Diário do Alentejo

Ascensão e queda
Opinião

Ascensão e queda

José Saúde

05 de outubro 2026 - 08:00

Articulemos o texto na compreensível singularidade que desde logo consideremos como genuíno. Sim, porque todos somos cidadãos atentos e conhecedores de realidades, porventura, inconcebíveis, que nos conduzem para um futuro que se revela, a posteriori, de uma atroz mendicidade. Ontem foram “reis”, hoje já “sem trono”, que se deixaram arrastar pelos trilhos de vidas dantes faustosas e, sabe-se lá porquê, caíram redondamente num charco onde os “peixes sapos” lutam por migalhas que os fazem sobreviver. O tempo é para refletir e concluir que no universo desportivo conhecemos ídolos que após a sua ascensão seguiu-se a imponderável queda. Ganharam fortunas, viajaram pelos quatro cantos do mundo, esbanjaram dinheiro e são agora providos pela ingratidão de caminhos errados. As contas bancárias, dantes recheadas, foram paulatinamente finando-se. As faustosas residências e os carros de luxo vendidos ao desbarato e o antigo atleta, já desprovido das riquezas, “teve que entregar o fato ao dono” e vê-se agora cotejado com pequenas “esmolas” que o fazem manter-se ao cimo deste globo terrestre. A notabilidade nos seus tempos áureos experimentou o quão apetecível seria entrar no desditoso consumo das drogas, ou do álcool, sendo que alguns deles por lá ficaram agarrados aos misteriosos “patrões” que os sugaram, sendo que estes “deuses”, os “patrões”, são hoje senhorios de um misterioso negócio, no qual proliferam odores de riqueza, pois sorveram os craques que, entretanto, foram deixados à sorte pelas empobrecidas carências de vidas. Mas, tudo também se esvaziara em alucinações de jovens que despertavam para um presumível enriquecimento. Esta narrativa insere-se, apenas, sobre determinadas situações que, num fino analisar, somos forçados a uma profícua reflexão. Conhecemos, por outro lado, atletas humildes que se limitaram em amealhar e aforrando um excelente “pé de meia” que os retirou de uma penúria antigamente conhecida. Hoje, porém, são senhorios de posses que resultam do suor derramado nas diversas competições, em que se propagaram a sua humildade e ânsia por uma vida melhor. A estes atletas tiro-lhes o chapéu e vão as minhas simpáticas respeitabilidades. Outros, vivendo de meras alucinações, enveredaram pelo facilitismo, sendo que jamais pensaram no dia de amanhã. Passeavam-se em carros de alta cilindrada, dos últimos modelos, deixaram-se arrastar por delirantes festas noturnas, algumas até acabavam mal, e o povo, embora o comentasse, passava imune às altas cavalarias pelas quais alguns desportistas enveredaram. Baseados em contextos universalmente conhecidos, creio que é lógico não optarmos pelo apontar a arma a alguém em particular, mas simplesmente a certos casos mundialmente conhecidos. Sabemos, porque a realidade observada assim o confirma, que o mundo dos estupefacientes induz os ídolos para “paraísos” de uma outra proporção, ou de divertimentos, onde se multiplica o universo feminino. Sabemos, também, as voltas e reviravoltas que a vida de alguns expoentes máximos do cosmos desportivo que acabaram por sofrer na pele com as suas inusitadas aventuras. Da ascensão à queda vai um pequeno passo.

Comentários