Beja para que nos vejam, para que olhem para nós e para perceberem tudo aquilo que de bom nós temos para oferecer a quem cá vem. Sabemos que as pessoas gostaram de estar por cá e esta presença foi muito importante para todos nós, também para a hotelaria e para a restauração, por isso, é uma aposta nossa termos eventos diferenciadores e verdadeiramente importantes. São estes eventos que nos proporcionam a visibilidade que queremos que Beja tenha, esta é uma aposta de Beja e será, garantidamente, para continuar”, concluiu o autarca bejense.