Carlos Alberto Pereira completa amanhã, sábado, dia 4, o primeiro ano do seu mandato como presidente da direção da Associação de Futebol de Beja (AFBeja). Os órgãos sociais que lidera apresentaram-se a eleições sob o lema “Afirmar o nosso futebol”, tendo como bandeiras programáticas a modernização do modelo de organização, o reforço da arbitragem e a transparência.
Texto e Foto | Firmino Paixão
Um ano depois de Carlos Pereira conduzir os destinos do futebol regional, o “Diário do Alentejo” foi saber como tem sido percorrido este caminho: o que foi feito, o que ficou por fazer e quais os grandes desafios que ainda persegue para cumprir o seu programa na gestão da Associação de Futebol de Beja, organismo que completou, no passado dia 30 de março, o centésimo primeiro aniversário da sua fundação.
Como avalia este primeiro ano do seu mandato na presidência da Associação de Futebol de Beja?Tem sido uma experiência positiva do ponto de vista pessoal, também de alguma aprendizagem em relação àquilo que tem sido a relação com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e com outras entidades relacionadas com o desporto e, naturalmente, com os nossos clubes. Temos vindo, progressivamente, a implementar o nosso plano de ação, sentimos que ainda existe muita coisa para melhorar, mas estamos a trabalhar nesse sentido. Tem existido um excelente trabalho ao nível das nossas seleções, os selecionadores têm uma filosofia de trabalho que nos agrada muito e os resultados estão a vista. Continuaremos a implementar as medidas que estão no nosso plano de ação.
Como é que encontrou a Associação de Futebol de Beja? Houve algo que o tenha surpreendido?Sentimos que existiam algumas dificuldades, mas nada que fosse grave. Estamos empenhados naquilo que é o presente e no que será o futuro. O passado, para nós, tem a importância que tem, do ponto de vista histórico e de alguma aprendizagem. Agora, queremos olhar para a frente, olhar para o futuro.As metas que, eventualmente, tinha traçado para este primeiro ano foram atingidas?No plano desportivo é com agrado que vejo que existe um grande entusiasmo com a implementação da nova “divisão de honra”, o que tornou o atual campeonato da segunda divisão muito competitivo. No ponto de vista de organização das competições, existe uma coisa em que apostamos muito, que é dar prioridade ao futebol positivo, dar prioridade ao fair-play e a todos os valores relacionados com o desporto: a integridade e a transparência. Vejo que há coisas a mudar mas, contudo, estamos empenhados em criar uma mentalidade de fair-play no nosso futebol e não pactuaremos com violência e indisciplina. Se isso acontecer, atuaremos com mão pesada.
Um ano depois, voltaria a escolher as mesmas pessoas para constituir a sua equipa?A nossa equipa está motivada, mas é claro que se pudesse ter esta equipa reforçada, seria muito melhor. E digo isto porquê? Temos 11 seleções, seremos das poucas associações, senão a única, que em cada seleção tem um dirigente presente e, às vezes, mais do que um, e isso obriga a uma grande disponibilidade dos nossos dirigentes, que, para além do esforço pessoal e familiar, inclusivamente, gastam dias das suas férias. Apresentaremos aos nossos clubes uma proposta para o aumento do número de dirigentes, mais dois diretores e mais um vice-presidente, que terá um papel fundamental na área da segurança e da responsabilidade social.
Na arbitragem ouviram-se as queixas do costume. Vão organizar um novo curso para reforçar os quadros?A arbitragem está, e estará, sempre no centro das atenções. Infelizmente, ainda existe quem se desresponsabilize do insucesso desportivo dos seus clubes e coloque essa responsabilidade sobre os árbitros e outros agentes desportivos. Sinto que temos de aumentar o número de árbitros em cerca de 30 por cento, temos de aumentar a qualidade no topo da pirâmide. Já fizemos dois cursos e estamos a arrancar com um terceiro. No plano estrutural, precisamos de cumprir a estratégia da Federação Portuguesa de Futebol, que tem a ver com a introdução de novas metodologias e mecanismos, para que os árbitros ganhem mais competências. Do ponto de vista da AFBeja apostaremos na parte técnica e, fundamentalmente, na comportamental, nomeadamente, no que diz respeito à liderança e à comunicação.
A recente organização do Interassociações de Futsal foi o momento alto deste primeiro tempo de mandato?Foi um sucesso, quer ao nível da sustentabilidade financeira, quer ao nível da participação da nossa seleção. Uma experiência única para os nossos atletas e uma boa dinâmica para a economia local. Sentimos orgulho por termos fechado o torneio com o êxito que se conhece, embora nos dê mais responsabilidade para outro tipo de organizações futuras, para as quais estamos disponíveis, como já demos nota à FPF, com quem temos uma relação de proximidade que queremos reforçar, seguindo o caminho que a federação nos propõe, a par daquele que é o percurso que traçámos.
Na vertente da comunicação a associação tem estado um pouco virada para dentro de si própria. A comunicação social nunca sabe o que vai acontecer, sabe depois de ter acontecido…Compreendo. Esse é um caminho e nós estamos a fazer o nosso. Com os clubes temos tido uma excelente comunicação. Registo esse reparo e, com certeza, que iremos melhorar nesse aspeto que referiu, comunicando previamente os nossos eventos aos órgãos de comunicação social. Acho que isso é muito importante e atuaremos em conformidade. Queremos trabalhar em conjunto com todos, inclusivamente com a comunicação social e com as entidades ligadas ao desporto. Queremos ser uma associação aberta para o exterior.
Quais são as metas para o futuro?Queremos, em conjunto com os clubes, reforçar a competitividade e a sustentabilidade. Não existem organizações que trabalhem bem se não forem sustentáveis do ponto de vista financeiro. No futuro, o calendário será diferente, não existirão taças de honra da segunda divisão, neste ano já não houve da primeira, teremos um calendário diferente. Apostaremos numa Taça de Inverno, que criará competitividade nas três divisões. Vamos ser mais transparentes, vamos dar rapidamente conhecimento aos clubes dos relatórios dos jogos, permitindo-lhes o contraditório.