Diário do Alentejo

Moura Atlético Clube nasceu em 1942 e veio até aos dias de hoje “sempre em frente…”

24 de janeiro 2026 - 08:00
“Com fé ardente”
Fotos | Firmino PaixãoFotos | Firmino Paixão

O Moura Atlético Clube foi formalmente constituído no dia 17 de janeiro de 1942. Há 84 anos. Um percurso notável, como a vila de então, hoje cidade, também o era. Um aniversário celebrado com a qualificação, muito à justa, para a terceira eliminatória da Taça Distrito de Beja.

 

Texto Firmino Paixão

 

Oitenta e quatro anos é muito tempo, uma sucessão de vários ciclos com diferentes dinâmicas, com pontos altos e outros de menor amplitude, com dificuldades e sobressaltos, com alegrias e tristezas. Uma mescla de desafios e de sentimentos que os dirigentes de últimas gerações souberam interpretar e potenciar, no sentido de melhor honrarem o legado recebido das gerações que se empenharam em deixar um olhar de esperança sobre o futuro, um futuro que quiseram que fosse de afirmação das gentes de Moura, através do desporto. O “Atlético”, como lhe chamam os mourenses da velha guarda, nasceu em 1942, porém, o jornalista Manuel de Melo Garrido, a quem deixamos a nossa vénia, deixou um testemunho lavrado na História do Desporto do Distrito de Beja, em que fez saber: “Em Moura o futebol principiou a ser jogado em 1912, mas só em 1918 passou a ter incremento apreciável”. O saudoso jornalista referiu-se ainda a um “primeiro jogo entre uma linha representativa do 3.º Batalhão do antigo Regimento de Infantaria 17”, à época aquartelado em Moura, e “um grupo de atletas locais”. Uma partida, como lembrou Melo Garrido, disputada no largo José Maria dos Santos, evento que antecedeu a criação do Moura Foot-Ball Club, o primeiro grupo constituído, seguramente um momento inspirador do Moura Atlético Clube. Mas isso é passado e sobre os anos idos temos a palavra do presidente da assembleia-geral do Moura Atlético Clube, o empresário Hélder Mamede, que nos relatou: “Sobre o passado deste clube direi que passou por aqui muita gente que foi importante para a vida do Atlético, desde dirigentes, treinadores e atletas, que, ao longo destes 84 anos, conseguiram trazer o clube até ao presente”. O passado já lá vai, mas o dirigente mourense quis, rapidamente, sublinhar: “Este último ano foi muito importante para o Moura, apesar das dificuldades serem cada vez maiores para a manutenção de uma equipa sénior. Mas foi um ano determinante, porque houve um trabalho entre os diferentes órgãos – direção, assembleia-geral e conselho fiscal –, uma vez que efetuámos uma atualização dos estatutos do clube e procedemos à sua oficialização, mantendo o estatuto de entidade pública, cuja renovação tivemos de fazer até ao último dia do ano findo, e conseguimo-lo”. Este é o momento presente. Um presente em que a equipa está envolvida em diferentes competições de seniores (campeonato e taça distrito), mas também com intensa atividade nos escalões de formação, o futuro que gera algum ceticismo a Hélder Mamede: “Quanto ao futuro, estou um pouco mais pessimista, porque cada vez vai sendo mais difícil reter os jovens na cidade de Moura. Os jovens com 17 anos vão para as faculdades e cada vez será mais difícil termos jogadores da terra para formarmos uma equipa sénior e, tendo de ir buscar atletas de fora, isso acarreta uma despesa enorme. Mas temos de referir que tem sido muito importante o apoio da Câmara Municipal de Moura, pois, se ele não existisse, as coisas seriam ainda mais difíceis de concretizar, possivelmente, nem equipa de seniores poderíamos ter”. Ainda assim, o antigo presidente do clube – hoje, num patamar acima nos órgãos sociais – mantém alguma esperança: “Oxalá eu esteja enganado, mas, quando olho para o futuro, vejo as coisas muito difíceis e, possivelmente, serão muitas as equipas no distrito de Beja, incluindo o Moura, que terão dificuldades em manter equipas seniores. Nos próximos dois ou três anos será mesmo difícil formarmos camadas jovens. Passámos por uma fase muito má na altura da pandemia – não fomos só nós, foi a nível nacional e mundial –, isso refletiu-se na demografia, sobretudo, no Alentejo, onde a taxa de nascimentos cada vez tem sido menor, e já registamos a escassez de jovens que nos possam garantir o futuro desta e de outras atividades desportivas”. Por outro lado, o dirigente também lembrou a dificuldade em recrutar dirigentes para o rejuvenescimento das equipas. “O Moura tem funcionários a tempo inteiro e, se não fossem eles, as coisas não evoluíam, porque nós só podemos aparecer aqui à noite, fora de horas. Temos uma pessoa na secretaria que trata de toda uma logística que é elevada, faz a ligação com as entidades, mas sabemos que existem clubes que não podem ter uma estrutura como nós temos”, concluiu Hélder Mamede, antes de ir soprar as velas no bolo de aniversário e cantar os parabéns ao Moura Atlético Clube. A Associação de Futebol de Beja aproveitou o momento para entregar ao clube três diplomas de certificação como “entidade formadora”.

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