Diário do Alentejo

Arrumar a casa
Opinião

Arrumar a casa

José Saúde

20 de julho 2026 - 08:00

O ciclo é o habitual e comum nesta fase do ano. O tempo vivido é de conversações sobre prodígio desportivo e as novidades caem em catadupa, sendo que a transferências dos jogadores marcam presença em toda a comunicação social. Os jornais fazem manchetes e as televisões “idem aspas”. Nos cafés, ou noutros locais, as conversas entre amigos tornam-se habituais. Cada um dos falatórios é entrosado em subsequentes patamares, sendo mais preciso, uns que se prendem com o profissionalismo, outros com o amadorismo. Por razões óbvias coloquemos o desporto profissional de parte e falemos no amador, sim, aquele com o qual convivemos no dia a dia ao longo da temporada nestas paragens sul-alentejanas. Lanço um olhar pelo desporto regional, em particular, para o futebol do distrito de Beja, e deparamo-nos com o chamado período de arrumar a casa, tendo em vista a próxima época. O silêncio parece inatingível a uma plebe ansiosa por novidades. Mas as redes sociais são hoje uma alavanca capital e eis que num caminhar paulatino os clubes lá vão divulgando algumas aquisições. É preciso segurar o atleta, mas sem alaridos. Espera-se pela reabertura das inscrições. Quem primeiro chega primeiro se havia. Melhor, o que conta é rapidez e perspicácia dos dirigentes. A sua subtileza impõe as regras do jogo. Fala-se confidenciosamente e prometem-se ofertas que deixam o “craque” de orelha arrebitada.  Será? Interroga-se, entretanto, o atleta! Todavia, numa confissão aos botões, assume que os tempos de agora são literalmente diferentes daqueles de outrora. Presentemente, trabalha-se na base da honestidade. As conversas dos dirigentes são pautadas pela seriedade, pois a honra e o dever são princípios que os transportam para o perfeito. Assim, numa interpelação no desejo do jogador, fica a ideia de que no aceitar é que está o ganho. Seguro de si e do seu valor, o rapaz enche o peito de ar e respira fundo: “Aceito a proposta”. Para sua segurança pede uns euros adiantados para passar uns dias de férias, mas na praia. A solicitação da nova aquisição é rapidamente satisfeita. O dirigente, já experiente nestas andanças, confessa aos seus botões: “Este está certo e fugir já não pode”. Compromisso assinado traduz a validade de ato. Para segurança o clube reserva documentos que entende como preponderantes para inscrever na associação a nova “estrela”. Esta é uma situação constante sempre que as coletividades preparam o novo grupo de trabalho. Porém, sejamos realistas e não pensemos no inimaginável, visto que os grémios, embora parcos nos orçamentos, são, por vezes, confrontados com situações inesperadas. Resta esperar pelo final da prova para revigorar o trabalho previamente. O que sobeja deste texto é uma perceção que entendo como válida, sabendo todos nós, em particular, àqueles que conviveram com tamanhas geringonças, que em tempos recuados prevalecia um possível recurso a vales ao longo do mês, sabendo-se de antemão que a mensalidade acordada pelas partes – clube e jogadores – era normalmente uma incógnita, ou paga quando a direção tinha possibilidades financeiras para o fazer, ou, ainda, quando um dos diretores colocava do seu próprio bolso a verba então requerida pelo grupo de trabalho. 

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