Os pilotos João Ferreira/Filipe Palmeiro (Toyota Hilux T1+) nos autos, Bruno Santos (Husqvarna) nas motos, Ricardo Caetano (Suzuki) nos quads e a dupla Tiago Guerreiro/Carlos Paulino (Polaris) na categoria SSV, foram os vencedores absolutos da Baja TT Montes Alentejanos, disputada, nesta edição, apenas pelos estradões do concelho de Beja.
Texto e Fotos Firmino Paixão
Vencendo o prólogo e os três setores cronometrados que se seguiram, o piloto leiriense João Ferreira, navegado por Filipe Palmeiro, dominou por completo a Baja TT Montes Alentejanos, prova de abertura do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno, promovido pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting. A competição, pontuável igualmente para o Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno organizado pela Federação Portuguesa de Motociclismo, decorreu no passado fim de semana no concelho de Beja, com organização do Clube de Promoção de Karting e Automobilismo (CPKA) e com um lote de 169 inscritos nas variantes de motos, quads, SSV e autos, mas da qual esteve ausente o campeão nacional em título, Gonçalo Guerreiro. O piloto leiriense João Ferreira atacou a prova com um ritmo fortíssimo, conseguindo logo uma apreciável vantagem no prólogo de 5,94 quilómetros traçado na herdade da Cabeça de ferro (Campo de Tiro do Regimento de Infantaria n.º 1) que, com a inversão do sentido habitual, proporcionou um grande espetáculo ao público que ali acorreu em grande número, assinale-se, um pouco como aconteceu ao longo dos restantes troços cronometrados durante os dois dias de prova. O Toyota Hilux cumpriu as três passagens pelo troço de 120 quilómetros no tempo de 4h52’32s, vencendo também na categoria de T1+. Em declarações ao site da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, João Ferreira assumiu que esta prova lhe corre sempre muito bem. “O objetivo era voltar a ganhar ritmo, após quase um mês de pausa desde o Dakar, e testar muitas coisas para a ronda do Campeonato do Mundo, em Portugal, que é já dentro de pouquíssimo tempo. Conseguimos ser os mais rápidos, vencendo a corrida à geral, com uma margem bastante confortável”. Numa alusão aos estragos provocados pela tempestade “Kristin” na região de onde é natural, João Ferreira deixou a nota: “Estou também feliz por partilhar o pódio com o Ricardo Porém, pois ambos representámos Leiria da melhor maneira possível, depois de tudo o que se passou na nossa cidade”. A qualidade e a competitividade da baja consolida-se a cada edição e, neste ano, não obstante as dificuldades em encontrar percursos devido ao mau estado em que ficaram alguns troços, devido à elevada pluviosidade que o comboio de depressões provocou na região e no País, foi possível encontrar soluções para que a prova se disputasse com médias muito interessantes e uma competitividade muito elevada. O segundo lugar do pódio absoluto foi ocupado pelo, também, leiriense Ricardo Porém, navegado por Nuno Sousa (Kaizen), vencedores do grupo T3. Na terceira posição colocou-se João Monteiro/Nuno Morais (Can Am), vencedor do grupo T4. A prova foi, de certa forma, marcada pelo protesto formal da direção da Associação dos Agricultores do Baixo Alentejo (AABA) que, em comunicado enviado às redações dos órgãos de comunicação social da região, revelou alguma indignação, questionando a realização da prova “depois de um período de dois meses e meio em que os agricultores sofreram com chuvas torrenciais, acompanhadas por ventos muito fortes, que danificaram caminhos agrícolas, destruíram vedações, derrubaram árvores, afetaram telhados, culturas agrícolas e onde os prejuízos para a pecuária foram elevadíssimos”, acrescendo a constatação de que as entidades organizadoras “não informaram todos os proprietários e agricultores”. O CPKA, detentor do alvará para organização da baja, respondeu em comunicado, justificando: “A Baja Montes Alentejanos é organizada por nós, mas é um património da cidade de Beja. Temos tido o carinho das pessoas, dos empresários e estamos certos de que estamos a contribuir para o desenvolvimento e notoriedade da região, não querendo, de forma nenhuma, provocar algum descontentamento com nenhum setor, muito menos com os agricultores, que são o motor do desenvolvimento regional, e sem eles não nos é possível realizar a prova”. Assumindo ainda alguma falha de comunicação com os proprietários, o CPKA assinalou que o presidente da AABA não compareceu a uma reunião para a qual estava convocado. No meio desta troca de comunicados surgiu o empresário agrícola e piloto bejense Filipe Cameirinha, concorrente à baja, que, de certa forma, veio atenuar o conflito, assumindo, em declarações à “Rádio Pax”: “Sou agricultor, mas não é só da agricultura que vivemos e eventos desta dimensão trazem impacto económico à região, enchendo hotéis e restaurantes e promovendo o território”. Considerou ainda que “a manutenção dos caminhos deve ser reivindicada pelas vias certas”. Polémicas à parte, fica também o registo da muito justa atribuição do nome de António Canário ao prólogo, um colaborador da organização recentemente falecido.