Diário do Alentejo

Raul Lampreia
Opinião

Raul Lampreia

José Saúde

09 de agosto 2026 - 08:00

A nossa existência humana, que é efémera, permite-nos trazer à singular opinião pública antigos dirigentes que bem souberam construir alicerces que são hoje determinantes na continuidade do desenvolvimento desportivo regional. Somos homens, já avançados na idade, mas que conhecemos personagens que muito respeitávamos e que víamos neles personalidades que emitiam respeito, honestidade, confiança e consideração no meio social. Falar-vos-ei, neste texto, sobre o saudoso Raul Guerreiro Lampreia, um homem proeminente, de estatura alta e que a sociedade, à época, deveras venerava. Assim, numa sucinta narrativa sobre a história desportiva do antigamente, leva-me a complexidade da informação enveredar por caminhos que refletem eventuais prudências. Todos temos opiniões e todas elas são bem-vindas. Reconheço que agradar a gregos e a troianos é complexo, no entanto, ouso desafiar preconceitos e trazer livremente à apreciação coletiva retratos de individualidades que muito contribuíram para o progresso do futebol por estas paragens sul-alentejanas. Sei que o catálogo de celebridades é vastíssimo, mas a minha ânsia de saber quem somos e de onde viemos, conduz-nos a caminhar por veredas apertadas, desbravar etapas construídas por criaturas cuja entrega à causa desportiva se reflete na realidade presente. Raul Lampreia, conhecido em Beja pela alcunha de “Bife”, foi um dos homens que participou na construção do processo futebolístico bejense. Iniciou a sua carreira como dirigente a 9 de novembro de 1935 no “conselho de gerência” do Luso, onde assumiu depois a presidência da direção. A sua relevante obra levou-o a presidente da Associação de Futebol de Beja (1938/1939 – 1941/1943), sendo também representante deste organismo na Federação Portuguesa de Futebol. A sua imutável crença de indivíduo prudente conduziu-o a diretor do Clube Desportivo de Beja após a fusão (a 8 de setembro de 1947) entre o Luso, o União e o Pax Júlia. Homem íntegro, correto, educado, envergando sempre vestes requintadas, ou seja, fatos de excelência qualidade emparelhados com gravatas de seda, fora então considerado como pessoa de bem e ei-lo como vereador da Câmara Municipal de Beja, sendo o presidente Banha da Silva. Raul Lampreia foi considerado como um dos principais responsáveis pela construção do velhinho estádio Engenheiro José Frederico Ulrich, presentemente conhecido como Estádio Municipal Dr. Flávio dos Santos, cuja inauguração ocorreu a 27 de abril de 1953. Um estádio que ao longo dos anos fez furor a sul de Portugal, uma vez que a sua magnitude bélica, bem como o excelente pelado que habitualmente apresentava, era motivo de orgulho não só para a população local, assim como para o pessoal que regularmente visitava o recinto. Recordar Raul Lampreia é trazer à estampa um cidadão cordial que a plebe, conhecedora da sua rotina diária, sempre respeitou e, sobretudo, admirou. A residência oficial onde habitou foi num quarto na Pensão Rocha, no largo D. Nuno Álvares Pereira, em Beja, e o Café Luiz da Rocha o recanto sagrado que radiosamente o acolhia no seu quotidiano.

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