Diário do Alentejo

João Margalha, o “senhor do basquetebol” que agora nos deixou
Opinião

João Margalha, o “senhor do basquetebol” que agora nos deixou

José Saúde

21 de agosto 2026 - 18:00

O basquetebol bejense ficou mais pobre e sem um dos seus principais ícones. O engenheiro João Duarte Lopes Batista Margalha, vulgo João Margalha, contava 69 anos de idade, sendo ele um homem que dedicou a sua vida desportiva ao basquetebol. Conhecia-o, como jornalista, nos tempos primórdios em que o João se aventurou em reabilitar uma circunstância que parecia encaminhar-se para um profundo entorpecimento. Éramos amigos, homens do desporto e tive o privilégio de ouvi-lo sobre uma modalidade com a qual o seu espírito e coração completamente aberto conviveu, fazendo dessa crença uma das suas principais opções desportivas. O João era filho do professor Margalha, um senhor que fazia do seu casaco indumentária capital, quer fosse de inverno, quer no verão. Aliás, em épocas em que a canícula apertava, era comum vê-lo com o casaco sobre os ombros e com uma camisa de mangas arregaçadas que ditava, afinal, o seu princípio de vida, sendo que ele se inseria numa sociedade que sempre o respeitou. Assim, nesta infeliz e malfadada conjuntura do trágico fim do João, compete-nos homenagear o homem e tudo o que fez em prol do fenómeno desportivo bejense, regional e nacional. Porquê? Sim, porque o João fora incansável no prodígio do basquetebol sul-alentejano, lutando inevitavelmente a favor de uma modalidade que lhe preenchia o ego de enorme paixão. João Margalha jamais jogou a “toalha ao chão”, reclamando direitos de que a sua modalidade muito necessitava, reivindicando tempos e espaços num pavilhão sempre dividido por outros setores desportivos. Os treinos, por vezes, praticavam-se já por altas da noite, dado que nesses momentos o pavilhão João Magalhães se apresentava indisponível. Mas o João era um homem perspicaz, lutador convicto pela continuidade do basquetebol em Beja, uma luta que fez dele um aristocrata na arte da defesa dos seus ideais desportivos. Sendo profissionalmente funcionário da Câmara de Beja, técnico superior, era um homem com ideias fixas, sendo certo que a determinada altura do investimento feito na secção do Despertar Sporting Clube resolveu partir para a fundação do Beja Basket Clube. Ele, João Margalha, tal como o conheci, fora inevitavelmente um senhor do associativismo. Foi, ainda, condecorado por instituições que viram nele a verdade do seu ativismo, designadamente, pela Câmara Municipal de Beja. Deixou, também, obra feita como coordenador executivo da Alentejo XXI, onde concretizou projetos de qualidade que visavam melhorias para populações locais. Presentemente, tudo o que possamos descrever sobre a sua cordial ação será certamente pouco, ou muito pouco, pois, além de assumir a função de treinador, fez da classe de dirigentes uma das suas mais valias. A sua fiel devoção por tudo o que fez em prol de uma modalidade que cresceu equitativamente na urbe pax juliana jamais cairá em saco roto, pelo que será, por certo, eternamente reconhecido. João Margalha, o “senhor do basquetebol” que agora nos deixou. Descansa em paz, pois o teu legado ninguém ousará desvirtuar.

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