O ministro da Administração Interna, Luís Neves, esteve na terça-feira, dia 7, de visita a Alvito, Castro Verde e Vidigueira para conhecer “in loco” a realidade dos concelhos e identificar as necessidades e prioridades de investimento na área da Segurança. Entre os assuntos abordados, destacaram-se a construção do posto da GNR de Alvito, as obras de reabilitação do posto da GNR de Castro Verde e o “pontapé de saída” para a criação de um novo posto em Vidigueira.
Texto Ana Filipa Sousa de Sousa
Quatro meses após a sua entrada em funções, o ministro da Administração Interna esteve na terça-feira, dia 7, no distrito de Beja para atender aos pedidos de audiência dos presidentes das câmaras municipais de Alvito, Castro Verde e Vidigueira.Em declarações ao “Diário do Alentejo” (“DA”), Luís Neves referiu que, após a solicitação “para serem recebidos em Lisboa”, preferiu “vir aos locais e interagir com os autarcas e com as forças de segurança competentes” para ver com os seus “olhos”, “ouvir as deficiências” e perceber “o que se pode corrigir e melhorar” em cada concelho. No caso de Alvito, “a principal razão desta visita teve que ver com o posto da GNR [Guarda Nacional Republicana]”, em que “já foi assinado um contrato com todas as verbas necessárias para a sua construção”, mas é necessário reformular o projeto.“Houve um projeto de 2018, fizemos a revisão do mesmo e surgiu a obrigatoriedade de alterá-lo. Desde 2023 que aguardávamos a sua reformulação e, desde então, que estamos a comunicar com o Ministério da Administração Interna [MAI] e não temos tido qualquer resposta nesse sentido”, esclarece ao “DA” o presidente da Câmara de Alvito, José Efigénio. A reunião com o governante, prossegue o autarca, “trouxe a resposta”, prevendo-se que, “pelo menos até ao final do primeiro trimestre de 2027”, estejam reunidas “as condições para se ter o projeto devidamente feito” e colocá-lo a concurso. “O posto da GNR de Alvito é prioridade um e foi esta a resposta que não tínhamos há cerca de três anos”, elucida, referindo que a construção do novo edificado está orçada em mais de um milhão e 950 mil euros. Paralelamente, a reunião permitiu debater “a falta de efetivos” da GNR e “as condições do quartel dos bombeiros”, nomeadamente, a remodelação do edifício, a modernização do parque automóvel e a “constante necessidade de verbas” para a associação, assim como alertar “para o mau estado das estradas nacionais do concelho” que “provoca acidentes e insegurança rodoviária”.Em Castro Verde, a presença do ministro representou “um sinal de compromisso com a população” e um assumir de que a solução para avançar com a execução da empreitada de requalificação do posto da GNR está “à porta”.“Neste momento, o projeto está concluído e validado pelo MAI. Foi publicado em maio a portaria que determina o investimento de um milhão e 186 mil euros, mais IVA, no âmbito de um contrato de cooperação administrativo entre as partes [ministério e autarquia]”, adianta ao “DA” o presidente da Câmara de Castro Verde, António José Brito.De acordo com o autarca, o próximo passo nesse sentido será “ultimar a validação desse contrato” e, consequentemente, “lançar o concurso da empreitada” e “avançar ainda em 2026” com a referida obra.Entre os assuntos abordados estiveram também em cima da mesa “algumas questões relacionadas com o número de efetivos no posto da GNR”, a fixação do comandante que está em regime de substituição – “há a garantia de que isso poderá acontecer ainda durante este mês ou no próximo” –, e a necessidade de haver “um reforço dos meios operacionais”.Por sua vez, em Vidigueira deu-se o “pontapé de saída” para as negociações da cedência de um terreno municipal para a construção de um novo posto da GNR na sede de concelho, uma vez que “o posto atual não reúne condições” e, por isso, “é difícil atrair militares”. “O posto já cumpriu o seu papel e neste momento revela algumas carências. Foi essa a preocupação principal que quisemos demonstrar ao ministro da Administração Interna e dizer-lhe que o concelho de Vidigueira tem bastante potencial e tem vindo a atrair investimento, mas, de facto, só com um território seguro é que podemos continuar a atrair pessoas e empresas”, justificou ao “DA” o presidente da autarquia, Ricardo Bonito.Segundo o edil, a reunião permitiu ainda “solicitar a mobilização de novos carros” e “novos equipamentos de policiamento de proximidade”, assim como dar nota ao governante de que a câmara está a “disponibilizar edifícios municipais para a colocação de alguns elementos do corpo da GNR que se encontram fora da sua área de residência”. Em simultâneo, abordaram-se também algumas questões referentes à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidigueira, em especial, a elaboração do projeto de requalificação do quartel, com o intuito de “corrigir fragilidades para que os bombeiros possam prestar um papel ativo às populações”.“Percebemos que da parte do ministério também há disponibilidade para nos ajudar, para fazermos esse caminho em conjunto e esta visita permitiu, naturalmente, dar um pontapé de saída e pensarmos num futuro próximo com soluções”, afirma. De acordo com os presidentes das referidas câmaras municipais, a presença do titular da pasta da Segurança permitiu “partilhar informações e preocupações” e dar a oportunidade para que visse “in loco as situações que temos em mãos, mas que em conjunto podemos melhorar”. “Para nós foi muito positivo, porque tivemos a oportunidade de partilhar informações e preocupações e estabelecermos uma relação de proximidade que será muito útil naquilo que é a resposta permanente e essencial para as pessoas. Nós, governantes locais, e os nacionais, estamos cá com um objetivo fundamental que é responder positivamente aos problemas das pessoas e, portanto, a etapa de ontem [terça-feira] foi muito positiva para construir soluções para o território e para as pessoas”, assegura António José Brito, também presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (Cimbal). O ministro da Administração Interna, Luís Neves, reconheceu ainda, na ocasião, a praticidade destes encontros, referindo que termina este périplo “cheio de felicidade” de ver “a economia a funcionar e a criar emprego e riqueza”, o que “é fundamental para o País ter coesão territorial e social”, assim como “fixar pessoas” nos territórios do interior.