Amigo e companheiro de uma existência na qual a nossa fidelidade de amizade foi um “selo de garantia”. A tua imagem foi, inequivocamente, a de um homem sempre disponível para prestar uma ajuda ao próximo, sem que nunca renegasse um pedido seja ele de quem fosse. Eras tu, somente tu. Partiste, agora, para um outro lugar celestial, ficando, contudo, na memória de todos a tua verdadeira generosidade. No momento da derradeira viagem ficaram escondidas algumas das presumíveis e desassossegadas “turbulências” com as quais a vida te contemplou. Mas, nada transmitias para o exterior. Aliás, a base da tua ferramenta humana sustentava-se no silêncio. Morreu António Afonso Fernandes, um antigo dirigente desportivo que, para além da sua entrega ao trabalho profissional, jamais renunciou a uma cooperação com modalidades desportivas, de entre outros atos sociais em que participou, sendo que a sua franca ocupação nos cargos, designadamente, como presidente de mesa de assembleia-geral da Associação de Patinagem do Alentejo, ou fazendo parte dos órgãos sociais dos Bombeiros Voluntários de Beja, ou ainda como um dos antigos dirigentes do Desportivo de Beja, fizeram grande parte do teu vasto currículo desportivo ao qual te entregaste desinteressadamente. No passado dia 26 de julho fez 20 anos que, numa tarde em que a canícula apertava, partimos rumo à Cabeça Gorda e nos sentámos numa mesa à porta da taberna do nosso saudoso amigo Zé Correia, num sítio a que dão pelo nome de “moinho de vento”, e ali petiscámos o bom presunto da casa. Por coincidência do destino, essa memória que sempre se manterá guardada em mim, dado que foi nessa mesma madrugada que o meu AVC me tocou à porta e que por cá se instalou. Recordo, “com uma lágrima ao canto do olho”, que me deixaste em casa, restando a cordialidade de um até amanhã. No dia seguinte foste um dos portadores da mensagem do meu estado de saúde ao nosso núcleo de amigos, em que assumiste a incansável transmissão da perversa notícia. Hoje, infelizmente, não vou dizer-te um até amanhã, mas um simples até logo. A nossa existência humana, sendo-nos tantas vezes madrasta, é, todavia, repleta de inolvidáveis recordações. Lembro, e bem, da tua azáfama na preparação das assembleias-gerais e os contactos com os filiados. Preparavas tudo ao pormenor. Eras exímio na condução dos trabalhos. O Fernandes nasceu em Panoias a 28 de dezembro de 1946, tinha 79 anos, sendo que se assumiu como mais um dos enormes amantes do desporto, sendo Beja a cidade de adoção que cedo o acolheu. De ti guardarei uma imensidade de lembranças e vários álbuns de fotografias que manterei na montra do meu pecúlio. Só a título de curiosidade, basta centralizarmo-nos em vários filmes fotográficos e trazermos à estampa os reencontros de antigos jogadores de futebol de Beja, nos quais fui o grande impulsionador, ou de outros maravilhosos instantes, onde o desporto era a tua, nossa, praia. Que a tua viagem sem regresso seja, apenas, tranquila. Fernandes, até logo!