Recordando, reiteradamente, preciosidades de um passado desportivo de pura excelência e de onde sobressaíram requintados vedetas que com muita dignidade pisaram as sumptuosas passadeiras da fama, descrevamos, hoje, sobre o antigo jogador de futebol apelidado por Quinito. A sua cédula de nascimento confirmava que estávamos na presença de Joaquim Alves dos Santos, uma criança que veio ao mundo na cidade de Évora no dia 26 de abril de 1938, sendo que a sua paixão pelo futebol teve lugar quando integrou um grupo de miúdos de rua, seguindo-se os tempos em que os Salesianos lhe facultaram utilizar o campo, bem como os respetivos equipamentos, ficando explicitamente assente no “contrato” a obrigatoriedade de uma ida à missa aos domingos. Mais tarde, com o espírito atlético da juventude a imperar, alinhou numa turma que dava pelo nome de River Plate, tendo em conta a influência do futebol argentino na Europa, sucedendo que, aos 18 anos, ingressou no Lusitano Ginásio Clube. Nesse tempo, o Lusitano de Évora militava na primeira divisão nacional e Quinito, com 19 risonhas primaveras, já brilhava na equipa principal. Otto Bumbel era o treinador e no valioso plantel pontificavam nomes como os de Vital, Paixão, Antoninho, Zé Pedro, Caraça, Batalha, Flora, Vicente, Narciso, Marciano e Teotónio, de entre outros “astros” que brilhavam em palcos nacionais. Nesta fase de euforia, uma vez que o Lusitano se apresentava como a bandeira do Alentejo, Quinito participava em torneios populares com os irmãos Mendonça, Fernando e Jorge, jogadores do Juventude que transitaram para o Sporting. Sporting que endossou um convite à jovem estrela eborense, mas essa proposta gorou-se por uma oposição austera do seu pai que, num tom inflexível, ter-lhe-á dito logo que não. A sua carreira era carimbada pelo sucesso e eis Quinito a estrear-se pela seleção militar na época de 1959/1960, num jogo no qual o alentejano defrontou o Luxemburgo, vitória portuguesa por 2-0, e recebeu as insígnias de internacional militar. Desse lote de atletas faziam parte: Ramalho, Alfredo, Nunes, Pinto, Miguel Arcanjo, França, Vital, Marta, Quinito, Malta, Silva, Hernâni, Calisto, Vieira Dias e José Pedro. Em 1963, já como funcionário dos CTT, ingressou no Desportivo de Beja e por terras bejenses foi protagonista de uma carreira fulgurante. Tive a possibilidade de o ter como companheiro de balneário no Desportivo e de reconhecer-lhe, em campo, todas as suas magníficas capacidades no mundo futebolístico. Como homem deste maravilhoso cosmos, Quinito foi um dos fundadores da Associação Cultural e Recreativa Zona Azul, uma coletividade de Beja que depositou nele confiança, sendo o seu trabalho nos escalões de formação simplesmente encantador e onde contou com Zé Manel, seu adjunto. Quinito teve o condão em trazer para a ribalta verdadeiros ídolos que militaram, mais tarde, em escalões principais do futebol luso. Estes textos semanais – “Bola de trapos” – têm, por vezes, como princípios capitais de pequenas conversas de café, acontecendo que, num desses espaços públicos, encontrámos a Graça Santos, irmã da Paula e da Margarida, suas filhas, surgindo à tona da conversa uma pequena deambulação pela história da antiga glória do futebol alentejano. Até logo, “gerente”!