Válter Borralho revela um enorme sentimento pela terra que o viu nascer e um inigualável amor pelo clube que é a grande referência do concelho de Castro Verde. O dirigente é homem de causas, solidário e humanista.
Texto e Foto | Firmino Paixão
A sustentabilidade financeira, sem prejuízo da normalidade desportiva, é a grande prioridade do presidente do Futebol Clube Castrense, Válter Borralho, assumindo mesmo a necessidade de cortar algumas “gorduras”. Admite que é tempo de o clube conquistar um título, mas não está obcecado por isso, e revela: “Faremos com que o clube evolua na formação para que acompanhe aquilo que é a realidade do futebol sénior, mas também continuaremos a disponibilizar os apoios suficientes para que as modalidades consigam manter-se. O orgulho que sentimos pelo Castrense motiva-nos, tanto nas pistas de atletismo, como nos pavilhões, ou nos campos de futebol. Queremos sempre que as nossas cores sejam bem representadas, seja em que modalidade for”.
Que motivações é que o trouxeram até à presidência do Futebol Clube Castrense?Acima de tudo, o sentimento que tenho pelas cores onde nasci. O verde de Castro Verde fascina-me. Sou apaixonado pelo meu clube, que é o Futebol Clube Castrense e pronto… Estou disponível para ajudar o clube e independentemente de sermos diretores, treinadores ou jogadores, o mais importante é honrarmos as nossas cores, honrarmos o símbolo do Castrense. Foi com esse espírito que me candidatei.
Era uma missão que planeava abraçar?Sempre fez parte dos meus objetivos. Os meus amigos, e as pessoas que me conhecem, sempre souberam que, mais cedo ou mais tarde, eu me candidataria à presidência, mesmo depois de ter ocupado vários cargos diretivos no clube e noutras associações e também no voluntariado. A minha vida tem sido sempre percorrida desta maneira. Sempre na tentativa de ajudar o próximo. E naquilo que tem a ver com o meu clube, tinha, de facto, a missão de ser presidente do Castrense.
Nestes poucos meses de mandato já teve de tomar algumas decisões importantes?Sim. Começámos a trabalhar muito cedo e agradeço, desde logo, a Humberto Simão e à sua direção, porque até tivemos oportunidade de trabalhar em conjunto e isso foi um bom sinal. Um sinal deste clube ter saúde, porque enquanto nos deparamos com clubes que têm muita dificuldade em eleger órgãos sociais, no Castrense trabalhámos de mãos dadas. O Humberto pensou em sair, eu pensei em avançar, juntámo-nos e começámos a falar. Aquilo que mais me preocupa, e à equipa que abraçou este projeto comigo, é, precisamente, aquilo que tem a ver com a saúde financeira do clube. O Humberto não deixou dívidas e isso é salutar, é impecável. Também não ficámos com muito dinheiro, portanto, os investimentos que poderíamos pensar em fazer são as carrinhas, que estão muito ultrapassadas, podemos fazê-los num curto prazo, mas, para mantermos o equilíbrio financeiro, teremos de cortar nalgumas ‘gorduras’, tanto no futebol sénior, como nas modalidades, no sentido de conseguirmos terminar o primeiro ano de mandato com uma almofadinha de conforto financeiro.
Já se percebeu que o seu mandato será de continuidade do caminho que foi percorrido pela anterior direção…Vamos ter um mandato de dois anos, para darmos continuidade ao trabalho que foi bem feito pelo Humberto Simão e pela sua equipa, e, como é óbvio, em alguns momentos teremos de colocar o nosso cunho pessoal, principalmente, como já afirmei, cortarmos algumas “gorduras”, para tentarmos um equilíbrio financeiro que nos permita realizar algum investimento e possuirmos fundo de maneio para isso.
Na última época o Castrense era um dos fortes candidatos ao título e não o conseguiu. Se já fosse presidente teria feito algo de diferente ao longo da época?Como deve calcular, o segundo lugar é uma posição honrosa. De qualquer forma, enquanto clube grande que é, o Castrense não deveria estar tanto tempo sem ser campeão. O clube foi campeão na época 2016/2017, portanto, vamos para a décima temporada sem o conseguirmos. Não é uma obsessão minha, nem nossa, mas, se pudermos ganhar o campeonato, não ficaremos atrás. De qualquer forma, repito que o segundo lugar foi uma posição honrosa e, como costumamos dizer no futebol, às vezes a diferença faz-se entre a bola que vai à trave e sai e a bola que vai à trave e entra.
Quer terminar este mandato com o clube no Campeonato de Portugal? Vou-me repetir. O Castrense já esteve demasiado tempo sem ser campeão. E volto a repetir, não sendo nossa obsessão, lutaremos para ver se o conseguiremos. Mas o Castrense, e os sócios, regozijam-se de ser um clube, talvez o mais ecléctico do distrito. Esse ecletismo orgulha-nos, mas também nos acrescenta algumas dificuldades. Fomos crescendo em termos de modalidades, crescemos em número de atletas, e as receitas não acompanharam esse crescimento. Se tivermos de subir de divisão teremos mesmo de conversar com os sócios e com os nossos melhores patrocinadores, que são a Câmara de Castro Verde e as juntas de freguesia, no sentido de consensualizarmos se existem condições. Temos vontade, temos infraestruturas, mas não nadamos em dinheiro. Há uma coisa que nos identifica: não pagamos muito, mas pagamos do primeiro ao último cêntimo.
Uma das suas primeiras escolhas foi a de um novo treinador para a equipa sénior…Conheço o José Luís Prazeres há alguns anos. Fui-me cruzando com ele aí nos campos e conheço a forma de ele trabalhar, o compromisso, os grupos que constrói e o entusiasmo com que as suas equipas normalmente jogam, Identifico-me com isso. Há vários anos que eu pensava que, no dia em que regressasse ao Castrense, independentemente de ser diretor desportivo ou presidente, a minha escolha para treinador seria José Luís Prazeres. No dia em que decidi candidatar-me falei com a equipa técnica que estava no clube. A seguir enviei uma mensagem ao José Luís e ele telefonou-me num ápice. Às sextas-feiras vou a Beja fazer voluntariado hospitalar, reunimo-nos nesse dia e fechámos logo esse compromisso. Não era só eu que queria que o José Luís viesse para Castro Verde, ele também queira vir. Foi um acordo fácil.