Diário do Alentejo

Antigos donos da baliza
Opinião

Antigos donos da baliza

José Saúde

08 de novembro 2026 - 08:00

Nói Alves, Titão, Vaz Lança e Lança foram altivos donos das balizas que superiormente defenderam, ao largo das suas várias épocas, nos diversos clubes onde atuaram com dignidade. Neste contexto, fixámo-nos, recentemente, numa fotografia inserida no meu baú de memórias, mas cuja imagem muito nos enterneceu, ou seja, de quatro antigos guarda-redes que no auditório da Biblioteca Municipal de Beja José Saramago posaram para a máquina fotográfica do meu saudoso amigo António Fernandes, aquando da apresentação da obra Glórias do Passado II. Os tempos vividos no hemisfério da bola trazem-nos eloquentes instantes de alegria e donde as lembranças permanecem hermeticamente concentradas em autoestimas, cujas eras teimam em reavivar zelosas recordações. Nói Alves foi um dos astros do futebol bejense que a plebe nunca esquecerá. Iniciou-se, lá para a zona do João Barbeiro em terrenos baldios, próximos da praça de touros, outras vezes nas eiras, numa baliza em que duas pedras demarcavam a linha do golo. Um dia, fruto do acaso, uma equipa popular de Beja foi jogar a Aldeia Nova de São Bento, sendo que o Zé Rocha, o Sesinando e o Dionísio, que faziam parte da comitiva, convidaram o Nói para jogar na baliza, uma vez que faltava um guarda-redes. Rezam as crónicas da época que o rapaz acedeu ao pedido e no final da jogatana o Alves foi considerado o protagonista da partida, tendo em conta a sua enorme exibição. O Despertar soube do feito e endosso-lhe de pronto o convite. Estreou-se, então, pelos despertarianos, transitando depois para o Desportivo, onde permaneceu durante várias temporadas. Titão partiu de Beja muito jovem, tendo defendido o Alhandra e o Olivais, clube que se coligou, mais tarde, o Clube Desportivo dos Olivais e Moscavide. Vaz Lança demonstrou bastante cedo a sua apetência pela arte da baliza. Começou no Despertar, passou pelo Sporting CP, onde foi considerado como o segundo Damas, regressou a Beja para defender as cores do Desportivo no campeonato nacional de juniores, ingressou na temporada seguinte no Benfica, fez parte dos trabalhos da seleção nacional de juniores, voltou ao Despertar, onde jogou no campeonato da terceira divisão, como militar esteve em Angola, foi campeão pelo Benfica de Nova Lisboa, em França atuou na turma do Estrelas de Bayone e já por terras lusitanas militou no Vasco da Gama de Sines, findando a carreira no União de Santiago do Cacém. Lança iniciou-se no Lusitano de Lobito, Angola, no regresso a Portugal radicou-se em Beja, sua terra natal, defendendo a baliza do Desportivo, Despertar e terminou a sua carreira ao serviço do popular “Ferrobico”. Citei quatro referências de antigos guarda-redes de futebol que, meritoriamente, foram donos das balizas dos grémios desportivos onde orgulhosamente atuaram com alma e coração. Para aqueles que infelizmente já não estão entre nós, casos do Nói Alves e do Titão, homens bons e sempre ágeis no que concerne a uma camaradagem afável, fica a nossa singela homenagem por tudo o que fizeram em prol do desporto, assim como a nossa pesarosa interjeição que fica explícita nesta pequena frase: descansem em paz!

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