Com um número cada vez mais elevado de mulheres a participarem, neste caso, mais de sete dezenas, a Associação de Karaté de Beja promoveu a realização do seu quarto workshop de defesa pessoal para senhoras.
Texto e foto | Firmino Paixão
A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género assinala, anualmente, no dia 25 de novembro, o Dia Internacional Para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, uma iniciativa que tem o propósito de alertar as diferentes comunidades para a violência física, psicológica, sexual e social que é exercida sobre as mulheres, numa frequente violação dos direitos humanos, cada vez mais repetida e generalizada em todo o mundo. A comunidade bejense, mulheres e homens sensíveis a esta causa, já o tinha feito através de uma marcha, num percurso urbano pelo centro histórico de Beja. A Associação de Karaté de Beja (AK Beja), fundada em 2021, após a chegada do sensei 7.º dan Teófilo Fonseca, ainda hoje o grande promotor e timoneiro destas atividades (karaté, jiu-jitsu, kobudo e laido), associou-se no final da semana a esta temática da violência contra as mulheres. O shiham (mestre de alto nível) Teófilo Fonseca revelou: “Realizámos o quarto workshop de defesa pessoal feminino, em que a AK Beja se associou à comemoração do dia contra a violência sobre as mulheres. Neste ano com uma ação bastante mais participada. Aliás, todos os anos a adesão tem crescido e nós atribuímos esse crescimento ao grau de satisfação que as senhoras adquirem nestes workshops. Depois vão passando a palavra umas às outras e a adesão tem vindo a crescer consideravelmente, sendo que, neste ano, conseguimos ultrapassar as 70 presenças”.Nem todas são, claro, habituais praticantes da modalidade, pelo contrário, tendo sido uma ação amplamente aberta à comunidade, confirmou o mestre, revelando que já realizou outras ações mais localizadas. “Nomeadamente, para professoras, devido à violência que, às vezes, existe nas escolas e que, hoje em dia, cada vez mais se verifica também nas ruas. Por isso, a comemoração do dia contra a violência sobre as mulheres traz muita gente aos workshops que a Academia de Karaté faz. Esta academia tem as modalidades de defesa pessoal e jiu-jitsu e, neste contexto, nós conseguimos motivar muito as senhoras”. Quatro ações, esta e as três anteriores, sempre obedecendo a esta temática, adiantou Teófilo Fonseca: “Fazemos sempre este workshop através da Federação de Jiu-Jitsu e Disciplinas Associadas de Portugal (Fjjdap), entidade na qual sou um dos diretores técnicos e temos alguns workshops para grupos mais pequenos, tanto ao nível do bullying, ou ao nível da violência doméstica, e todas as outras situações de violência que existem e estão perfeitamente identificadas”. Potenciar os valores humanos e intervir em outras causas sociais parece ser o mote, admitiu o mestre. “Eu mantenho a tradição de tudo o que são disciplinas do budo japonês, por causa do respeito, da etiqueta, do autocontrolo, da harmonia, da honra, da sinceridade, do carácter e, principalmente, desenvolvo o karaté na vertente tradicional e na vertente desportiva. Temos o complemento de disciplinas como o jiu-jitsu tradicional, a defesa pessoal e as armas, por causa da proteção”. Quanto às competências adquiridas pelas participantes, Teófilo Fonseca deu conta: “As senhoras levam alguns skills [habilidades] ou alguns movimentos através dos quais se poderão proteger. Na violência, por um agarramento, o homem, normalmente, é sempre mais forte, mas tem fragilidades nos genitais, porque se o homem estiver muito nervoso, às vezes, os genitais têm a primeira reação de encolhimento, mas depois torna-se mais agressivo, e então, existem outras formas de as senhoras se poderem proteger”. Conhecimentos e competências que são muito valorizadas pelas mulheres, cada vez mais confrontadas com alguma insegurança, não só em ambiente doméstico, como em ambiente urbano, no seu dia a dia. A sociedade está a mudar, admitiu. “Eu vou dizer que sim. Estão referenciadas, com conhecimento de participação, mais de 380 ocorrências de violência doméstica e, como certamente saberá, neste ano já foram mortas 24 senhoras em contexto de violência doméstica. É por isso que estamos a fazer esta divulgação e a promover, cada vez mais, estas ações que podem ser preventivas de novos casos”. Para possíveis interessadas, a Academia da Associação de Karaté de Beja funciona num ginásio da Escola Básica Integrada de Santigo Maior e tem classes para aprendizagem às segundas ou quartas-feiras e às terças ou quintas. Além disso, tem dojos a funcionar em Cuba, Évora, Moura, Penedo Gordo, Pias, Serpa, Vila Nova de São Bento e Vidigueira.