A vida está cheia de formatações, códigos, matrizes, leituras digitais, cruzes. Tudo tem de estar padronizado e pronto para as máquinas. Não é fácil aceitar que tudo aquilo que a vida nos deu já não presta para nada. Não se percebe como ensinamentos e práticas estão a ser substituídos por experimentalismos a que, através de uma argumentação muito curta, se chama reformas. Quem delas duvida, ainda que fazendo uso de uma argumentação mais profunda, é apelidado de dissidente de um regime transformador e progressista, chamam-lhe força de bloqueio ou, pasme-se, até putativo sabotador. Há uma certa dificuldade para quem vive na vertigem da modernidade em entender que qualquer propósito, por melhor e mais bondoso que seja, requer um período de preparação e maturação. Achar que apenas a determinação política chega para atingir um objetivo sem atender às múltiplas fases do processo e aos variados intervenientes é uma ideia errada. Os projetos reformistas que incidem sobre as áreas do conhecimento requerem particular atenção e diálogo. Dividir o mundo em bons e maus, em defensores e detratores, os que nunca fizeram nada e os que agora fazem tudo, é um péssimo princípio. Quando, de parte a parte, apenas se faz uso da cartilha ideológica, está tudo perdido. E depois, num assomo de militância fervorosa, provenientes dessas brigadas partidárias, batendo com a mão no peito, ungidos, arrivistas, sedentos por poder, quase sempre apadrinhados, surgem personagens que percebem tanto do assunto como de um lagar de azeite, tanto podem falar de educação como de fogos florestais. A vida está cheia de gente que agora acha que o que é bom e reformista é preencher bolinhas. A malta do tempo da folha em branco, da caneta e da imaginação está tramada.