O Baixo Alentejo e o seu litoral têm de “voltar a estar juntos” e, por isso, precisamos de avançar com a criação da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (Cimbaal). Esse passo urgente será determinante para a afirmação de uma região administrativa e política que reúna os 18 municípios que atualmente “estão separados”: 13 na Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (Cimbal) e cinco na Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (Cimal).A criação da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (Cimbaal) permitirá corrigir um erro histórico, juntando de novo, numa única comunidade, os municípios de Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Barrancos, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Serpa e Vidigueira (todos, atualmente, na Cimbal) com os municípios de Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines, que integram a Cimal.Registamos agora com agrado que muitos, outrora defensores do atual modelo, tenham percebido que a solução foi errada. Isso dá-nos mais força para fazermos um novo caminho e corrigirmos o enorme erro de 2009, quando a Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (Ambaal, onde, na altura, estavam os 18 concelhos) sofreu uma cisão administrativa que tem de ser corrigida.Este passo decisivo pode e deve assentar nos elementos da estratégia e do trabalho comuns que já existem na esfera administrativa das câmaras municipais e que, julgamos nós, devem convergir numa “Agenda para o Futuro do Baixo Alentejo”, onde se estabeleça um plano de ação articulado e concreto para vários setores.Dois exemplos:O abastecimento de água “em alta” (fora das localidades), obviamente, tem de articular-se e consolidar-se com o avanço concreto das soluções intermunicipais nos sistemas “em baixa” (dentro das localidades!). Trata-se de um exemplo emblemático e muito urgente.O setor dos resíduos urbanos, outra área fundamental, com desafios gigantescos e igualmente muito urgentes, tem de evoluir para uma solução que, a nosso ver, terá de assentar na “fusão” das diferentes empresas intermunicipais (Resialentejo, Ambilital e “parte” da Amcal), para evoluirmos muito mais no cumprimento de metas europeias cada vez mais exigentes.Estes contextos setoriais mostram bem como é óbvio que ter uma Cimbaal de 18 concelhos e com cerca de 210 000 pessoas (115 000 na Cimbal, somadas a 95 000 na Cimal) nos dará mais expressão territorial, força política e maior legitimidade reivindicativa em diferentes dimensões. E permitirá que sejamos mais escutados e respeitados. Porque isso, definitivamente, não tem acontecido.A região não pode continuar a ficar em segundo plano, ou mesmo terceiro, na definição de prioridades e, nalguns casos, verdadeiramente abandonada pelos sucessivos e distintos poderes do Terreiro do Paço que, ao invés de agirem e potenciarem uma ação concertada, parecem preferir governar casuisticamente, sem visão nem estratégia de conjunto.Somos claros: Beja precisa de força política e tem de assumir-se como “a capital” do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral. É inadmissível que a cidade continue fora da rede de autoestradas; tenha linhas de comboio sem eletrificação para norte e nem sequer tenha linha para sul; que não esteja “no centro” das ligações rodoviárias com Sines, a Andaluzia e a Extremadura espanholas; e que o troço de Odemira a Ourique, para ligação ao IP2, à autoestrada do Sul e a Beja, seja tão mau como é.E o aeroporto? Como continuamos a consentir que o aeroporto de Beja, fonte de tanta esperança, seja um simulacro, sem acessibilidades rodoferroviárias e à mercê de uma gestão desinteressada da ANA (ou Vinci, como queiram!), que se mostra incapaz, talvez porque não queira, de desenvolver uma estratégia diferenciadora para o potenciar.Estamos mesmo fartos de anúncios que nada têm resultado!Temos vivido anos, somados a muitos outros anos, com um vergonhoso quadro de incapacidades e promessas sem concretização. Ontem já era tarde para assumirmos, com determinação e em conjunto (Baixo Alentejo e Alentejo Litoral), um plano de desenvolvimento sério, articulado e capaz de transformar, positiva e estrategicamente, o nosso futuro.A região tem um potencial indiscutível, gera imensa riqueza e emprego, seja com o maior porto do país, em Sines; uma agricultura de regadio pujante a partir do grande lago do Alqueva; um aeroporto em Beja; as duas maiores minas portuguesas, em Castro Verde e Aljustrel; e um litoral turístico de enorme potencial. Juntar, como obviamente faz sentido, o Baixo Alentejo e o Alentejo Litoral, pode garantir-nos a conjugação de uma nova energia social, política e de representatividade que nos faz falta.Desde 1974, têm sido sempre as autarquias a remar contra a maré do abandono. Que seria do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral sem o imenso trabalho positivo dos municípios? Neste momento e nesta esfera, mais uma vez, os municípios terão de ser a “automotora” do novo impulso de mudança.Acreditamos que o vão ser e lutaremos para que o sejam. Mas alertamos que isso só sucederá se acabarem “tabus” estratégicos, programáticos e até ideológicos. Julgo que será sério e prioritário que, numa primeira etapa, as duas comunidades intermunicipais (que integram democraticamente 18 municípios), iniciem um debate interno capaz e aprofundado, que ponha os interesses dos baixo-alentejanos à frente de estratégias e táticas particulares.Na Cimbal, estamos prontos para impulsionar rapidamente o debate que nos permita fazer este caminho. Processos assim nunca estarão livres de riscos, visões diferentes e discordâncias, mas essa é a essência da democracia. E todos temos, certamente, a maturidade necessária para construirmos em conjunto soluções que promovam a máxima concordância possível.Pessoalmente, sublinho aqui uma posição muito clara: não podemos continuar a perder influência e oportunidades no Baixo Alentejo e no Alentejo Litoral por redutora obstinação partidária e teimosias que já provaram, ao longo de sucessivos anos, que não dão resultado algum e prejudicam as pessoas da região. E a expressiva maioria dessas pessoas já não aceita esta continuada falta de ação. E estão cansadas.