Aludem os arautos da história que a fundação de Ourique se reporta ao ano de 711 quando sucedeu a entrada dos muçulmanos na Península Ibérica. Expressam, ainda, os obreiros da gesta documental conhecida que existem fatores que indicam a sua existência para períodos mais recuados. Invocando assentamentos que nos enviam para tempos pré-históricos, damos conta de campanhas arqueológicas que nos levam ao tempo do paleolítico, calcolítico, idade do ferro e do bronze, sendo os povos residentes exatamente os romanos, os celtas e os árabes. A famosa batalha acontecida nos campos de Ourique, a 25 de julho de 1139, liderada por D. Afonso Henriques, e onde as tropas cristãs venceram os muçulmanos chefiados pelo governador de Santarém, terá sido decisiva para a independência de Portugal. A 8 de janeiro de 1290, o rei D. Dinis concedeu-lhe a carta de foral, elevando Ourique a vila. D. Manuel, a 20 de setembro de 1510, confirmaria esse privilégio outorgado séculos antes por D. Dinis. Transitando da realidade histórica para o memorável evoluir do espaço desportivo, a vila cresceu, alindou-se fisicamente, sendo que nesta substância criou paulatinas crenças num povo que a determinada altura viu germinar, a 1 de setembro de 1976, o Ourique Desportos Clube, filiando-se na Associação de Futebol de Beja a 20 de setembro desse mesmo ano. Agora, numa atitude mui digna e merecedora de elevados elogios, eis que Vítor Encarnação e Marco Rego partiram para a composição de um livro que relata a evolução da coletividade ouriquense ao longo dos 50 anos de história, memória e paixão do Ourique Desportos Clube. Neste contexto, procedeu-se, com a honorabilidade que o momento decretava, à sua apresentação pública na Gala Comemorativa do 50.º Aniversário, que se realizou no passado dia 12, numa povoação onde o seu desejo fora laureado pela extrema vontade dos seus investigadores. Tive o privilégio de conhecer, atempadamente, o projeto e o labor encetado pelo Vítor e pelo Marco, assim como o seu querer voluntário em construir um documento escrito que ficará para a posterioridade e, sobretudo, para a memória futura sempre lembrar. O exemplar tem 300 páginas, engloba 16 capítulos, e por lá permanecem relatos que o tempo jamais esquecerá. Como pessoa já experiente nesta matéria, cabe-me enaltecer o tempo gasto pelos autores, as horas de trabalho numa pesquisa apurada, a procura de uma correta informação, o corrigir, ou melhor, formalizar a natureza da escrita tendo em conta a substância narrada, enfim, cuidados que, por vezes, escapam, mas tornando-se preponderantes para aqueles que o fazem com a humildade, amor e paixão. E é nesta panóplia de construções e de óbvios importantes documentos, em que ficam legítimos testemunhos de um legado sobre aquilo que dantes fomos e de quem hoje somos. Ali se cruza uma generalidade de gerações, pessoas que muito de si deram em prol da agremiação, sabendo respeitar e erguer o nome de um emblema que se transformou paulatinamente numa referência regional.