Diário do Alentejo

Regimento de Infantaria n.º 1, em Beja, criado em 1648, comemorou 377 anos desde a sua fundação

29 de novembro 2025 - 08:00
“Da Infantaria, o primeiro”
Foto | Firmino PaixãoFoto | Firmino Paixão

Uma missão diferente, cumprida com a mesma lealdade, com a mesma bravura e dedicação. Um compromisso em tempo de paz. Uma celebração que honrou a história e mostrou uma “conduta brava e em tudo distinta”.

 

Texto Firmino Paixão

 

Um grupo de militares do Regimento de Infantaria n.º 1 (RI1), de Beja, constituído por adeptos e praticantes da modalidade de ciclismo, fez a ligação entre o quartel daquela unidade, sito no Vale de Aguilhão, em Beja, e o destacamento existente no Quartel da Atalaia, na cidade de Tavira. Cumpriram o percurso, entre Beja e Tavira, pedalando os 147 quilómetros ao longo de sete horas, com passagens por Castro Verde, Almodôvar, Dogueno, Ameixial, Barranco do Velho, São Brás de Alportel, Santa Catarina e Tavira. Um desafio exigente, pela extensão da tirada e pela orografia do terreno, mas cumprido com sucesso, com distinção e galhardia. No momento da partida e antes do briefing com os participantes, o comandante do RI1, coronel Fernando Fonseca Rijo, revelou ao “Diário do Alentejo”: “O RI1 tem uma particularidade, é um regimento descontínuo, portanto, de facto, o aquartelamento de Tavira pertence ao RI1 de Beja. Um destacamento em Tavira, mas que é parte integrante deste regimento”. E deu, ainda, conta: “Foi-nos proposto e acolhido de muito bom grado levar a cabo esta iniciativa, a terceira edição de cicloturismo que liga o aquartelamento de Vale do Aguilhão, em Beja, ao nosso aquartelamento em Tavira”. E sublinhou: “É a demonstração de que, apesar da descontinuidade, somos um só regimento, uma só unidade, que promove, também, aquilo que é muito querido para os militares, que é a prática do exercício físico e dentro do são convívio. Será uma oportunidade também de convivermos, porque, à chegada, os nossos ciclistas serão bem recebidos no destacamento e teremos a oportunidade de manter uma atividade com os militares do destacamento de Tavira, que irá fomentar o espírito de corpo e o espírito do regimento”. O coronel Fonseca Rijo admitiu: “Optámos por inserir este passeio, e isso tem todo o significado, nas comemorações do 377.º aniversário do regimento, que é um dos mais antigos do País, e que pretende demonstrar e honrar todas aquelas gerações de militares que serviram este regimento, na proteção, ao início, daquilo que era a nossa Marinha, aos nossos navios no mar e em terra, até às campanhas na Guerra Peninsular, 1.ª Guerra Mundial e os militares que serviram na Guerra do Ultramar, portanto, pretende honrar também essas gerações que serviram este regimento e serviram Portugal”. Um momento comemorativo entre outros que já aconteceram, sublinhou: “Promovemos, no dia 25 de setembro, um concerto da Orquestra Ligeira do Exército, no Pax Júlia Teatro Municipal, que teve uma adesão fantástica. Foi um momento cultural que cimentou os laços, entre o Exército, o regimento e a população civil de Beja, e depois tivemos as comemorações do ‘Dia do Regimento’, no dia 27 de setembro, com uma cerimónia militar e um almoço convívio aqui na unidade, acrescendo o lançamento da ‘Revista Azimute 2025’, que é a revista da Infantaria Portuguesa”.O comandante do RI1 já sublinhara que a prática de atividade física é algo de muito querido aos militares mas, acrescentamos nós, será também um exemplo para a comunidade. “Para nós, e como eu já referi, o desporto é uma atividade muito querida, desde sempre, do Exército e dos militares, faz parte também daquilo que são as nossas particularidades e a necessidade, também, de estarmos preparados para as missões que nos são atribuídas, por isso, naturalmente que a atividade física e o desporto fazem parte das nossas vidas. Mas, além disso, é também sempre com muito gosto que nós promovemos a prática desportiva e estamos sempre disponíveis para desenvolver este tipo de atividades”. Uma disponibilidade que se evidencia, sobretudo, na parceria existente com o município local, na organização anual da Corrida Cidade de Beja. “É uma atividade em que, todos os anos, nos associamos com o município de Beja e, naturalmente, queremos continuar associados por muitos e longos anos e que faz parte, de facto, da nossa perspetiva de promoção do desporto”. Questionado sobre se o primeiro ciclista a chegar a Tavira será dos “infantes, o primeiro”, aludindo à divisa da arma de Infantaria, Fonseca Rijo esclareceu que não. “A ideia, que é também uma particularidade da instituição militar, é a valorização do coletivo em detrimento do individual. Naturalmente que somos constituídos por pessoas, por mulheres e por homens, pela individualidade. Mas colocamos sempre o coletivo acima de tudo. Portanto, a ideia é que cheguem todos juntos”. Por último, e antes da largada para este raide Alentejo/Algarve, uma missão que foi também um elo entre camaradas da mesma arma, que foi uma reedição de uma atividade que desde 2017 não era levada a cabo, ficou a promessa do comandante do RI1: “Contamos, naturalmente, ter uma maior adesão no próximo ano e termos, também, alguns dos nossos camaradas de Tavira a partirem daqui até ao seu destacamento. Estamos a relançar o embrião, a plantar a semente e, no próximo ano, iremos, certamente, colher esses frutos”.

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