Diário do Alentejo

A doutrina social da Igreja
Opinião

A doutrina social da Igreja

Manuel António do Rosário, padre

06 de setembro 2019 - 11:05

Este título pode não ser suficientemente claro e sugestivo e, por isso, passo a escrever sobre ele algumas linhas. O Cristianismo é marcado radicalmente por um acontecimento: a encarnação de Jesus. Que Ele existiu, enquanto homem, há provas que no-lo atestam. Que Ele é o filho de Deus, é preciso fé e fé cristã para o aceitar.


A encarnação justifica também a centralidade e prioridade do homem na mensagem e ação de Jesus e da Igreja, ao longo dos séculos. Contudo, será no século XIX, marcado por tremendas transformações e pela “questão social”, que se criarão as condições para que o papa Leão XIII publique a Encíclica “Rerum Novarum” (1891), a primeira da doutrina social da Igreja.

 

Este documento, já prenunciado por outros, e por uma emergente tomada de consciência de muitos cristãos, significou a entrada da Igreja em questões que alguns consideraram fora da sua missão tradicional, o que gerou um coro de críticas, de vários setores, que se sentiram incomodados por esta inovadora postura interventiva. O papa, porém, não vacilou e lançou as bases de um novo olhar da Igreja sobre o mundo.  Mais tarde, em 1965, o Concílio Vaticano II afirmaria na constituição “Gaudium et spes” (n.º1) que “não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração (Igreja)”.

 

Entre os princípios fundamentais da DSI, saliento os seguintes: dignidade da pessoa humana; direitos humanos; bem comum; solidariedade e subsidiariedade; unidade da vida social; destino universal dos bens.
Por não ser um tema muito conhecido dos nossos leitores, apresento alguns dos principais documentos: Pio XI – “Quadragesimo anno” (1931); João XXIII – “Mater et magistra” (1961); “Pacem in terris” (1963); Paulo VI – “Ecclesiam suam” (1964); “Populorum progressio” (1967); “Octogesima adveniens” (1971); João Paulo II – “Laborem exercens” (1981); “Sollicitudo rei socialis” (1987); “Centesimus annus” (1991); Francisco – “Laudato si” (2015).

 

Estes textos estão todos disponíveis em português na Internet, pelo que, quem desejar conhecer, de facto, o pensamento da Igreja, pode recorrer a eles. O desafio é também extensivo aos cristãos, pois muitos desconhecem este manancial extraordinário de humanidade, que tem no evangelho a sua fonte inspiradora.

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