A nossa palavra Filho, a nossa palavra tem de ser sagrada. A palavra deve ser inviolável, nunca descartável, nunca moldada a interesses que vão surgindo ou proferida ao sabor de estratégias. A nossa palavra, esse fruto da nossa aprendizagem cultural e existencial, esse som que diz quem somos e como somos, não pode ser uma coisa vã, desprovida de conteúdo e de propósito. Nunca prometas o que não consegues cumprir, nunca traias a verdade, não cries expetativas sobre aquilo que não tem sustentação. Filho, as pessoas não merecem que as enganemos, iludamos com subterfúgios, entretenhamos com mentiras, mantenhamos do nosso lado com manipulações. Não tendo sido encontrado nenhum erro na nossa forma de ser e de agir, o que se diz hoje é o que se diz amanhã, se dizemos que esperem por nós nesse dia, é nesse dia que lá estaremos, se afirmamos que podem contar connosco, não falharemos, se garantimos a nossa ajuda, somos os primeiros a chegar ao sítio, à pessoa, ao problema, à solução. Filho, nem tudo tem de ter um preço, nem tudo é moeda de troca, podemos dar, contribuir, fazer parte, sem estarmos à espera de migalhas, sem fazermos cálculos sobre o que ganhamos em sermos assim ou de outra forma mais conveniente. A nossa palavra tem de valer muito, tem de valer tudo, no rosto dessa palavra está o nosso nome, a nossa dignidade, a nossa vida toda, o julgamento do presente, a memória que há de sobrar de nós. A nossa palavra é o que nos sustém de pé, é o que nos permite olhar de frente, sem vergonha, mas sem soberba. Nunca permitas que a tua palavra dependa de uma circunstância, de uma maior ou menor importância num grupo ou numa comunidade, a tua palavra deve ser estrutural, linear, transparente. Filho, a tua palavra és tu, ela diz tudo de ti.