Fundado a 1 de junho de 1932, por Carlos Marques e Manuel António Engana, o “Diário do Alentejo” (“DA”), agora propriedade da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, tem sido ao longo da sua existência um marco histórico no qual proliferam notícias regionais que lhe dão corpo, vigor, isenção e rigorosidade. Jornalistas, colunistas, pessoas que emitem opiniões, colaboradores, paginadores, fotógrafos, pessoal administrativo, de entre tantos outros, perfazem um conjunto de seres humanos que, mui respeitosamente, levam as novidades do “DA” ao mais recôndito lugar neste chão universal. São, no fundo, companheiros que, ao largo dos 94 anos da sua existência, se envolveram no talento apresentado para patentearem o leitor com os mais diversificados temas. Numa visão considerada ampla de um passado que, a instantes, nos puxa para o sentimento da saudade, revejo pormenores que a mente, por ora, ainda preserva. Com a chegada das noites quentes, em que a canícula puxava então para um alívio dos corpos, veio-me à ideia recordar as épocas em que acorria ao jardim público de Beja um mar de gentes, que, em plenas trevas, as conduziam a um lugar para refrescarem os seus corpos, após mais uma jornada de trabalho. Havia uma esplanada e a frescura das árvores, e da relva, transmitia tranquilidade. No seu rinque, ainda existente, havia o futebol salão, hoje dá pelo nome de futsal, hóquei em patins, ou, a espaços, andebol. Sendo fã de indeléveis ideias desportivas, em que a futurologia traça, por vezes, dados inacabados, há, porém, quem defenda que o porvir é um dom astrológico assente em teorias quiçá doutrinadas, ficando, porém, a verdade de um passado que nos fora, de facto, sublime. Este oportuno diapasão, mas cuja lembrança não esquece, arrasta-nos para modalidades cuja prática envolvia multidões que, à volta do rinque, puxavam entusiasticamente pela equipa de eleição. Nesses tempos havia um árbitro que era, tão-só, exímio em julgar jogos, independentemente da circunstância das leis que cada prélio recomendava. Esse senhor chamava-se Manuel Ferreira, conhecido pelo povo como o “Pé de Ginja”, tendo em conta o defeito físico que apresentava numa das suas pernas. Mesmo assim, não lhe olhassem à pequena imperfeição, sendo que o homem corria que se fartava, acompanhando a ligeireza dos atletas no rinque. Tanto mais que eles, os atletas, eram jovens e o “Pé de Ginja” já acusava uma idade superior. O seu local de trabalho profissional era na Câmara Municipal de Beja, mas sempre disponível para avaliar, com rapidez, a razão das causas cometidas por um qualquer jogador, não obstante a condução dos regulamentos que o jogo praticado obviamente impunha. O “Pé de Ginja” assumia-se como uma espécie de enciclopédia na condução do prélio disputado. Histórias que o “DA” sempre acompanhou, trazendo para as suas páginas uma diversidade de notícias sempre inesquecíveis. Manuel Ferreira: um homem multifacetado na arte do apito.