Diário do Alentejo

Taça da AFBeja com o nome do antigo árbitro internacional Veiga Trigo
Opinião

Taça da AFBeja com o nome do antigo árbitro internacional Veiga Trigo

José Saúde

12 de outubro 2026 - 10:00

Inconfundível na forma como geria as leis do jogo ao longo de um desafio, Veiga Trigo foi um dos melhores árbitros que o futebol português conheceu no século XX. Sólido numa atitude tomada, hirto nas decisões e fazendo do procedimento disciplinar uma das suas armas, o antigo juiz de campo deixou vincado a sua arte ao comando dos jogos nacionais ou internacionais. No momento de ajuizar não olhava a cores clubísticas e nem tão-pouco à personagem que se lhe deparava pela frente. Todos, para ele, enveredavam pelo mesmo diapasão. José Alberto Veiga Trigo nasceu em Beja a 7 de julho de 1951, sendo os seus primeiros passos no universo futebolístico no Desportivo, como juvenil. A sua passagem pelo simbólico do emblema que defendeu foi efémera e com 17 anos resolveu experimentar a arbitragem. Mas, existiam, nesses tempos, regulamentos oficiais que impediam o candidato em frequentar os cursos com idade inferior aos 21 anos, por isso o diploma só fora adquirido em consonância com a legalidade vigente. E foi com esse estatuto que durante quatro anos apitou jogos promovidos pela Associação de Futebol de Beja (AFBeja). Dissecando hierarquicamente o seu vasto historial, recuemos no tempo e restauremos que Veiga Trigo, para além de empregado no café O Cortiço, apitava jogos entre turmas do liceu de Beja. Ao espreitar esses amistosos encontros, o saudoso Armando Nascimento, presidente dos árbitros bejenses, viu nele excelentes qualidades e convidou-o para abraçar uma causa a qual se desenhou de forma completamente exemplar. O serviço militar obrigatório levou-o a uma paragem forçada. Esteve em Angola, mas o bichinho da arbitragem manteve-se inalterável. No regresso à velha Pax Júlia, Veiga Trigo retomou o convívio dos homens do apito e na época de 1972/1973 esteve como estagiário na associação, seguindo-se uma carreira inolvidável. Na temporada de 1973/1974 foi árbitro da 2.ª categoria regional;1975/1976, subiu à primeira;1977/1978, rumou à 3.ª categoria nacional; 1978/1979, 2.ª categoria; 1979/1980, 1.ª nacional, e na temporada de 1985/1986 a internacional, mantendo-se no ativo até 1995. Para memória futura, socorremo-nos do seu vasto currículo e este diz-nos que foi num jogo que opôs as seleções de Espanha e Malta que o categorizado árbitro se estreou com as insígnias da FIFA ao peito, fechando o ciclo além-fronteiras no Luxemburgo, num desafio entre o Averir Beggen e o Orebro Sport Club, da Suécia. Intramuros observamos a presença em duas finais de Taça de Portugal, a primeira entre o Boavista e o FC Porto, e uma outra que colocou frente a frente o Benfica e o Boavista. Arnaldo Aguiar, Manuel Burrica, Teixeira Correia, João Crujo, Luís Lameira e Francisco Pardal, de entre outros, foram os condiscípulos que acompanharam Veiga Trigo como fiscais-de-linha, presentemente árbitros auxiliares. Agora, num ato em que prolifera, literalmente, a dignidade, a AFBeja entendeu, e bem, introduzir nos seus quadros competitivos a Taça Veiga Trigo, destinada aos escalões seniores. Refira-se, ainda, que a competição disputar-se-á no final dos campeonatos, prevendo-se que o antigo árbitro internacional Rosa Santos também venha a ser consagrado com a introdução de uma outra competição em que figurará o seu nome.

Comentários