Fundado a 15 de agosto de 1922, o São Domingos Futebol Clube festeja amanhã, sábado, os seus 104 de vida, sendo o tempo oportuno para pesquisarmos o seu vasto historial. Assim, num silêncio que teima em coabitar entre as paredes que me rodeiam, divagamos na infinidade de um horizonte, em que os mistérios teimam em lisonjearmo-nos com ávidas recordações. Recorro, em parte, ao legado deixado por Melo Garrido e dou por mim a elaborar mais uma crónica na qual se multiplicam exímias seduções sobre a Mina de São Domingos, sendo que em cada recanto do povoado se vive saudade. À labuta de outrora, travada nas entranhas da terra na procura do precioso minério, subsistem espaços desportivos que nos fazem reviver épocas douradas do São Domingos Futebol Clube. O decrépito Campo de Jogos Cross Brown, antes palco de tardes de brilhantismo futebolístico, é um espaço que agora é munido com um sintético. Longe vão os tempos em que os ingleses, funcionários da firma Mason and Barry, deliciavam a plebe com a majestosa arte do jogo da bola. Relata a história que o futebol terá chegado ao povoado no ano de 1918, sendo Manuel Revez Pereira um dos seus grandes impulsionadores, fundando-se, então, o Guadiana Football Club, com sede numa das ruas do Bairro Alto. Sabendo-se que a rivalidade existente entre adeptos do Benfica e do Sporting era grande, eis que deu à estampa o São Domingos Football Club, um grupo formado na base de aficionados benfiquistas. A sede do São Domingos fixou-se na Casa dos Ingleses, onde se mantém. Numa observação a esses tempos, constata-se que o Guadiana equipava à Sporting e o São Domingos à Benfica. Mas, com o clima clubista entrementes vivido, fez com que o São Domingos fosse o símbolo capital que ficaria para a posterioridade. Do lote de craques que nas décadas de 1930, 1940 e 1950, século passado, elevaram o nome do lugarejo, assim como de um grémio que deu brado em solo lusitano, menciono: Alfredo Valadas e Domingos Lopes, jogadores que atingiram o padrão de internacionais, sendo muitas as estrelas que brilharam a nível nacional em clubes de alto gabarito. Por isso, limitemo-nos a recordar aquelas tardes em que a Mina fora anfitriã de múltiplos prazeres, principalmente, quando a equipa militou na II Divisão Nacional. Porém, para lá do futebol, pela estrada alcatroada passeavam airosas moças que deixavam os visitantes pasmados. Hoje, é lícito aplaudir o historial do grémio e que muita alegria deu à região. Tempos que jamais voltarão, onde trago à estampa duas equipas que na década de 1950 representaram o São Domingos Futebol Clube, sendo a primeira da época de 1952/1953: Valentim, Morgado, Cipriano, Martins Lopes, Romão, J. Zarcos, Fernandes, F. Zarcos, Calvinho (jogador/treinador), Luz, Godinho, Severino, Carlos Aleixo e Marques; e de um outro 11, temporada 1955/1956: Severino, Amadeu, Luz, Zé Luís, Marquita, Zarcos, Brás, Cipriano, Conceição, Fernandes e Horta. Martins assumia o papel de treinador. E assim vamos deixando gestas desportivas de um passado que envolve memórias inesquecíveis de um grémio com 104 anos de existência.