Uma conquista inédita para os axadrezados de Santa Clara do Louredo, uma freguesia do concelho de Beja. São filiados muito recentes na Associação de Futebol de Beja, mas já foram finalistas em duas edições.
Texto e Foto | Firmino Paixão
A Taça de Honra da Associação de Futebol de Beja tinha escapado ao Louredense na época passada, por terem perdido, por 2-1, na final que disputaram com o CCD do Bairro da Conceição. Neste ano ergueram o troféu, vencendo os “bês” do Aldenovense no desempate pela marcação de grandes penalidades após um empate a duas bolas no final do tempo regulamentar. Numa final disputada no Estádio Municipal de Mértola, os boavisteiros andaram sempre a correr atrás do prejuízo, porque o Aldenovense adiantou-se no marcador logo aos dois minutos de jogo, com um golo de Bright, e chegou aos dois a zero, ao minuto 60, por Samuel Arije. Já em inferioridade numérica, por expulsão de Tomás Amaro (aos 66´), reduziram através de uma grande penalidade, por Gonçalo Tatinha, e, aos 89 minutos, Adul Nanque conseguiu o tento do empate que levou a decisão para as grandes penalidades, momento em que o guardião Rafael brilhou entre os postes, defendendo duas delas, permitindo assim que a sua equipa erguesse o troféu.“Acho que foi uma conquista perfeitamente justa”, sublinhou Sérgio Maximino, treinador do Louredense, recordando: “Depois de estarmos a perder, por dois a zero, tivemos a audácia de irmos a procura de algo melhor”. E adiantou: “Foi uma vitória da dedicação desta equipa, um conjunto que joga com alma, uma equipa que tem uma identidade muito forte e que nos permite viver estes momentos”. O treinador admitiu ainda: “O jogo não foi muito bem conseguido, as coisas, de início, não nos saíram muito bem. Mas em dois anos estivemos em duas finais deste troféu, hoje conseguimos conquistá-lo, mas acho que esta equipa tem uma garra e uma identidade como não haverá igual por esse distrito”. Sérgio Maximino deixou ainda a nota: “Encaramos todos os jogos com o espírito de vencermos. Somos de uma aldeia pequena, com poucos habitantes, mas olhamos os grandes jogos de frente. Gostamos de bons desafios, gostamos de defrontar as grandes equipas, como hoje aconteceu, em que jogámos com uma boa equipa, um conjunto de atletas de outra dimensão, mas nós conseguimos anular as diferenças que existem e, por isso, conseguimos esta vitória”. Ora, o Aldenovense, como se diz na gíria popular, “teve o pássaro na mão e deixou-o voar”. Um provérbio com o qual o treinador José Luís Sargento concordou em pleno, reconhecendo: “O sentimento é muito angustiante, tivemos a mão na taça, mas, na segunda parte, acabámos por não ser tão eficazes, fruto da inexperiência da equipa que temos, pois são jogadores muito novos”. E revelou: “Somos uma equipa que treina poucas vezes em conjunto. Uns atletas treinavam com a equipa principal, outros ficavam no ‘bê’, e acabámos por ser vítimas desses fatores”. Contudo, o treinador do Alde-novense reconheceu o mérito do adversário: “O Louredense, mesmo quando ficou em inferioridade numérica, galvanizou-se, jogou com muita alma, teve muito crer, mais do que nós, e, por isso, acabou por ganhar. Chegaram ao empate nos últimos momentos de jogo, o que nos afetou psicologicamente, e cedemos nas grandes penalidades, não as conseguindo concretizar. Felicito o Louredense, acabou por ser um justo vencedor. Temos de levantar a cabeça porque, para o ano, haverá mais competições para disputar”.
O BARRANCOS LIDERA O CAMPEONATo Simultaneamente disputou-se a sétima jornada da fase final do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão. Uma ronda que teve desfechos algo surpreendentes, permitindo que se possam já construir algumas ideias, ainda não quanto aos potenciais favoritos para ocuparem os dois lugares de eleição nesta fase da competição: o campeão e os dois clubes que ascenderão ao escalão principal, mas, percepções mais evidentes daqueles que já comprometeram as suas aspirações. Faltam três jornadas para que a prova se conclua, estão ainda nove pontos em disputa, cinco das seis equipas em competição ainda estão, matematicamente, na corrida pelo título, apenas o Messejanense está afastado dessa possibilidade. Tem uma desvantagem de nove pontos para o líder Barrancos, e, sendo verdade que ganhou lá na raia alentejana, por um a zero, foi derrotado em casa por 5-2. O Boavista dos Pinheiros vingou-se do Santa Luzia, com quem tinha perdido, no seu terreno, por 3-2, vencendo agora por 5-2. O Negrilhos veio ao Bairro da Conceição vencer por quatro bolas a zero e dificultou a esperança dos bejenses em se posicionarem num dos dois primeiros lugares. Dito de uma outra forma, o Barrancos, o Negrilhos e o próprio Bairro da Conceição, presumivelmente, ainda estão na corrida pelos dois ‘lugares ao sol’; as restantes equipas, Santa Luzia, Boavista e Messejanense, parece terem perdido o fôlego para se chegarem mais à frente na tabela dos pontos. Contudo, para que se faça mais luz sobre esta projeção, e sublinhamos, trata-se apenas de uma previsão, há que esperar pela ronda de amanhã, com o líder a viajar para Boavista dos Pinheiros, o Bairro a jogar em Messejana e o Santa Luzia a subir até Montes Velhos.
2.ª Divisão Distrital | Fase Final
7.ª jornada
Messejanense-Barrancos 2-5Bairro Conceição-Negrilhos 0-4Santa Luzia-Boavista Pinheiros 2-5
CLASSIFICAÇÃO
1.º Barrancos 142.º Negrilhos 133.º Bairro da Conceição 104.º Santa Luzia 95.º Boavista dos Pinheiros 66.º Messejanense 5
Próxima jornada (30/05): Boavista dos Pinheiros-Barrancos; Negrilhos-Santa Luzia; Messejanense-Bairro da Conceição.